Ronin é pura bobagem — e adrenalina na veia
Roteiro que faça sentido? Bons diálogos? Narrativa? Mensagem? Há muito tempo que esse tipo de coisa ficou obsoleto, pelo menos num gênero do cinema: o filme de ação. Ronin (EUA, 1998), que estréia nesta sexta-feira em circuito nacional, até que tenta oferecer algo mais do que perseguições, tiros e explosões. Tenta, mas não consegue. Escrito com a colaboração de David Mamet, um dos mais prestigiados dramaturgos de Hollywood (que nos créditos se esconde sob o pseudônimo de Richard Weisz), o roteiro começa com situações cercadas de mistério. O elenco, encabeçado por Robert De Niro, interpreta tipos enigmáticos, envolvidos numa missão que nem eles próprios entendem muito bem. Um texto de abertura sugere uma analogia com a lenda dos ronins, samurais que vagam pelo Japão atordoados pela morte de seus senhores. Ainda bem que essa besteirada toda não ganha fôlego e o filme se segura mesmo com as perseguições, tiros e explosões. Dirigida por um veterano no ramo, John Frankenheimer, a fita tem seqüências espetaculares que mantêm o ritmo de constante tensão.
Os melhores momentos seguem a velha fórmula das perseguições automobilísticas em alta velocidade. Como em Operação França II, um de seus sucessos dos anos 70, Frankenheimer tira proveito das belas locações em cidades francesas. Há passagens de tirar o fôlego rodadas em ruazinhas estreitas de Nice e em sinuosas estradas do sul do país. Uma outra seqüência, em que dois carros disparam na contramão por um movimentado túnel de Paris, dá a impressão ao espectador de que acompanha uma partida de videogame. O filme está claramente dividido em duas partes. Na primeira, os personagens e a trama são apresentados em cenas com mais diálogos do que ação, interrompidas por um único tiroteio que anuncia o que vem a seguir. Lá pelo meio da história, o diretor deixa de lado a preocupação de explicar o que acontece na tela para concentrar-se no show visual. Embora exibam um desempenho seguro, os atores viram meros coadjuvantes. Nem De Niro consegue superar os carrões e armas superpotentes, verdadeiras estrelas da fita. Com suas imagens de grande impacto e um roteiro que é pura bobagem, Ronin é igualzinho a dezenas de outras produções do gênero — e justamente por isso funciona.
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