Demanda maior eleva as projeções do PIB para 4%
Sergio Lamucci
25/04/2006
Um número maior de analistas econômicos já projeta o crescimento da economia brasileira em 4% para este ano. A revisão das projeções é motivada pelos resultados da indústria no primeiro trimestre e pelas perspectivas positivas para a demanda interna. A inflação em queda, que abre espaço para manutenção da trajetória de queda da taxa básica de juros, a recuperação de 5% da massa salarial e mesmo a polêmica elevação dos gastos públicos devem dar um fôlego expressivo à demanda interna.
O diferencial de 2006 em termos de atividade será o comportamento do mercado doméstico. O professor Caio Prates, do grupo de conjuntura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acabou de revisar sua previsão de crescimento de 3,8% para 4%, amparado na expectativa favorável para o consumo.
O economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, explica que há uma "combinação importante e incomum" hoje no país: todos os componentes da demanda doméstica (consumo das famílias, do governo, investimento e variação de estoques) vão estimular a atividade, ao mesmo tempo em que não há restrições de oferta. "O ano de 2006 combina choques de oferta e de demanda positivos, o que significa crescimento sem inflação", resume Montero, que também aposta em um avanço de 4% do PIB.
O investimento é outro elemento positivo. No primeiro bimestre, a produção de insumos para a construção civil cresceu 7% em relação ao mesmo período do ano passado e o consumo aparente de bens de capital aumentou 16,8% na mesma comparação.


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