Kevin Kline mostra que é um ótimo comediante
Quando ganhou o Oscar de melhor ator por
sua atuação no filme Filadélfia
no qual interpretou um advogado homossexual
,
Tom Hanks dedicou a estatueta a um professor gay que teve no colégio. O fato
chamou a atenção do produtor de cinema Scott Rudin, que ficou imaginando como
transformar o inusitado episódio num roteiro de filme. Foi assim que nasceu a
deliciosa comédia Será que Ele É? (In & Out, EUA,
1997), dirigida por Frank Oz, que estréia nesta sexta-feira. Coube ao
roteirista Paul Rudnick (que vem de outra comédia de sucesso, Jeffrey)
aproveitar a idéia e criar o enredo do longa-metragem. Em cena, Matt Dillon é
Cameron Drake, um jovem ator que ganha o Oscar e dedica o prêmio
em cadeia nacional de televisão
a seu professor Howard Brackett, vivido pelo versátil Kevin Kline. Ao falar que
seu professor era homossexual, Tom Hanks não cometeu nenhuma indiscrição.
Todos já sabiam da orientação sexual do sujeito. Em Será que Ele É?,
no entanto, o professor Howard Brackett, que mora numa cidadezinha onde falar
mal dos outros é o esporte mais praticado, não tem nada de assumido e está
prestes a se casar com Emily (Joan Cusack), de quem está noivo há três anos.
Entre boas gargalhadas, o espectador logo
percebe que Será que Ele É? é um excelente veículo para Kevin Kline
exercitar seu talento de comediante. Vale lembrar que ele ganhou um Oscar de
ator coadjuvante por sua interpretação no ótimo Um Peixe Chamado Wanda,
no qual seu personagem engolia peixes vivos de um aquário. Inicialmente
recatado, o tipo encarnado por Kline logo começa a desconfiar da própria
masculinidade. As caras e os trejeitos do ator estão na medida certa. Numa cena
divertidíssima, ele se tranca em casa e se submete a um teste de masculinidade.
No gravador, a voz na fita diz: "Homem que é homem não dança". É
quando começa a tocar a saracoteante I Will Survive, de Gloria Gaynor.
Kline mexe a cintura, sacode os ombros e, em poucos segundos, está rebolando
pela sala como se fosse Michael Jackson. A seqüência é sob medida para Kevin
Kline mostrar que é capaz de fazer rir com trejeitos corporais. O humor do
filme, cheio de diálogos cortantes, lembra as comédias de Frank Capra nos anos
50. Nos Estados Unidos, a fita rendeu mais de 60 milhões de dólares, o que é
uma bilheteria muito boa
e Kevin Kline e Joan Cusack foram indicados ao Globo de Ouro por suas atuações.
Apesar de alguns personagens por demais estereotipados
como o irmão abobalhado e os alunos imbecis
,
o filme garante uma hora e meia de risadas ininterruptas.
Marcelo Camacho
http://www2.uol.com.br/veja/210198/p_094a.html