Cria do inferno

Spawn é melhor na revista do que na tela

Spawn: bons efeitos especiais e roteiro fraco
Foto: Divulgação  

Segundo o velho chavão, a adaptação cinematográfica de um livro nunca é tão boa quanto o próprio livro. A julgar pelo filme Spawn, que estréia na sexta-feira 13, o mesmo vale para os quadrinhos. Criado em 1992, pelo desenhista Todd McFarlane, o personagem Spawn um ex-agente secreto que morre, faz um pacto com o demônio e volta à Terra como um ser dotado de poderes mágicos transformou-se rapidamente num dos maiores sucessos da história em quadrinhos em todos os tempos. Nos Estados Unidos, suas vendas superaram as de clássicos como Batman, Super-Homem e Homem Aranha. O apelo foi tão grande que vários dos principais quadrinistas da atualidade, como Frank Miller e Neil Gaiman, aceitaram fazer números especiais da revista. No Brasil, o gibi também deu certo: começou como publicação mensal e, a pedido dos fãs, virou quinzenal no fim de 1997. São vários os ingredientes responsáveis por essa fama. Primeiro, os excelentes desenhos. Depois, a inventividade de McFarlane, que fugiu dos clichês dos super-heróis, criando um universo que mistura anjos e seres infernais, a CIA e a Máfia, mendigos e cavaleiros medievais, humor, violência e aventura.

Usando várias dessas artimanhas, Spawn, o filme, é um bom divertimento. O problema é o roteiro, cheio de pontos obscuros. Por exemplo: uma complicadíssima trama militar envolvendo uma poderosa arma química se resolve num estalo de dedos, sem que se percebam direito as razões. Os fãs do gênero vão se sentir lesados. A direção também é pastosa e não tira nada dos atores. O único que merece destaque é John Leguizamo, representando o Clown, monstrengo que assume forma humana. Ele é responsável por todo o humor do filme, e por seus melhores momentos.

Mas a verdadeira estrela são os efeitos especiais. Embora a armadura de Spawn seja pesada demais, deixando o herói desengonçado, todo o resto funciona. Sua capa é plasticamente deslumbrante em todas as aparições. As metamorfoses são engenhosas. Responsável por nove entre dez delírios visuais do cinema americano, a Industrial Light and Magic, de George Lucas, assina os efeitos especiais do filme.

http://www2.uol.com.br/veja/110298/p_083a.html

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