Grandes Esperanças ganha uma ótima refilmagem
O filme Grandes Esperanças (Great Expectations, Estados Unidos, 1997), que estréia no Brasil nesta semana, conta com dois trunfos para seduzir o espectador. O primeiro é a história. Escrita por Charles Dickens (1812-1870), um dos maiores escritores ingleses de todos os tempos, ela já havia sido levada para o cinema, nos anos 40, pelo também inglês David Lean. Na época, o filme foi indicado a cinco Oscar e levou dois, de fotografia e direção de arte. Talvez ambicionando superar a primeira versão, o diretor mexicano Alfonso Cuarón fez um filme de encher os olhos, com cenários exuberantes e várias referências ao mundo das artes plásticas. Isso porque a história é narrada por um pintor. Pobre e abandonado pela famíla, ele tem a sorte de conhecer pessoas que o ajudam na carreira e o azar de apaixonar-se pela garota errada. Ela é vivida por Gwyneth Paltrow, beldade que ilumina cada cena em que aparece e mais ainda aquelas em que posa nua. Este é o segundo trunfo do filme.
Ambientando a novela de Dickens nos Estados Unidos e na época atual, Cuarón, antes conhecido apenas por A Princesinha, poderia cair no erro de banalizá-la. Esse risco é evitado com a inclusão de Robert De Niro e Anne Bancroft em papéis estratégicos. Seus personagens são responsáveis por tornar o filme surpreendente. Apesar de a narrativa enfrentar alguns altos e baixos e de o protagonista ser vivido por um inseguro Ethan Hawke, Grandes Esperanças esbanja estilo. Ainda que não tenha chance de tornar-se um clássico como a versão filmada por David Lean, mostra um diretor talentoso, interessado em dar profundidade e beleza àquilo que focaliza. Já é um bom motivo para ir ao cinema.
Celso Masson
http://www2.uol.com.br/veja/270598/p_165.html