Pavor no metrô

Diretor novato assusta com baratas assassinas

Mira Sorvino e o inseto:
bom para quem gosta
Divulgação  

A revista Newsweek diz que esse "é o melhor filme sobre baratas gigantes já feito em Hollywood mas também é o único". A piada define bem Mutação (Mimic, Estados Unidos, 1997), que estréia no Brasil, mas nem por isso se deve pensar que o filme é ruim. Mutação castiga os nervos e o estômago do espectador ao colocar em cena uma variação da série Alien, em que, ao invés de monstros imaginários do espaço, há seres reais que residem no metrô de Nova York apenas seu tamanho é fictício. Nesses subterrâneos onde circulam milhões de pessoas todos os dias, evolui uma nova espécie animal, a chamada "geração judas", formada por baratas tão grandes que conseguem voar carregando uma pessoa nas patas. Além de crescer como King Kong, tais vilões ainda imitam a aparência humana (daí o título original do filme, que quer dizer "imitador"). De pé e com as asas fechadas, essas monstruosidades parecem gente quando vistas a distância, no escuro.

Mesmo lembrando Alien, com seres bizarros, muita gosma e penumbra, Mutação mostra personalidade. É trash, mas nem por isso malfeito. Contando com uma equipe de oitenta técnicos que levou dois anos para desenvolver suas estranhas criaturas, o diretor Guillermo Del Toro tirou leite de pedra ao adaptar o enredo de Donald A. Wolheim, especialista em ficção científica popular. No filme, a doutora Susan Tyler (vivida por Mira Sorvino, desta vez sem o mesmo entusiasmo exibido em Poderosa Afrodite, de Woody Allen, quando recebeu um Oscar) tenta erradicar uma epidemia que vinha vitimando as crianças de sua cidade. Acidentalmente, cria as baratas gigantes.

Nascido no México, Del Toro, de 33 anos, ganhou um prêmio da crítica no festival de Cannes por seu filme de estréia, Cronos, em 1993. Agora, combina situações de suspense, que deixam o espectador vibrando, com outras de pura escatologia, como aquela em que os personagens esfregam pelo próprio corpo as vísceras de um cadáver de barata gigante. Del Toro provoca aflição e repulsa, mas fez um prato bem temperado para quem saboreia esse tipo de diversão.

Celso Masson

http://www2.uol.com.br/veja/101297/p_155.html

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