Estratégias Vencedoras
Por Luciana Monteiro
10/05/2006
Os bons ventos do mercado acionário brasileiro e a valorização do real frente ao dólar têm trazido ganhos para os fundos multimercados este ano. Mas algumas estratégias permitiram a certos fundos aproveitar melhor o ambiente favorável e ganhar do CDI de goleada. No primeiro quadrimestre do ano, as carteiras com estratégia macro são as que registram maiores rentabilidades da categoria. Segundo dados da Arsenal BPW Investimentos, escritório de aconselhamento financeiro, o índice composto por fundos mistos com gestão macro e que estão abertos para captação apresenta no período ganho médio de 8,42%, frente um CDI de 5,16%.
A análise das estratégias é importante para quebrar a visão de alguns investidores de que fundo multimercado é tudo igual. Embora estejam sob uma mesma categoria, os gestores adotam estilos diferenciados e isso pode fazer toda a diferença na hora da aplicação. Os fundos classificados como macro, por exemplo, são os mais comuns e adotam posições direcionais - que acreditam numa tendência do mercado, e miram resultados mais de longo prazo. Eles costumam ir bem quando há uma tendência definida, de alta ou baixa. No ano, os principais ganhos dessas carteiras vieram da bolsa e da queda do dólar, diz Gustavo Teixeira Coelho, responsável pela área de alocação da Arsenal.
Os retornos com a baixa do dólar, principalmente quando o Banco Central desacelerou os leilões de "swap" reverso, foram responsáveis pela alta no quadrimestre de 8,55% do Mellon Hedge e de 6,67% do Mellon Target. A estratégia substituiu os ganhos antes obtidos com os juros. "Os movimentos da política monetária têm sido bem previsíveis, fazendo com que as margens de ganhos com juros estejam bem menores", diz Delano Franco, diretor da Mellon Global Investments Brasil. Além disso, títulos atrelados à inflação também trouxeram boa rentabilidade.
Outro exemplo de bom desempenho é o Ático Hedge, que aposta na diversificação de estratégias para obter retornos diferenciados. A carteira, que encerrou os quatro primeiros meses do ano com retorno de 9,28%, utiliza operações de arbitragem - cerca de 10% da carteira - em diversos mercados, diz Ricardo Junqueira, da Ático Asset Management.
Mas os gestores terão de buscar estratégias diferenciadas, já que a economia brasileira caminha para uma maior estabilidade nos próximo anos, avalia Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management. "As carteiras macro terão de olhar mais a bolsa e os mercados internacionais para obter retornos maiores". Junto com a desvalorização do dólar, o fundo Modal Eagle, que encerrou o primeiro quadrimestre com 13,47%, ganhou também com ações de telefonia e com arbitragem entre ações.
Foi uma sólida visão macro - marca registrada que o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros imprime na Quest Investimentos - que permitiu aos fundos da casa aproveitar os movimentos do dólar, dos juros e da dívida externa nos últimos seis meses e consolidar uma rentabilidade acima da média, explica Marcelo Villela de Araújo, responsável pelos fundos da casa. "Em janeiro, por exemplo, percebemos que o BC teria de parar de comprar dólares, aceitar uma valorização do real e reduzir mais os juros". O fundo Quest 30 acumula até abril ganho de 14,58% e o Quest 1, sem carência, 9,97%.
A arbitragem com ações - compra de um papel e venda de outro de modo a ganhar com a diferença - também tem dado alegria a investidores e gestores. Se no ano a estratégia macro é a vencedora, em abril foram os "equity hedge" que roubaram a cena. O indicador composto por fundos com esse estilo de gestão apresentou ganho médio de 6,94% no quadrimestre e de 1,77% em abril. A categoria é formada por multimercados e por alguns fundos de ações que ganham com arbitragem utilizando ações e seus derivativos como principal estratégia. São os chamados fundos long/short de ações.
Um dos fundos que adotam esse tipo de gestão "equity hedge" é o Nest Mile High FIM, que registra 16,58% de retorno no quadrimestre. Segundo Luciano Tavares, sócio e gestor da Nest Investimentos, a carteira obteve boa parte dos ganhos apostando na alta das ações de empresas dos setores de consumo e construção civil e na baixa dos papéis de telefonia fixa e celular. "Permanecemos otimistas com o setor de consumo", afirma o gestor que se mantém pessimista com as empresas de telefonia.
Ações de telefonia fixa, de mineração e de aviação contra papéis do setor de alimentos e varejo trouxeram bons ganhos também para o Modal Arbitragem Phoenix, que encerrou o quadrimestre com 13,91%. "Diante do problema com a gripe aviária, resolvemos ficar vendidos (apostando na queda) em alimentos", diz Póvoa, do Modal. Ele diz que prefere adotar estratégias intra ou intersetoriais. Operações entre ações ON e PNs dão resultados, mas fazem com que o gestor perca muito tempo e nem sempre os ganhos obtidos são diferenciados, conta Póvoa.
Conhecer o estilo de gestão é importante para que o investidor aplique numa carteira que esteja adequada ao seu perfil de risco e necessidade de liquidez, diz José Tovar, sócio da ARX Capital. O Long Short 30 da gestora, que rendeu 9,54% nos quatro primeiros meses do ano, procura comprar uma cesta de cerca de 60 ações e vende o Ibovespa futuro. Setores como consumo, bancos e mineração estão entre os preferidos. (Colaborou Angelo Pavini)


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