Paul Newman está impecável em Fugindo do Passado
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Newman: aos 73 anos, ainda correndo atrás da mulher do próximo |
| Foto: Lorey Sebastian/Paramount |
Aos 73 anos, cobiçar a mulher do próximo nas barbas do marido é café pequeno para o Paul Newman de Fugindo do Passado (Twilight, Estados Unidos, 1998), a partir desta sexta-feira em circuito nacional. Rijo, magro, o rosto enrugado e os mesmos olhos azuis que já faiscaram na pele do bandoleiro Butch Cassidy (1969), Newman esbanja em cena a elegância de quem domina o seu ofício. Ele é Harry Ross, um policial fracassado que mora de favor na mansão hollywoodiana de um casal de estrelas à beira da falência, Catherine (Susan Sarandon) e Jack Ames (Gene Hackman), também ótimos em suas atuações. Susan brilha especialmente, vivendo uma mulher fatal às portas da velhice. Dirigido pela mão certeira de Robert Benton, que já filmou O Indomável com Newman, Fugindo do Passado se inspira nos filmes de suspense dos anos 40.
O filme tem a virtude de não pretender ser nada além do que uma história bem contada. Sua matéria-prima é um poço de paixões e misérias tardias, teimando em arder em plena terceira idade, à revelia da asma e das bulas de remédio. Seus efeitos especiais estão no roteiro amarrado por diálogos sarcásticos, como esse de Harry, flagrado ao lado de um cadáver pela tenente Verna (Stockard Channing), sua ex-namorada. "Harry? Há quanto tempo!", diz a tenente. "É mesmo. Foi em Catalina...", responde ele. "Algemas nele", ela conclui. Às voltas com um crime que assombra seus senhorios, Harry vagueia por Los Angeles. Fugindo do Passado tem como cenário dois monumentos da arquitetura modernista da cidade. Um deles é um rancho projetado pelo arquiteto Frank Lloyd Wright, de 1946. O outro é a mansão, nas colinas da praia de Malibu, habitada no passado por Cedric Gibbons, ex-diretor da MGM, endereço dos personagens de Susan Sarandon e Gene Hackman. Junto do eterno Newman, ali eles encontram um palco à sua altura.
http://www2.uol.com.br/veja/120898/p_140a.html