Terça-feira, Abril 25, 2006

Presidente da BR Distribuidora deixa cargo e pode beneficiar Varig

CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

O presidente da BR Distribuidora, Rodolfo Landim, deixou o cargo, segundo a assessoria de imprensa da própria empresa. Seus assessores ainda não explicaram, entretanto, os motivos que levaram o executivo a se afastar.

A decisão pode ser benéfica para a Varig, que negocia com a BR Distribuidora um período de carência para o pagamento dos combustíveis fornecidos para a companhia aérea.

O presidente da BR já havia afirmado que não poderia conceder prazo à Varig porque a empresa aérea não tinha garantias a oferecer. Antes, a Varig oferecia recebíveis de compras de passagens com cartão de crédito para ter prazo para o pagamento, mas já não teria mais condições de fazer operações semelhantes.

O advogado da BR Distribuidora, Márcio Couto, também sinalizou que o pedido não seria atendido e que o último contrato fechado entre as companhias venceu no final do ano passado. Desde então, a Varig tem pago na véspera o valor necessário para abastecer os aviões no dia seguinte.
Com um novo presidente, entretanto, a empresa estatal de fornecimento de combustíveis poderá rever sua posição.

O governo trabalha para que seja alcançada uma solução de mercado para a Varig. A proposta em análise nesse momento foi apresentada pela Volo, empresa constituída pelo fundo de investimentos americano Matlin Patterson.

A Volo quer pagar US$ 400 milhões pela parte boa da Varig que exclui suas dívidas estimadas em R$ 7 bilhões.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na semana passada, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pressiona a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) a não colocar obstáculos a essa operação.

Ainda segundo a Folha, a ministra criticou a diretoria da agência pela suspensão da compra da VarigLog pela Volo.

A interferência da ministra foi criticada pelo Snea (o sindicato das empresas aéreas), que afirma que a Volo é controlada pelo fundo americano e que os brasileiros que fazem parte de seu controle são "laranjas" pela legislação, estrangeiros só podem ter 20% de uma empresa aérea nacional. A Volo nega.

Já a Anac também negou que tenha sido pressionada por Dilma, mas um dia após anunciar a suspensão do negócio que envolvia a VarigLog, voltou atrás e afirmou que ainda pode aprovar a operação.

A proposta da Volo pela Varig, no entanto, enfrenta resistência por parte dos credores que ficariam com apenas 5% da nova Varig e dos trabalhadores que temem demissões em massa com a troca de controle.

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