Feios e pelados

Desempregados perdem a roupas em Ou Tudo ou Nada

Por duas vezes, nos últimos anos, Hollywood tentou fazer filmes sobre strip-tease e fracassou rotundamente. Primeiro veio Showgirls, de Paul Verhoeven, que mostra uma caipira tentando ganhar a vida em Las Vegas. Depois foi Striptease, cuja principal atração era o corpo exuberante de Demi Moore e o filme acabou fracassando quando se soube que a atriz não tirava a roupa toda. Coube aos britânicos fazer o melhor e mais divertido filme sobre o assunto, com um toque de excentricidade. Em vez de mulheres estonteantes, os heróis são seis homens feios, sujos e desempregados. No lugar da obsessão americana por sexo, temos uma comédia que fala de auto-estima e dignidade. O título é Ou Tudo ou Nada (The Full Monty, Inglaterra, 1997), sucesso em 28 países.

A abertura de Ou Tudo ou Nada mostra um documentário dos anos 70 sobre a cidade de Sheffield, pólo siderúrgico inglês. Como nas velhas produções de Primo Carbonari, o locutor exalta as glórias do lugar. Mas é nos anos 90 que a história realmente começa, num cenário bem menos ufanista. A indústria local foi arrasada. Os trabalhadores estão na rua. Esse é o verdadeiro tema da história: o desemprego e o pandemônio que ele causa na vida das pessoas.

Clube das mulheres Depois de perder quase tudo, os personagens do filme, encabeçados por Robert Carlyle, decidem que podem muito bem perder as roupas. Agendam um show numa boate local e, para atrair público, anunciam que irão mostrar tudo. Antes desse espetáculo, porém, o filme terá muito tempo para misturar boas doses de comédia e outras de emoção. A combinação nem sempre dá certo no cinema, mas o diretor estreante Peter Cattaneo consegue equilibrar os ingredientes. Quando a apoteose chega, os personagens já conquistaram a simpatia do público.

Gravada em uma única tomada, diante de uma platéia real de mais de 300 mulheres, a cena foi, segundo Carlyle, "aterrorizante de fazer". Com justiça vem causando sensação. É divertida e nem um pouco ofensiva. Muito pelo contrário: em vez de se degradar, os seis heróis nus de Ou Tudo ou Nada reencontram ali a dignidade e dão um fecho otimista ao filme.

Carlos Graieb

http://www2.uol.com.br/veja/250298/p_075.html

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