Atores se esmeram no inferno da bandidagem
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Benício:
pobre sonho de grandeza |
| Foto: Divulgação |
Um filme cabeça daqueles que o cinema brasileiro se desacostumou de fazer, nestes novos tempos de caça ao público, Os Matadores (em exibição no Rio de Janeiro e em São Paulo) tem algo mais a oferecer: não é chato e, acima de tudo, tem a coragem que deveria ser a de todos os diretores estreantes, a de experimentar, nem que seja uma vez na vida. Quase não tem história para contar, mas casos para evocar nas conversas entre dois marginais de segunda, Alfredão (Wolney de Assis), um pistoleiro veterano, amargo e grosso, e Toninho (Murilo Benício), jovem puxador de carros do Rio. Sentados num cabaré na fronteira paraguaia, ao som de guarânias medonhas e doses de uísque que mais parecem xaropes, que tomam aos solavancos, eles contam bravatas, dizem inúmeros palavrões e vão deixando a vida passar, sem nenhum sorriso ou alento.
Beto Brant, diretor de curtas-metragens e videoclipes, criou um filme de climas tensos, quase exasperantes, no qual os atores são explorados ao máximo. Todos se saem muito bem e há pelo menos um momento de grande inspiração, quando o pobre coitado Toninho se tranca num banheiro imundo e ali saca o revólver encenando o ritual de um samurai que jamais será. Visto assim aos pedaços, como convém, o filme tem momentos acima da média e mostra uma cara que, mesmo feia, é diferente do trivial.
Geraldo Mayrink
http://www2.uol.com.br/veja/270897/p_115a.html