Crise Bolívia: veja prováveis impactos sobre Petrobras, Braskem, Ultrapar e Comgás
Por: Marcello de Almeida
02/05/06 - 15h40
InfoMoney
SÃO PAULO - Apesar das incertezas trazidas pela decisão de Evo Morales, presidente da Bolívia, de nacionalizar a exploração de todos os projetos de petróleo e gás em seu país, as ações da Petrobras, que registram bom giro financeiro, operam em alta nesta terça-feira na Bovespa.
Segundo analistas, essa notícia é negativa para as operações da Petrobras, uma vez que levanta dúvidas sobre como serão remunerados os investimentos realizados pela estatal naquele país. Com a nova legislação, o governo boliviano passa a deter 82% das receitas de todos os empreendimentos no país e as empresas operadoras ficam com 18%.
Estima-se, no entanto, que o impacto desta media sobras às contas da Petrobras será limitado, pois suas operações na Bolívia são pouco representativas em relação ao seu tamanho.
Importância da Petrobras para a Bolívia
Desde 1996, a Petrobras investiu na Bolívia cerca de US$ 1,5 bilhão, além de mais US$ 2,0 bilhões na infra-estrutura necessária para trazer o gás boliviano até aos consumidores brasileiros. Mesmo somando uma cifra expressiva, esses valores representam menos de 2,0% do valor da empresa.
Os analistas lembram ainda que a Petrobras é uma das mais importantes petrolíferas em operação na Bolívia, o que sugere que algum acordo mais favorável às suas operações pode ainda ser negociado. O governo brasileiro declarou que vai conversar com o presidente da Bolívia e outros presidentes sul-americanos para definir qual será a estratégia a ser adotada.
Vendas de gás para o Brasil
A Petrobras atualmente opera 46% das reservas de gás natural e produz toda a gasolina e óleo diesel consumido pelos bolivianos. A empresa é responsável por 20% dos investimentos diretos no país e por 18% do Produto Interno Bruto (PIB) boliviano.
Neste contexto, comenta-se que não seria interessante para a Bolívia acabar com suas parcerias com a Petrobras e reduzir as vendas de gás para o Brasil, que se apresenta como um dos seus principais consumidores.
Impactos para Comgás, Ultrapar e Braskem
Já para outras empresas brasileiras com negócios na Bolívia, os analistas da Fator Corretora acreditam que os impactos da decisão de Evo Morales será sentido de uma forma mais relevante.
Dentre as mais prejudicadas, estaria a Comgás, cujas ações recuam mais de 4,0% na Bovespa. Em função da forte dependência do gás natural proveniente da Bolívia, problemas no abastecimento poderiam reduzir os volumes de venda da empresa e ainda elevar o preço do gás negociado, em mais um movimento que pode prejudicar a demanda pelo produto.
Outra empresa prejudicada é a Braskem que tem plano de investimentos na Bolívia. Por outro lado, a Ultrapar, que vende GLP, substituto do gás natural, tende a ser beneficiada. Os analistas da Fator Corretora estão revisando as suas projeções para a Comgás e recomendam a manutenção das ações da Braskem e Utrapar. Para os papéis da Petrobras, a recomendação é de compra.


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