Doidos demais

Sean Penn brilha ao lado da mulher em Loucos de Amor

Ela é doida por ele, e ele, doido de pedra. No coração de Eddie e no de Maureen, o casal de Loucos de Amor (She's So Lovely, Estados Unidos, 1997), que estréia nesta sexta-feira em circuito nacional, pulsa o verdadeiro amor. Aquele velho e bom clichê, aqui brotando, florescendo e resistindo impávido até mesmo ao casamento. Filmado pelo diretor Nick Cassavetes a partir de um roteiro de seu pai, John Cassavetes, o filme é um drama desconcertante. Seu primeiro trunfo está no fato de situar o verdadeiro amor — o mais nobre sentimento humano — numa dupla de pobres-diabos. Eddie (Sean Penn) é um vagabundo rematado, que entre um porre e outro tem acessos de fúria, surrando ou dando tiros em quem aparece na sua frente. Sua musa, a bela Maureen (Robin Wright Penn), é o outro lado da mesma moeda. Mesmo grávida, ela se afunda na bebida e no tabaco, desesperada enquanto espera o marido voltar para casa. Mas, sempre que estão juntos, Eddie e Maureen formam uma dupla sublime, redimida pela paixão. Nada mais insólito e, por isso mesmo, cativante.

Boa parte das qualidades da fita se deve a seu elenco, que conta com uma participação especial de John Travolta, como o segundo marido de Maureen. Mas quem realmente rouba a cena é Sean Penn. Valentão na vida real, Penn é uma espécie de Edmundo de Hollywood. Durante seu casamento com Madonna, tanto a cantora quanto os paparazzi de plantão levaram várias surras do ator. Pois agora, num papel de certa maneira autobiográfico, Penn surpreende com uma boa interpretação. Em sua pele, o improvável Eddie torna-se absolutamente convincente. Vai da fúria e da demência à mais completa delicadeza. A atuação de Penn rendeu-lhe o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes do ano passado. Ele rouba a cena de Robin Wright Penn, sua parceira também fora da tela. A atuação de Robin, ótima atriz, que fez a melhor amiga de Tom Hanks em Forrest Gump, é eclipsada pela interpretação visceral do marido. Como era de esperar, Sean Penn desentendeu-se com o diretor Nick Cassavetes durante a finalização do filme, recusando-se inclusive a filmar cenas extras. Até hoje estão estremecidos. Recentemente, Penn definiu-se como uma bomba atômica. "Comigo não há negociação", disse.

Angela Pimenta

http://www2.uol.com.br/veja/170698/p_151.html

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