Mercados: Dólar quase rompeu menor preço em mais de cinco anos; bolsa subiu com Petrobras
Valor Online
02/05/2006 08:12
SÃO PAULO - O mercado financeiro local terminou a sexta-feira com desempenho positivo. O dólar voltou a fechar depreciado em relação ao real, abaixo dos R$ 2,10 e ainda mais próximo da cotação registrada em 21 de março de 2001 no mercado cambial brasileiro. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a valorização das ações da Petrobras, principalmente, sustentaram pregão no azul. E no segmento de juros futuros, declarações do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, ajudaram na correção das taxas sobre os ajustes de alta exagerados da véspera.
O dólar caiu 0,80%, a R$ 2,0860 na compra e R$ 2,0880 na venda, no menor valor desde 21 de março de 2001 (R$ 2,0830). O giro interbancário somou cerca US$ 4,75 bilhões. Vale lembrar que foi fechamento de Ptax do mês. Na semana, a cotação do dólar à vista cedeu 1,56%. No mês, recuou 3,56%. Na roda de dólar pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a divisa caiu 0,95%, a R$ 2,0849, com volume igual a US$ 563 milhões. A queda na semana chegou a 1,70%, enquanto a perda no mês de abril somou 3,65%.
O cenário externo muito favorável e o âmbito local marcado pela ausência de notícias negativas ao segmento sustentaram a manutenção da tendência declinante do dólar, avaliou o estrategista-chefe do Banco BNP Paribas, Alexandre Lintz. Indicadores de atividade e custo de trabalho dos Estados Unidos referendaram a percepções de crescimento alto com inflação contida naquele país, no dia seguinte à indicação do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, de uma possível pausa no aperto monetário naquele país, observou o especialista.
No quadro doméstico, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sugeriu a manutenção por mais tempo do expressivo diferencial entre os juros internos e externos, e, assim, a atratividade do país para o capital estrangeiro, complementa. O documento sinalizou a chance de um abrandamento no ritmo de cortes da taxa Selic. Isso ao mesmo tempo em que a balança comercial continua gerando fluxos positivos, diz. "Há dólares entrando por todos os lados", resume.
O Ibovespa subiu 1,53%, aos 40.363 pontos, após oscilar entre a mínima de 39.751 pontos e a máxima de 40.424 pontos. O volume financeiro somou R$ 2,48 bilhões. Na semana, o índice acumulou alta de 1,48%. No mês, a valorização chega a 6,36%.
A bolsa paulista operou "descolada" dos pregões norte-americanos, impulsionada pelos principais papéis que compõem a carteira do Ibovespa, observou o gerente de renda variável da Concórdia Corretora, Romeu Vidali. Entre elas, a preferencial da Petrobras, que detém a maior participação no índice, de 9,227%, fechou com alta de 1,82%, a R$ 46,23, e respondeu pelo maior volume do pregão, com R$ 219 milhões. Os papéis ON avançaram 1,29%, a R$ 51,01.
As ações da estatal brasileira foram influenciadas pela retomada do aumento nos preços de petróleo, após quatro pregões seguidos de quedas apenas no mercado nova-iorquino. No foco desse mercado, o término do prazo estipulado pelas Nações Unidas para o Irã suspender as operações associadas com o enriquecimento de urânio e o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica sobre as atividades nucleares daquele país.
No segmento de juros da BM & F, investidores corrigiram parte das posições tomadas após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quinta-feira passada, quando o mercado reagiu à leitura de que o documento indicava um abrandamento no ritmo de cortes da taxa Selic. Declarações de Meirelles na sexta-feira, de que a ata não fornece indicações precisas sobre as próximas decisões do colegiado, ajudaram a esfriar os ânimos.
O Depósito Interfinanceiro (DI) para julho caiu 0,02 ponto percentual, a 15,39% ao ano. Janeiro de 2007 marcou 14,78% ao ano, com queda de 0,04 ponto. O DI para janeiro de 2008 caiu 0,08 ponto, para 14,62% ao ano.
(Paula Laier | Valor Online)


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