Brad Pitt se esfalfa em Sete Anos no Tibet
Sete Anos no Tibet (Seven Years in Tibet, Estados Unidos, 1997), que estréia nesta semana em circuito nacional, é a versão romanceada das memórias do alpinista austríaco Heinrich Harrer. O Harrer da vida real, um sujeito amargo e ultracompetitivo, sem nenhum traço místico, seguiu para a Ásia Central com a missão de escalar o Monte Nanga Parbat e voltar para casa como herói da juventude hitlerista. Mas antes de chegar ao topo da montanha caiu prisioneiro dos ingleses, em solo indiano. Alguns anos depois, mendigando no Tibete, acabou se tornando protegido do então jovem dalai-lama. Encontrou, enfim, a paz que não procurava. A partir dessa história, o diretor francês Jean-Jacques Annaud realizou um filme vistoso, ornamentado por montanhas geladas e pelo exotismo dos mosteiros budistas. A paisagem natural beira o sublime, mas a humana é bem melhor, pelo menos de uma certa perspectiva feminina: o papel principal foi entregue a Brad Pitt, aqui em todo o esplendor de suas madeixas loiras, tórax atlético e faiscantes olhos azuis.
Para complementar esses dons naturais, Pitt, que não é propriamente um mestre das artes cênicas, suou o turbante. Além de subir penhascos sob ventanias glaciais, o ator enfrentou avalanches de neve e sofreu boas escoriações pelo corpo. Numa cena em que o alpinista está à beira da inanição e mata um iaque, aquele boizinho asiático, Brad Pitt foi obrigado a devorar nacos de uma fibrosa carne crua e sangrenta. Pior que isso só a abstinência sexual do personagem, que na tela ganha contornos um tanto inverossímeis levando-se em conta a estampa do Harrer de Hollywood. Ao longo do filme, o alpinista só experimenta fiascos amorosos — parece até carma. Nos bastidores das gravações, o astro teve de aturar uma turba de fãs argentinas que não lhe davam sossego.
Reprodução — Contando com uma produção caprichada, de 70 milhões de dólares, o ponto alto é a reprodução da beleza grandiloqüente das montanhas do Himalaia e de seus mosteiros budistas nos Andes argentinos. O governo chinês, que ocupa o Tibete desde a revolução maoísta, não só proibiu locações naquele território como pressionou a Índia a não sediar a produção. O jeito foi Annaud filmar no país de Maradona. Para tanto, construiu por aquelas paragens uma reprodução de Lhasa, cidade sagrada tibetana, e importou da Ásia Central uma manada de iaques. Com todas essas dificuldades, Annaud saiu-se bem na empreitada. Seu filme não é nenhuma obra-prima, mas é uma diversão honesta — seja você fã ou não de Brad Pitt.
Angela Pimenta
http://www2.uol.com.br/veja/130598/p_132a.html