Geena Davis vive uma bela que é uma fera
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Greena: torta de limão, rajadas de metralhadora e muita bordoada |
Com tanto talento para assar prosaicas tortas de limão quanto para manejar facas e metralhadoras com pontaria cirúrgica, a bela Geena Davis estrela o mais inverossímil filme da temporada. Meio professorinha do interior, meio assassina profissional, ela, linda como sempre, brilha em Despertar de um Pesadelo (The Long Kiss Goodnight, Estados Unidos, 1996), que estréia nesta semana em circuito nacional. A fim de produzir um filme cuja única ambição é entreter, o diretor Renny Harlin, o mesmo de Duro de Matar 2, na época marido de Geena, convocou o mais disputado roteirista do gênero em Hollywood, Shane Black. Para caprichar nas escaramuças e reviravoltas, Black embolsou 4 milhões de dólares, uma cifra polpuda mesmo para padrões americanos. Inspirado pelo dinheiro alto, inventou uma protagonista com distúrbios de personalidade que nem Freud explica — a doce Samantha Caine, interpretada pela atriz, é uma dona de casa com amnésia que descobre ter sido agente da CIA. Perdeu a memória durante uma operação sigilosa, dessas que, de um lado, envolvem agentes descontentes com os cortes no orçamento da espionagem americana depois do fim da Guerra Fria e, do outro, terroristas líbios. No filme, esses dois lados arquiinimigos se unem em torno de uma mesma causa. Sim, você leu certo — líbios e americanos juntos. Absurdos como esse recheiam o roteiro, que é repleto de seqüências de perseguição de trânsito, lutas corporais, escaramuças no Congresso americano e, ainda, manifestações de instinto maternal da professora-Mata Hari.
Como os fãs dos filmes de ação não estão nem aí com a lógica cartesiana, Despertar de um Pesadelo é uma boa pedida. Além de bonita e charmosa, Geena Davis revela-se uma atriz competente em filmes desse tipo. Conforme notou o crítico David Ansen, da revista Newsweek, desde que Sigourney Weaver atuou em Alien, o Oitavo Passageiro, um representante do sexo feminino não distribuía socos, tiros e pontapés com tamanha desinibição. Depois que Hollywood embarcou na onda politicamente correta, passando a acreditar que também em filmes de ação mulher pode fazer trabalho de homem, um pelotão de atrizes foi convocado para dar sopapos na tela. Mas a verdade é que dificilmente elas cumprem a função a contento. Kathleen Turner, fracassou ao bancar uma detetive durona no policial Bonita e Perigosa. E Bridget Fonda fez uma insossa agente secreta na versão americana de Nikita, um filme originalmente francês. Em Despertar de um Pesadelo, Geena mostra ser exceção. Além de ser uma atriz convincente, fez a lição de casa direitinho.
Para viver Samantha, dedicou-se a treinamentos de tiro e coreografias de full-contact. Isso sem falar numa série de banhos gelados, em pleno inverno americano. Sem conceder um único espirro aos inimigos, ela segue em frente em busca de seu passado secreto. Outro ponto alto da fita é a presença do veterano Samuel L. Jackson vivendo um bandido de segunda categoria, Mitch Henessey, a única criatura com quem a moça pode contar. Lado a lado, eles fazem miséria, protagonizando uma seqüência eletrizante à beira das Cataratas do Niagara, dessas que já valem o ingresso do cinema.
http://www2.uol.com.br/veja/250398/p_125.html