Fed pisca e abre flanco à volatilidade
Luiz Sérgio Guimarães
11/05/2006
O Federal Reserve (Fed) deu razão ontem às críticas segundo as quais não sabe direito para onde conduzir os juros americanos. A nota emitida para informar a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) de elevar a taxa básica de 4,75% para 5% - a 16ª alta em quase dois anos de aperto ininterrupto -, não tirou o Fed de cima do muro. Embora a frase "mais aperto monetário pode ainda ser necessário para lidar com os riscos inflacionários", possa sugerir a intenção de elevar o juro para 5,25% na próxima reunião do Fomc, dia 29 de junho, a "extensão" e o "timing" desse movimento estarão condicionados ao comportamento dos indicadores que surgirem até lá. Ou seja, pode não ocorrer o aumento e a alta de ontem ter sido a última. Ninguém sabe, nem o Fed. A hesitação paralisou os mercados. Mas ela é passageira. Irão operar doravante em cima dos indicadores do momento. Haja volatilidade.
Mercado quer mais pistas para o CopomO dólar abriu ontem em baixa pressionado ainda por forte fluxo de entrada. Passou a subir depois que a primeira leitura do comunicado do Fomc sugeriu mais arrocho. Digerida a nota, fechou em estabilidade de R$ 2,0610. O BC comprou cerca de US$ 350 milhões em leilão realizado às 15h39. O fluxo financeiro passará a depender da interpretação que o mercado internacional der para a influência que cada indicador americano puder exercer sobre o ânimo monetário do Fed. O comunicado do Fomc, acredita o economista-chefe da GRC Visão, Jason Vieira, "aumenta de maneira ímpar a leitura de dados da economia americana até a próxima reunião".
As taxas dos treasuries de 10 anos chegaram a subir a 5,14% logo após a reunião, mas fecharam estáveis a 5,12%. Um entendimento corrente ontem foi de que se o Fed usou a expressão "aperto monetário" é porque elevações adicionais da taxa só serão feitas se dados sobre atividade, emprego e inflação sinalizarem piora acentuada. Se o Fed considera que a política monetária já está em fase de "aperto" é porque a taxa de equilíbrio foi ultrapassada. Isso reduz a margem para novos aumentos.
O mercado monetário sofreu discretas oscilações. O comunicado do Fed não ajudou muito no encontro de um consenso para a próxima reunião do Copom, dia 31. O contrato mais curto, para a virada do mês, ficou estável em 15,69%. A taxa para julho recuou 0,01 ponto, para 15,36%, como reflexo do ótimo IPCA de abril. O índice foi de 0,21%, ante 0,43% em março. Mas o CDI previsto para a virada do ano permaneceu imutável em 14,75%. A análise segundo a qual com a expressão "maior parcimônia", inscrita em sua última ata, o Copom não quis sinalizar uma diminuição do ritmo de corte da Selic, de 0,75 ponto para 0,50 ponto, ainda não se disseminou pelo pregão de DI futuro da BM&F. Está ainda restrita a alguns departamentos econômicos de bancos.


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