Após conquistar o mundo pela TV,
Mr. Bean
vira filme e bate recorde de bilheteria
Celso Masson
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O ator Rowan Atkinson como Mr. Bean: bom na televisão, nem tanto na tela |
| Foto: Divulgação |
As trapalhadas da família real não são a única diversão dos ingleses. Eles também gargalham toda vez que assistem a alguma palhaçada de Mr. Bean, personagem criado em 1989 pelo ator Rowan Atkinson, em parceria com os humoristas Richard Curtis e Robin Driscoll. Urdido a seis mãos, Mr. Bean é um tipo atrapalhado a quem falta habilidade até para lidar com as situações mais corriqueiras, como barbear-se ou assoar o nariz. Para dar conta dessa criatura, o ator precisou desenvolver seus dotes de careteiro, já que a maioria das situações cômicas vividas por Mr. Bean não tem diálogo. Estrela de uma série de TV com episódios de meia hora de duração exibidos em horário nobre na Inglaterra, onde alcançou 60% da audiência, Mr. Bean tornou-se rapidamente um sucesso mundial. Hoje seus esquetes são apresentados em 94 países e já venderam 6,5 milhões de fitas de vídeo em todo o mundo. Ídolo na Inglaterra, esse tipo abilolado acaba de chegar ao cinema, onde está fazendo um grande estardalhaço (veja quadro).
Antes de encarnar Mr. Bean, o ator Rowan Atkinson, de 42 anos, já havia consolidado sua carreira de comediante na TV britânica, onde estreou em 1980. Três anos mais tarde ele ganharia seu primeiro papel principal, vivendo o príncipe Edmund na série The Black Adder (O Víbora Negra), atualmente exibida no Brasil pelo canal Eurochannel, da TVA. Recorrendo a William Shakespeare para ironizar a coroa britânica na época medieval, a série mostrou-se um achado, permanecendo no ar por vários anos com Atkinson em diferentes papéis. Em 1994, o ator fez uma participação marcante no filme Quatro Casamentos e Um Funeral, escrito pelo mesmo Curtis que ajudou a criar Mr. Bean. Na pele de um padre inexperiente, que se confundia até na hora de fazer o sinal-da-cruz, Atkinson deu um show.
Numa época em que os verdadeiros comediantes são uma espécie rara, Rowan Atkinson conseguiu achar um estilo próprio de fazer rir, com seus modos desengonçados que lembram os de Stan Laurel (o magro de O Gordo e o Magro) e de Charlie Chaplin. Além, é claro, do careteiro Jerry Lewis. Curiosamente, Atkinson não é um ator formado em escola de arte dramática. Seu diploma é de engenharia eletrônica pela Universidade de Oxford. Hoje, afora a popularidade na TV e no cinema, Atkinson é também garoto-propaganda de uma marca de chocolate.
Bobo e sem graçaA estréia de Mr. Bean - O Filme (Bean: The Ultimate Disaster Movie, Inglaterra, 1997), já em cartaz no Brasil, alcançou a maior bilheteria da Grã-Bretanha até hoje, faturando o equivalente a 4 milhões de dólares num único final de semana, quase dobrando o recorde anterior, pertencente a Quatro Casamentos e Um Funeral (2,5 milhões). Para os fãs do personagem, aqui vai um conselho. Ele pode ser engraçado num esquete de TV, mas não segura um longa-metragem inteiro. O roteiro é ruim e desperdiça o potencial do ator. Na maioria das piadas, apela-se para a escatologia. Numa das mais nojentas, Mr. Bean, sentado numa poltrona de primeira classe em um vôo, decide estourar um saquinho de papel, só para infernizar a vida do passageiro à sua frente. Detalhe: o saco já havia servido a uma criança nauseada. Esse tipo de humor é uma tradição britânica. Em filmes divertidos como O Sentido da Vida, o grupo Monty Python já abusava desse expediente, mostrando cenas como a de um sujeito balofo que, após uma lauta refeição, regurgita o jantar em pleno restaurante. Bean, o filme, vai nessa linha, mas nem de longe consegue o mesmo resultado. |
http://www2.uol.com.br/veja/270897/p_114.html