Quarta-feira, Maio 10, 2006

Concorrentes tentam barrar venda da Prada à CSN

Natalia Gómez
10/05/2006

As fabricantes de latas de aço contrataram o escritório de advocacia Demarest & Almeida para tentar impor restrições à compra da Prada pela CSN, anunciada no mês passado. O maior receio das companhias é que a CSN beneficie a empresa com informações estratégicas que possui deste mercado ou com sua política de preços. A siderúrgica é a única fornecedora nacional das folhas de flandres, material usado na fabricação de latas. Hoje, a Prada é a maior fabricante independente deste mercado, com uma participação de 19,9%. "A aquisição deixará o setor mais vulnerável", diz o presidente do sindicato do setor, o Siemesp, Antônio Carlos Teixeira.

O principal objetivo das empresas é impedir a aprovação da aquisição pelo Cade. "Teremos uma posição ativa para mostrar aos conselheiros do Cade o risco que a compra traz à livre concorrência", afirma o advogado Ricardo Inglês de Souza, do Demarest. Caso a compra seja aprovada, o setor espera conseguir impor algumas restrições ao negócio, como por exemplo, exigir que a CSN apresente relatórios periódicos para o Cade sobre os preços praticados por ela no mercado. As empresas não descartam a possibilidade de ir para a justiça comum contra a aquisição.

De acordo com o advogado, o histórico da CSN deve pesar contra ela. "A siderúrgica tem um histórico complicado no Cade, como a condenação pelo cartel do aço, em 1999". Outro ponto negativo, segundo Souza, é o processo administrativo instaurado contra a siderúrgica no último dia 24 de fevereiro pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) para investigar um "abuso de posição monopolista" da siderúrgica neste mercado.

Um dos argumentos usados pelo setor contra a aquisição é a nova política de descontos estipulada pela siderúrgica em fevereiro. A política determina que as empresas com consumo superior a 4,5 mil toneladas de aço têm descontos de 10%. Nesta faixa se encaixam apenas a Nestlé, que fabrica suas próprias latas, a CBL e a própria Prada. As demais faixas, de 2,5% e 5%, são concedidas para volumes superiores a 500 e 1500 toneladas, respectivamente. Procurada pelo Valor, a CSN não quis se pronunciar.

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