Uma ficção científica com equipamentos supérfluos
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Sharon: e a camiseta molhada? |
| Foto: Warner Bros. |
Quando um filme tem Sharon Stone no elenco, o público espera que o diretor saiba explorar o talento da loira mais apimentada do planeta. Ou seja, que inclua cenas em que ela dê canjas parecidas com aquela cruzada de pernas de Instinto Selvagem. Por isso é bom que se diga desde já que Esfera (Sphere, Estados Unidos, 1998), em cartaz em circuito nacional, é um fiasco em matéria de interpretação. O talento, digamos assim, cênico de La Stone é desperdiçado numa personagem que passa quase o tempo todo metida num macacão de mergulho. Não, marmanjada, não há nem mesmo uma seqüenciazinha em que ela apareça de camiseta molhada, daquelas que grudam no corpo. Baseado em romance de Michael Crichton, o filme se passa numa espécie de "Titanic intergalático" — uma enorme e misteriosa nave espacial perdida nas profundezas do oceano. Para explorá-la, uma equipe de cientistas é reunida e fica isolada numa base submarina, no Oceano Pacífico, com o nome pedante de Habitat. A nave, descobre-se, contém uma esfera brilhante, aparentemente dotada de inteligência e poderes extra-sensoriais.
Uma espécie de continuação de O Segredo do Abismo, o primeiro e malfadado mergulho do hoje festejado James Cameron, esta Esfera é meio quadrada, dura de engolir. Nem a cuidadosa fornada de efeitos especiais salva o filme de um irremediável naufrágio. Perto da bolota metálica, coisas terríveis começam a acontecer. E dá-lhe polvo gigante, cobra marinha e água-viva assassina. Apenas como curiosidade, é bom saber que outro filme recente, estrelado por Sam Neill, plagiou a idéia da esfera alienígena para uma produção de terror. O filme, um trash chamado O Enigma do Horizonte, é muito mais assustador que a bobagem comandada pelo diretor Barry Levinson. É verdade que para incrementar a história Levinson convocou, além da bela Sharon, o talentoso Dustin Hoffman, no papel de um psicólogo picareta. Mas o ator, talvez constrangido, não está nada à vontade no papel de príncipe submarino que lhe é reservado. Apenas Samuel L. Jackson, que faz um matemático, consegue convencer. Tudo somado, o filme, torpedeado por um roteiro mal-ajambrado e diálogos grandiloqüentes, faz água por todos os lados.
http://www2.uol.com.br/veja/080498/p_127a.html