Uma comédia para paulistas que gostam de futebol
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Sátira às mesas-redondas: piada para quem conhece |
| Foto: Divulgação |
Existe comédia carioca e comédia paulista. Comédia carioca é aquela que tem praia, paquera, sol e piadas na linha "comédia da vida privada". Exemplo: Como Ser Solteiro. Já Boleiros, de Ugo Giorgetti, que estréia nesta semana em várias cidades brasileiras, é uma típica comédia paulista. Em vez de praia, paquera e bom humor, o que se vê nesse tipo de filme é uma reunião de sotaques, restaurantes e humor negro. O longa-metragem tem como tema os bastidores do futebol e se compõe de seis episódios, cada um girando em torno de um time de São Paulo — Santos, Palmeiras, Corinthians, Portuguesa, São Paulo e até o Juventus. O filme tem alguns momentos engraçados, como o último episódio, que mostra como os jogadores enganam os técnicos para levar mulheres à concentração. A protagonista é Marisa Orth, e o espectador fica se perguntando em quem o diretor se inspirou para criar o artilheiro metido a galã: Edmundo? Renato Gaúcho? Djalminha?
O principal problema do filme é que algumas piadas só serão entendidas pelos amantes de futebol, como a sátira às mesas-redondas de domingo no episódio Azul. Autor de Sábado e Festa, Giorgetti é um diretor competente que só faz sucesso em São Paulo. Em Boleiros, corre o risco de restringir seu público ainda mais — paulistanos que gostam muito de futebol. Nada preocupante. Se toda a torcida do Corinthians resolver assistir ao filme, Giorgetti já terá garantido sua maior bilheteria.
http://www2.uol.com.br/veja/220498/p_125a.html