PROVÉRBIOS PORTUGUESES E BRASILEIROS
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S2
Se sou tolo, metam-me o dedo na boca.
Se soubesse a mulher a virtude da arruda, buscá-la-ia de noite à lua.
Se te agrada a fazenda, meio vendida está.
Se te agrada, a mim não me desagrada.
Se te dá o pobre, é para que mais te tome.
Se te derem um leitão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão.
Se te fizeres de mel, comer-te-ão as abelhas.
Se te fizeres mel, comer-te-ão as moscas.
Se te vires perdido, apega-te ao trigo.
Se tem preguiça o lavrador, comem-lhe os ratos o melhor.
Se tem que ser, seja.
Se tens físico teu amigo, manda-o a casa de teu inimigo.
Se tens médico teu amigo, manda-o a casa de teu inimigo.
Se tens sardinhas, não andes à cata de peru.
Se tens siso, casa com mulher de juízo.
Se teu filho adentar, todos os santos tens de adorar.
Se teu filho adentar, todos os santos tens que adorar.
Se teu segredo confias a uma mulher, em breve será público.
Se tiveres subido, não te desejes ver caído.
Se todo o mundo fosse justo, seria inútil a coragem.
Se todo o mundo gostasse doverde, o que seria do amarelo?
Se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo?
Se trabalho desse resultado, jumento tinha cascos de ouro.
Se trabalho enricasse, jumento andava de relógio de ouro.
Se tu és juiz, examina; se és tirano, ordena.
Se tu te guardares, eu te guardarei.
Se um burro te zurrar, não lhe zurres.
Se um cego guia o cedo, correm ambos o risco de cair.
Se um cego guia o outro, ambos caem no buraco.
Se um diz "mata!", o outro diz "esfola!".
Se um não quer, dois não brigam.
Se um não quer, outro não roga.
Se uma mato, faltam-me três para quatro.
Se uma porta a mim se fecha, duzentas a mim se abrem.
Se uma vez perco a vergonha, vezo ponho que não tolhas.
Se veio o asno, veio a albarda.
Se vires a cobra e o canarim, mata o canarim.
Se vires as barbas do vizinho a arder, põe as tuas de molho.
Se vires as barbas do vizinho a arder, põe-te a mexer.
Se vires tropa, trota.
Se vontade fosse jeito, pobreza tinha fim.
Sede de caçador e fome de pescador.
Sede laboriosos e econômicos e sereis livres.
Sede melhores e sereis mais felizes.
Sede não tem quem água não bebe.
Sede prudentes e reservados, mas não misteriosos.
Sega a sua aveia quem ganhar deseja.
Segredo contado é logo espalhado.
Segredo de dois, segredo de Deus; segredo de três, o diabo o fez.
Segredo de dois, segredo de Deus; segredo de três, segredo de todos.
Segredo de três não é segredo.
Segredo em boca de mulher é como manteiga em venta de cachorro.
Segredo em boca de mulher é manteiga em focinho de cão.
Segredo em boca de mulher é o mesmo que escrever em papel.
Segredo entre três? Só matando dois.
Segredo melhor guardado é o que a ninguém é revelado.
Segredos quereis saber, buscai-os no pesar e no prazer.
Segredos queres saber, busca-os no pesar e no prazer.
Segue a formiga, se queres viver sem fadiga.
Segue a formiga, viverás com fadiga.
Segue a linha, lá acharás o novelo raso, armado em boa base.
Segue a moda, ou abandona o mundo.
Segue a razão, posto que a uns agradas, a outros não.
Segue a razão, posto que a uns agrade, a outros não.
Segue os passos de tua cabra, e irás parar nos espinheiros.
Segue sempre o direito e deixa ladrar os cães.
Segue tu sempre a razão, embora a uns agrades e a outros não.
Seguir o bem parado.
Segundo a vida é a morte.
Segundo o natural do teu filho, assim lhe dá o conselho.
Segundo o santo, o incenso.
Segundo prato nunca é tão bom como o primeiro.
Seguro morreu de velho.
Seguro morreu de velho, desconfiado ainda vive.
Seguro morreu de velho, e dona prudência foi ao seu enterro.
Seguro morreu de velho, prevenido ainda está vivo.
Sei por Andrés e por outros três.
Seis horas de colmo são uma de sono.
Seja eu meirinho e seja-o de um moinho.
Seja feliz: dê uma topada e quebre o nariz!
Seja lá que santo for, ora pro nobis!
Seja Maria bem casada e outra haja má fada.
Seja marido e seja grão de milho.
Seja meu inimigo e venha moer ao meu moinho.
Seja o marido cão e tenha pão.
Seja o que Deus quiser.
Seja russo o cavalo e seja qualquer.
Seja tua a figueira e esteja eu à beira.
Seja tua a figueira e more eu na beira.
Sejamos unidos e seremos fortes.
Sem amor, a ciência é vã.
Sem amor não se vive.
Sem borracha não botes caminho e, quando fores, não a leves sem vinho.
Sem Ceres e Baco o amor é fraco.
Sem comer e beber não há prazer.
Sem comer e sem beber não há prazer.
Sem comer não há prazer.
Sem Deus, nem até a porta, e com Deus, através dos mares.
Sem dinheiro de contado não há soldado.
Sem dinheiro, nada feito.
Sem dinheiro, nada se alcança.
Sem dinheiro, nada se arranja.
Sem dinheiro, tudo é vão.
Sem dizer "água vai".
Sem dizer "tir-te" nem "guar-te".
Sem eira, nem beira.
Sem eira nem beira, nem ramo de figueira.
Sem espora e sem freio não há cavalo bom.
Sem farinha não se faz pão.
Sem gado lanar, pouco há de medrar.
Sem notícias, boas notícias.
Sem olhar direito, não se lavra direito.
Sem que se prove, nada se louve.
Sem razão se queixa do mar quem outra vez navega.
Sem receptador não haveria roubo.
Sem sã tenção, não se pode ter amigos.
Sem sal não há batizado.
Sem se partirem ovos, não se fazem omeletes.
Sem ser convidado, não vás a bodas e batizados.
Sem ser ladrão, não se é rico não.
Sem tempo, nada se faz.
Sem tom, nem som.
Sem trabalho, só a pobreza.
Sem vinho nem pão o amor é vão.
Semear com uma mão e colher com duas.
Semear mentiras para colher verdades.
Semeia cedo, colhe tardio, terás brio.
Semeia cedo e colhe tardio, colherás pão e vinho.
Semeia e cria, terás alegria.
Semeia e cria, viverás com alegria.
Sempre a galinha puxa para onde lhe estão os ovos.
Sempre a galinha puxa para onde lhe estão os pintos.
Sempre a tirar gota, também o tonel se esgota.
Sempre a verdade saiu vencedora.
Sempre alcança quem não cansa.
Sempre cheira a panela ao primeiro legume que se mete nela.
Sempre das cinzas de mal-premiados, ressuscitam as verdades.
Sempre deves de medir teus negócios pelos fins, para que melhor atines.
Sempre é mau ser zombador, e na barca ainda pior.
Sempre há tempo para tudo, sendo repartido.
Sempre o alheio suspira por seu dono.
Sempre o fogo faz gasalhado.
Sempre o medo nasceu da culpa.
Sempre o mesmo, para variar.
Sempre o rabo é mau de esfolar.
Sempre o rio soa, quando água leva.
Sempre por via irá direita quem do oportuno tempo se aproveita.
Sempre promete em dúvida, pois no dar ninguém te ajuda.
Sempre que Deus fecha uma porta, abre uma janela.
Sempre que teu pingo tope chão em que pasto não brote, não deves ir a galope; vai devagar, vai a trote.
Sempre quem reparte, toma a melhor parte.
Sempre sai caro o barato, sempre o tolo paga o pato.
Sempre, sempre, não, mas sempre, sempre é bom.
Sempre será teu inimigo o oficial do teu ofício.
Sempre tem majestade aquele que foi rei.
Sempre vêm males a Ílion.
Senão como queremos, passamos como podemos.
Sendeiro que só serve de ensacar tripas.
Senhor João da Cunha, obra feita, dinheiro à unha.
Senhora das Candeias, por si julga as alheias.
Senhores empobrecem, criados padecem.
Senhoria de Itália, dom de Espanha, não valem uma castanha.
Senta-te no teu lugar, não te farão levantar.
Senti as dores nove meses antes do parto.
Sentir arderem as orelhas.
Sentir-se leve como um passarinho.
Separa o trigo do joio, que melhor messe dará.
Ser a mão direita de alguém.
Ser a ovelha negra.
Ser a rainha da cocada preta.
Ser adulador é ser inimigo.
Ser apanhado com a boca na botija.
Ser apanhado com a mão no saco.
Ser bisonho no ofício.
Ser bom ou mau é gosto de cada um.
Ser bufão não é ser pimpão.
Ser carne e unha com alguém.
Ser casta, para boa não basta.
Ser cobra criada.
Ser corno e aperreado.
Ser mais papista que o papa.
Ser mais para o gado que para o paço.
Ser mais realista que o rei.
Ser o rei da cocada preta.
Ser pássaro de bico amarelo.
Ser rico com boca de pobre.
Ser rico é uma condição feliz, mas poucos ricos são felizes.
Ser rico não é nada, o que é muito é ser feliz.
Ser rico no pedir e pobre no dar.
Ser rico ou pobre depende mais do que se gasta que do que se ganha.
Ser roupa de franceses.
Ser senhor do seu nariz.
Ser um breve contra luxúria.
Ser um osso duro de roer.
Ser unha de fome.
Ser unha e carne com alguém.
Será o Benedito!
Serás bem-vindo, quando vieres sem comitiva.
Serás o que quiseres, se ousares o que puderes.
Serpa, serpente, boa terra e melhor gente.
Serpente peçonhenta e o mau, em um mesmo grau.
Serra queimada, terra alagada.
Serve a el-rei, ou a ninguém.
Serve a senhor nobre, ainda que pobre.
Serve ao nobre, inda que pobre, que tempo virá em que te pagará.
Serve ao senhor e saberás o que é dor.
Servem as más ervas para as abelhas fazerem mel em abundância.
Serviço de criança é pouco, porém quem o perde é louco.
Serviço de menino é pouco, mas quem o despreza é louco.
Serviço feito não manda ninguém.
Servir a Deus e ao diabo.
Servir ao carrasco de poleiro.
Servir de testa de ferro.
Sestro tomado, nunca mudado.
Seta despedida não volta ao arco.
Sete é conta de mentiroso.
Sete ofícios, quatorze desgraças.
Sete vezes peca o justo.
Seu João da Cunha, trabalho feito, dinheiro à unha.
Seus são os olhos, e meus sãos os doilos.
Silêncio também é resposta.
Sim e não duas coisas são.
Sim, sim, não, não.
Sinal de má besta suar atrás da orelha.
Sinal mortal, não desejar sarar.
Sinal na cara, mulher descarada.
Sinal na perna, mulher de taberna.
Sinal no braço, mulher de desembaraço.
Sinal no peito, mulher de respeito.
Sinal no pescoço, mulher de desgosto.
Sino pequeno berra muito.
Sinto mais e é-me mais precisa a pele que a camisa.
Sinto muito, mas chorar não posso.
Sirigaita de boa fama, não a toma o sol na cama.
Siso, acorda, que já é tempo.
Siso em prosperidade, amigo em necessidade, mulher rogada e casta, raramente se acha.
Siso em prosperidade, amigo na adversidade.
Só a experiência comprova.
Só a morte não tem jeito nem conserto.
Só a morte não tem remédio.
Só acontece o que Deus quer.
Só alcança quem não cansa.
Só aos pobres se faz justiça.
Só as grandes paixões produzem grandes ações.
Só caça de coração o dono do furão.
Só dá quem tem e quem quer bem.
Só de vento, não se toma alento.
Só Deus é poder.
Só Deus sabe do porvir.
Só Deus sabe o que está para vir.
Só dura a mentira, enquanto a verdade não chega.
Só erra quem trabalha.
Só lembra Santa Bárbara, quando troveja.
Só me aconselhei, só me chorei.
Só não bebe chumbo derretido, e assim mesmo porque não é gelado.
Só não chamou de santo.
Só não erra quem não trabalha.
Só não se acaba o que nunca se começa.
Só no céu há descanso.
Só no sábado à noite, Maria dá cá a roca.
Só o necessário deleita; o sobejo atormenta.
Só o pensamento não paga imposto.
Só o peru morre na véspera.
Só o que bota pobre para diante é topada.
Só o rio não torna atrás.
Só o tolo cai duas vezes no mesmo buraco.
Só para a morte não há remédio.
Só pode bem casar quem casa com seu igual.
Só quem a si se governa, pode governar os outros.
Só quem bem criou aos seis meses sentou.
Só quem criou, aos seis meses sentou.
Só sabe da doçura quem conhece a amargura.
Só se confia num amigo depois de comer com ele um quilo de sal.
Só se confia num amigo depois de comer com ele uma rasa de sal.
Só se conhece o bem pelas costas.
Só se lembra de Santa Bárbara quando há trovões.
Só se lembra de Santa Bárbara quando troveja.
Só se morre uma vez.
Só se morre uma vez, mas dessa ninguém escapa.
Só se sabe a felicidade depois que ela vai embora.
Só se sabe o que é saúde, quando se está doente.
Só se sabe quanto vale a água quando a fonte seca.
Só se sabe querer bem quem de si mesmo se sabe livrar.
Só se sente a falta d'água quando o pote está vazio.
Só se veja quem só se deseja.
Só sentimos o mal alheio quando o nosso bate à porta.
Só te lembra de Santa Bárbara quando troveja.
Só tolo pensa ensinar o padre-nosso ao vigário.
Só trabalha quem não sabe fazer mais nada.
Só uma porta a vida tem, enquanto a morte tem cem.
Só vale quem tem.
Só vão à forca os ladrões pequenos.
Só voga quem tem dinheiro.
Sobe devagar, chegarás sem cansar.
Sobeja é a mulher onde esteja, mas onde não está, falta fará.
Sobem tripeças, descem cadeiras.
Sobram culpas onde falta amor.
Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia.
Sobre comer, dormir; sobre cear, passear.
Sobre comer, dormir; sobre cear, passos dar.
Sobre dinheiro não há companheiro.
Sobre gostos não há disputas.
Sobre negrigura não há pintura.
Sobre negrura não há pintura.
Sobre negrura não há tintura.
Sobre queda, coice.
Sobre tolo, é confiado.
Sobre um ovo põe a galinha.
Sofra quem penas tem, que atrás de tempo, tempo vem.
Sofra quem penas tem, que trás tempo, tempo vem.
Sofra quem pesares tem, que atrás do tempo, tempo vem.
Sofre de medo quem tem medo de sofrer.
Sofre e sofrer-te-ão.
Sofre para saber e trabalha para ter.
Sofre para saber e trabalha por ter.
Sofre por saber e trabalha por ter.
Sofre teus males com paciência infinda, se não os queres aumentar ainda.
Sofre, viverás.
Sofrer para ser formosa.
Sofrer que nem pé de cego em porta de igreja.
Sofrer rasgadura por ter formosura.
Sofrerei filha gulosa e muito feia, mas não janeleira.
Sofrerei filha gulosa, feia e palreira, mas não janeleira.
Sofrimento por gosto, antes rir que chorar.
Sogra boa é maravilha, uma nora nunca é filha.
Sogra nem de açúcar é boa.
Sogra, nem de barro à porta.
Sogras e gumes de arado debaixo da terra medram.
Sogro e sogra, milho e feijão, só dá resultado debaixo do chão.
Sois feito às avessas.
Sois um desmancha-prazeres.
Sol de Deus, sombra do dono, fazem medrar a sementeira.
Sol de inverno, chuva de verão, amor de rameira e palavrinhas doces do meu capitão, a mim não me enganarão.
Sol de inverno, chuva de verão, choro de mulher, palavra de ladrão, ninguém caia, não.
Sol e boa terra fazem bom gado, que não pastor afamado.
Sol e chuva, casamento de viúva.
Sol e sal livram a gente de muito mal.
Sol na eira, chuva no nabal.
Sol posto, boi solto.
Sol posto, obreiro solto.
Sol que muito madruga pouco dura.
Solas e vinho andam caminho.
Soldado bom não gasta a munição toda de uma vez.
Soldado velho não se aperta.
Solteiro, pavão; noivo, leão.
Solteiro, pavão; noivo, leão; casado, jumento.
Soluço vai, soluço vem, soluço vai para quem me quer bem.
Sombra de pau não mata cobra.
Somos galegos e não nos entendemos.
Sonhar que cai um dente é morte de parente.
Sonhava o cego que via, sonhava o que queria.
Sonhos são quimeras.
Sonhos são sonhos.
Sopa de mel não se faz para boca de burro.
Sopa de mel não se fez para a boca do asno.
Sopa entornada, boca lavada.
Sopa fervida alarga a vida.
Sopas engolidas, moelas umedecidas.
Sopra o fogo quem tem frio.
Sossego de homem é mulher feia e cavalo capado.
Sou bainha de ouro e faca de chumbo.
Sou fraca formiga para tal empresa.
Sou só, como espargo no monte.
Soube da notícia por portas travessas.
Sovina no farelo e pródigo na farinha.
Sua alma, sua palma.
Suar atrás da orelha, sinal de má besta.
Suar como um burro.
Subir devagar e descer depressa.
Subiu a rã a pedrinha e diz que viu Calcutá.
Sucesso gera sucesso.
Suje-se gordo.
Suporta-se com paciência a cólica do próximo.
Surdo como uma porta.
Surra grande, mezinha é.
Suspeitas destroem a verdade.
Suspiro de rato não derruba queijo.
Sustenta um bezerro e terás um boi.
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