Uma comédia deliciosa sobre uma
adolescente
irritante —
como todas as outras
Perfumados, espertos e vestindo roupas de griffe, os adolescentes que aparecem em seriados de TV como Melrose e Barrados no Baile em nada se assemelham aos da vida real. Já no filme O Oposto do Sexo (The Opposite of Sex, Estados Unidos, 1998), que entra em cartaz nesta semana, a personagem principal é uma garota de 16 anos bem mais parecida com aquelas que a gente vê na saída de um show de rock: insegura, mal vestida, desbocada e craque no esporte predileto dos adolescentes, que é infernizar a vida dos outros. Vivida por Christina Ricci, que ficou conhecida por ter feito o papel de Vandinha nos filmes da série A Família Addams, essa garota-problema não se contenta em atormentar quem está a sua volta. Mentindo, roubando ou chantageando, ela provoca um terremoto por onde passa. Dedee, uma caricatura exagerada dos adolescentes da vida real, é parte do humor politicamente incorretíssimo que faz de O Oposto do Sexo mais que uma divertida comédia.
Muito do encanto do filme se deve justamente à atuação da jovem Christina Ricci. Seu desempenho no papel é tão bom que ela já está sendo saudada como uma das grandes revelações da temporada. A atriz, de 18 anos, demonstra uma segurança impressionante para quem nunca teve aulas de interpretação. Nada bonita e ostentando alguns quilos a mais, Christina forma no time dos comediantes que acreditam que a melhor risada é aquela provocada pelo excesso de drama. Nesse sentido, a personagem do filme, uma garota dada a ataques de rebeldia, cai sob medida para ela. No enterro do padrasto de Dedee, por exemplo, enquanto sua mãe despeja suavemente um punhado de terra sobre a cova, Dedee externa o ódio que sente pelo morto jogando contra o caixão aquilo que encontra pela frente, incluindo uma cadeira. Curiosamente, as transformações que Dedee provoca na vida alheia não são de todo ruins. Aos poucos, o espectador vai compreendendo que ela é uma espécie de mal necessário. Se não existisse, a vida das pessoas ao seu redor seria absolutamente monótona — e o filme também. O mesmo vale para a atriz em relação às adolescentes de Hollywood, quase sempre egressas de seriados da TV. Em meio a uma turma de meninas bonitinhas e insossas, a gorducha e desglamourizada Christina é uma ovelha negra da melhor estirpe.
Celso Masson
http://www2.uol.com.br/veja/041198/p_149a.html