Que nojo!

Se você tem medo de barata, fuja de Tropas Estelares

As armas biológicas do ditador iraquiano Saddam Hussein são brincadeira de criança perto da meleca sideral regurgitada pelos insetos gigantes de Tropas Estelares (Starship Troopers, Estados Unidos, 1997), que estréia nesta sexta-feira em circuito nacional. Diversão sob medida para adolescentes, entomologistas e fanáticos por videogames escatológicos, o filme pode constranger o espectador de estômago mais sensível. Se na vida real as baratas, aranhas e besouros estão logo ali pá! , ao alcance de uma vassourada redentora, neste último filme do diretor holandês Paul Verhoeven a bicharada torna-se um inimigo intergaláctico imune a prosaicas soluções domésticas. São nada menos de 6 trilhões de feras do planeta Klendathu, de dimensões monumentais, armadas com patas, ferrões e glândulas venenosas prontos para erradicar os humanos do universo. Os insetos são as verdadeiras estrelas do filme, que custou 95 milhões de dólares. Relegados à condição de coadjuvantes, os terráqueos bípedes e racionais reservam seus mais valorosos jovens para a batalha contra os invasores.

Suntuoso na recriação de bichos e naves espaciais, Tropas Estelares esbanja violência. Em uma das seqüências mais delicadas, um borrachudo gigante suga o cérebro de um humano, como se tomasse um refrigerante de canudinho, espetando-lhe um avantajado ferrão no meio da testa. Perto de Homens de Preto, uma deliciosa sátira ao cinema de ficção científica, o novo filme de Verhoeven é uma atração menor. Seu roteiro é uma receita desequilibrada, com pitadas de comédia e uma overdose de histeria bélica. Os heróis humanos são o recruta bonitinho Johnny Rico vivido pelo ator de seriados da TV americana Casper Van Dien e a beldade Carmen Ibanez (Denise Richards, também atriz de TV). Eles parecem ser de plástico como os insetos, mas são bem menos expressivos. Além de bichos e soldados, Tropas Estelares apresenta uma terceira categoria de seres vivos. São os civis, gente de bem, inofensiva. Chatos como requer o molde pacifista, os civis preferem não ir para a guerra e, por isso, perdem seus direitos políticos. Num mundo desses, Saddam Hussein até que daria um bom candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

Angela Pimenta

http://www2.uol.com.br/veja/250298/p_076a.html

Hosted by www.Geocities.ws

1