Quinta-feira, Maio 18, 2006

Investidor deve sempre buscar informações de qualidade

Rogerio Betti
18/05/2006

Escolher bons investimentos nunca foi tão difícil como hoje. No passado, existiam poucos tipos de investimentos à disposição do investidor, a gestão dos fundos era passiva e muito semelhante entre si. Além disso, aplicar na renda fixa sempre foi muito atraente. Poucos investimentos renderam tanto nos últimos 10 ou 15 anos quanto a renda fixa no Brasil. Mas comprar um CDB ou aplicar no fundo de renda fixa tradicional de seu banco já não rende tanto, pois com as taxas de juros a 15% ao ano, descontando o IR (15%) e uma inflação de 4%, a rentabilidade líquida será próxima a 9% ao ano, ou seja, menos de 1% ao mês.

Durante os últimos cinco anos, o mercado financeiro brasileiro se desenvolveu muito, com a criação de diversos fundos multimercados, fundos long/short, etc. Enfim, uma quantidade enorme de tipos de investimentos disponíveis ao investidor, além de um número grande de instituições (bancos e assets independentes) oferecendo produtos diferenciados. O mais importante nesse processo, contudo, é que aplicar na renda fixa já não é tão atraente!

Com a imensidão de produtos e gestores, o Ibovespa beirando os 39.000 pontos, os juros a 15% ao ano e o dólar muito baixo, como rentabilizar seu portfólio de investimentos acima do CDI com segurança? Onde investir? Realmente esta é uma pergunta difícil de se responder principalmente de forma sucinta. Acredito que a melhor forma de responder essa pergunta seria construindo a resposta com outras perguntas...

A primeira delas é: "Qual o prazo do investimento?" Um dos pontos mais importantes para começar a construir um portfólio é o prazo da aplicação. Quanto mais longo é o prazo, maior o número de investimentos voláteis como, por exemplo, ações. A segunda questão primordial é: "Qual o perfil do investidor?" Perfil não quer dizer apenas conservador, moderado e agressivo, e sim o perfil de vida dessa pessoa, aceitação à volatilidade, conhecimento do mercado, idade, etc.

Migrar uma parte da carteira para a compra de ações é uma forma de agregar valor e volatilidade ao portfólio, principalmente em ano de eleições e depois de a bolsa ter subido muito. Muitos investidores que nunca olharam para a bolsa estão sendo seduzidos pelas altas rentabilidades dos últimos anos e pela febre das aberturas de capital. Mas é preciso ter em mente que é muito importante fazer uma boa compra, seja pela qualidade do ativo, seja pelo momento da compra. Nesse mercado é preciso informação, conhecimento e assessoria, pois grandes oscilações podem assustar o investidor desavisado. O cenário de crescimento das economias mundial e brasileira e a forte queda nos juros, entre outros fatores, tornam o investimento em bolsa muito atrativo. Hoje, quase 30% do volume operado diariamente na Bovespa são de pessoas físicas, confirmando o desenvolvimento do mercado e de seus investidores.

Na área de renda fixa, os papéis com risco de crédito estarão cada vez mais presentes nas carteiras, pois com os juros dos títulos públicos cada vez mais baixos, as operações de crédito ficam em evidência, como é o caso das debêntures, CDB, CRI, CPR, entre outros. Ativos de crédito não apresentam muita volatilidade (um CDB, por exemplo, não traz volatilidade à carteira). Porém, se a instituição emissora apresentar algum tipo de problema, as conseqüências serão sérias. Dificilmente um banco ou empresa que emite um título de crédito e tem problemas dá o calote em partes, e sim em tudo. Por isso, escolher bem a instituição e a diversificação podem minimizar esses riscos. Ganhos muito atraentes significam riscos elevados. Também não significa que todos os títulos de crédito com alta rentabilidade causarão problemas.

Uma outra classe de investimento que agrega valor à carteira são os fundos multimercados. Para investir nesses fundos, assim como em qualquer outro investimento, é necessário um profundo conhecimento das características do produto e do gestor. Alguns desses gestores são muito ativos nas trocas de posições. Outros não e mantém investimentos de longo prazo. Uns só compram ações de grande liquidez. Já outros só compram papéis "small caps" (ações com baixa liquidez). Alguns são alavancados. Outros não operam ações... Dificilmente o investidor terá tempo ou disposição para conhecer as minúcias das carteiras dos fundos. Por isso, conhecer a qualidade dos gestores e da instituição, conhecer o histórico e o conceito do produto é fundamental para buscar retornos superiores ao CDI e não ter surpresas no meio do caminho.

As oportunidades estarão sempre presentes, tanto nos momentos de grande euforia quanto nas crises. Ter informações de qualidade e uma boa assessoria fará a toda diferença. Investimento consciente é a melhor forma de investimento.

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