Terça-feira, Maio 09, 2006

Abertas as inscrições para exames de consultores financeiros

Valor Online
Angelo Pavini
08/05/2006

Um passo importante para melhorar a orientação aos investidores está sendo dado neste mês, com a abertura de inscrições para os exames de certificação de consultores e planejadores financeiros. O exame está sendo organizado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF) em parceria com a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), que passam a oferecer no Brasil a certificação internacional CFP - Certified Financial Planner - do Financial Planning Standards Board (FPSB).

Trata-se de uma das mais importantes certificações do segmento no mundo, que busca preparar consultores para ajudar investidores a não só administrar seu dinheiro, mas a fazer um planejamento de longo prazo, abrangendo áreas como previdência, seguros, questões tributárias e de sucessão. As inscrições vão até dia 25 de maio e a prova será no dia 11 de junho.

Esta é a segunda prova do CFP no Brasil. A primeira, em 2001, aprovou 15 profissionais. Outros 40 receberam o certificado por organizarem a prova. Neste ano, o exame foi retomado, graças ao apoio da Anbid, que passou a participar ativamente do IBCPF. "O mercado brasileiro está evoluindo, com novas opções de investimento e complexas estruturas tributárias e jurídicas, e isso tudo exige um profissional mais qualificado para orientar o cliente", diz Luiz Eduardo Maia, presidente da Comissão de Certificação da Anbid e que assumiu também a presidencia do IBCPF.

Nascido nos EUA, onde existem cerca de 50 mil certificados, o CFP se espalhou pelo mundo, atingindo 45 mil associados em 22 países, organizados pela FPSB. O exame consiste em quatro provas, uma sobre investimentos e gestão de risco, outra sobre previdência complementar e seguros, uma terceira sobre planejamento sucessório e fiscal e a última sobre planejamento financeiro e ética. Quem quiser poderá prestar apenas as duas primeiras provas e deixar as outras duas para os exames previstos para dezembro. Os certificados de CFP precisam ser renovados a cada dois anos. Para fazer a prova, o profissional tem de comprovar três anos de experiência na área.

A Anbid estima que pelo menos 600 profissionais que hoje trabalham em private banks são candidatos potenciais a tentar o CFP. A esse número, podem ser acrescidos todos os agentes autônomos, gestores independentes e gerentes de segmentos de varejo de alta renda dos bancos. Para este primeiro exame, a previsão é de que de cem a 200 pessoas façam as provas, a maioria dos private banks dos grandes bancos.

Em alguns países, a função de planejador financeiro é uma profissão, diz o executivo. "No Japão, por exemplo, a figura do consultor financeiro se firmou e há 12 mil CFPs trabalhando no país, que tem uma alta taxa de poupança". "Estamos dando os primeiros passos para consolidar a assessoria financeira no Brasil", diz.

Maia destaca o código de ética do CFP, que define por exemplo as relações entre o investidor e o consultor. "Ele precisa deixar claro como será remunerado e, nos casos em que recebe algo do fundo ou da empresa de previdência ou seguro que indica, precisa explicar isso ao investidor para ver se ele aprova ou não", afirma Maia. O desafio é não vender produtos de investimento de uma instituição apenas, mas oferecer o que é melhor para o cliente. Uma situação bem diferente da atual, onde o gerente do banco acaba atuando mais como vendedor.

Maia diz que os bancos continuarão vendendo produtos, mas terão de adaptá-los às necessidades dos clientes. "Em compensação, surgirão outros canais de vendas, como ocorreu já com o setor de seguros com a figura do corretor", diz o executivo. O crescimento da arquitetura aberta, onde o banco oferece produtos de várias empresas, e que já é comum nos private banks, favorece essa melhor assessoria ao investidor. "Hoje a arquitetura aberta já está chegando ao varejo de alta renda", diz.

Uma das maiores dificuldades do investidor brasileiro é encontrar orientação isenta. Na maioria das vezes, a informação sobre o que fazer com o dinheiro é obtida com as mesmas pessoas que vendem produtos financeiros - gerentes de agências ou funcionários - que, se não têm conflitos de interesses, nem sempre possuem o preparo ou a visão geral para dar a melhor indicação.

Uma alternativa seria ampliar a figura do consultor financeiro, que em outros países é contratado pelo investidor para orientá-lo e defender seu interesse de forma independente. No Brasil, porém, falta ainda uma qualificação definida, já que não há cursos específicos no país e esse trabalho acaba sendo feito informalmente por agentes autônomos e private banks.

A próxima reunião do FPSB será em Paris e, em dezembro de 2007, no Brasil. A China, que foi aceita como filiada este ano, espera ter, em três anos, 11 mil filiados, afirma Maia.

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