Prova de fogo

Stallone derrapa ao querer dar uma de ator

Ganhar milhões de dólares a cada novo filme não é tudo na vida de um galã de Hollywood. Todos eles sonham provar que dentro de um corpo esculpido no halterofilismo vive um ator de verdade. Tom Cruise arriscou-se ao viver um soldado que fica paraplégico na Guerra do Vietnã em Nascido a Quatro de Julho. Mel Gibson, que desperdiçou sua chance em Hamlet, seguiu tentando em Coração Valente e O Preço de um Resgate. Agora é a vez de Sylvester Stallone. No filme Cop Land (Cop Land, Estados Unidos, 1997), que estréia nesta semana no Brasil, ele encara o que talvez seja o primeiro desafio dramático de sua carreira. Conhecido por papéis como Rambo e Rocky, ele agora dá duro ao dividir a tela com dois pesos pesados da arte de atuar no cinema, Robert De Niro e Harvey Keitel. Se o filme não é grande coisa, Stallone faz sua parte de forma apenas competente.

Cop Land melhora no final, conforme a trama vai se resolvendo. Como a atuação de Stallone segue esse mesmo ritmo, o espectador demora um bocado até se convencer de que não está diante de um canastrão disfarçado de limítrofe. Seu personagem, o pacato xerife de uma cidade de 1.000 habitantes separada de Nova York apenas por uma ponte, desperta apenas nas seqüências finais do filme conduzindo-o a um desfecho empolgante. Para as pretensões do ator, o resultado pode ter sido satisfatório. Nos Estados Unidos, público e crítica não reagiram bem. O filme estreou com ótima bilheteria, faturando 13 milhões de dólares no primeiro fim de semana e triplicando a marca nos três seguintes. Depois, estagnou.

Aos 51 anos de idade e com músculos ainda salientes, Sylvester Stallone fez o diabo para contracenar com o ídolo Robert De Niro. Aceitou remuneração simbólica (o orçamento total do filme foi de 15 milhões de dólares, menos que o cachê atual do ator, de 20 milhões) e teve de engordar 20 quilos para tornar seu visual convincente. Se a barriga postiça ajuda, Stallone esbarra na pouca habilidade do roteirista e diretor James Mangold, tido como um imitador de segunda classe de Martin Scorsese. Com uma história nada brilhante sobre corrupção policial e o corporativismo que perpetua a impunidade no convívio entre homens da lei e mafiosos, Mangold teve o mérito de convencer atores do primeiro time a atuar em seu filme. Daí a fazer com que Stallone seja um dia lembrado por esse papel há uma boa distância.

Celso Masson

http://www2.uol.com.br/veja/070198/p_073a.html

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