Terça-feira, Maio 02, 2006

Começa amanhã prazo para reserva de Lupatech

Adriana Cotias do ValorOnline
02/05/2006

Começa amanhã e vai até o dia 10 o prazo de reserva para a oferta pública de ações da fabricante de válvulas industriais e de ligas metálicas Lupatech. A empresa, com sede em Caxias do Sul, pretende fazer uma venda mínima de 16,264 milhões de ações ordinárias (com direito a voto), numa operação que deve movimentar cerca de R$ 350 milhões, considerando-se o intervalo de preços, entre R$ 17 e R$ 22, sugerido pelos coordenadores Merrill Lynch e Pactual. Os papéis serão vendidos no Brasil e no exterior.

A Lupatech fará a sua estréia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no dia 15, já no Novo Mercado, segmento dedicado a empresas que se comprometem com regras rígidas de transparência e que estende, por exemplo, o "tag along" - prêmio de controle no caso de venda - aos acionistas minoritários. Conforme determinam as regras do Novo Mercado, 10% da oferta serão destinados ao varejo, a pessoas físicas e jurídicas não-financeiras que podem encomendar lotes entre R$ 3 mil e R$ 300 mil. Se houver excesso de demanda, a garantia de colocação mínima é de R$ 5 mil por cadastro e acima disso haverá rateio.

Da oferta total, apenas cerca de R$ 100 milhões vão para o caixa da companhia, que pretende usar os recursos para fazer aquisições estratégica, financiando, por exemplo, a compra, em processo de negociação, da Itasa, que também desenvolve atividades de fundição. A parcela restante, resultante da venda de ações já existentes, vai para os acionistas que estão reduzindo a sua participação no negócio, como a Natexis International e Lupapar (ligadas a fundos de private equity administrados pelo Axxon Group), além da GP Tecnologia (da GP Administradora de Recursos) e do BNDESPar, o braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

Entre os riscos citados no prospecto da operação está o fato de o fornecimento de válvulas para a Petrobras concentrar 41,5% da receita bruta total da Lupatech, em contratos que dependem de licitação. Até aqui, a empresa tem se beneficiado do incentivo do governo federal para que o suprimento nas áreas de petróleo e gás tenha uma parcela de fornecedores nacionais. Se essa política for alterada, nada garante a manutenção de percentuais mínimos para a fabricante local.

Já o setor automotivo, que tem alto poder de barganha com seus fornecedores dada a concentração em poucas montadoras, representa 20,4% da receita bruta total da Lupatech. Além disso, o segmento exige a aplicação intensiva de tecnologia e de capital em projetos cuja maturação se dá em prazos extensos. A valorização da taxa de câmbio brasileira também é mencionada como fator adverso, já que 10,5% do faturamento bruto consolidado tem origem em exportações, parcela que pode ser incrementada com a estratégia de conquistar novos mercados no exterior.

Considerando-se a venda planejada de 5,422 milhões de papéis novos, na média do intervalo indicativo, a R$ 19,50, o valor patrimonial das ações já existentes subirá de R$ 2,13 para R$ 4,16, com uma diluição imediata de R$ 15,34 (ou 78,7%) para os novos investidores.

Em 31 de dezembro, o endividamento total da Lupatech era de R$ 38,4 milhões, sendo R$ 23,5 milhões (ou 61%) de curto prazo. O Ebtida, a geração de caixa operacional, situava-se em R$ 36,4 milhões.

A operação ainda poderá ser elevada em 20% para atender eventual demanda de investidores institucionais, como seguradoras e fundos de pensão.

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