Currupaco!

Na falta de bons atores, Hollywood apela para animais

Na falta de bons atores — ou de boas idéias — Hollywood resolveu apelar para os animais. Dois novos filmes trazem, vejam só, bichos que falam: Paulie, o Papagaio Bom de Papo (Paulie, Estados Unidos, 1998) — que estréia em circuito nacional nesta sexta — e a refilmagem de Dr. Dolittle (Dr. Dolittle, Estados Unidos, 1998), já nos cinemas. Ambos em versões legendadas e dubladas para melhor atingir o público infantil. Animais falantes não são novidade no cinema. Em 1989, a série Olha Quem Está Falando já trazia, no terceiro capítulo, cachorros tagarelas. Depois vieram A Incrível Jornada 1 e 2, da Disney, e o australiano Babe. Foi este último filme que teve o mérito de realmente "humanizar" os bichos, com efeitos convincentes.

Paulie é uma fita sentimental, com o papagaio ou maritaca mais simpático do cinema desde Zé Carioca. Com poucos efeitos especiais, já que os movimentos do bico de um papagaio são limitados, o filme conta a história de um bicho que deseja voltar para sua antiga dona, de quem foi separado à força. Passa por diversas aventuras, e os vilões são mais uma vez os cientistas. Desculpando algumas grosserias (mas como se pode fazer um filme de papagaio sem uns xingamentos?), o filme é uma boa pedida para crianças e até adultos.

O mesmo não se pode dizer de Dr. Dolittle, que apela para a vulgaridade, tornando-se um verdadeiro compêndio de piadas de banheiro. A produtora Fox já tinha os direitos da história do escritor inglês Hugh Lofting, que nos anos 60 criou o personagem, um homem que conversa com animais. É de 1967 a primeira versão cinematográfica da história, O Fabuloso Dr. Dolittle, com Rex Harrison no papel principal. Feito em forma de musical, foi um fracasso de bilheteria. A nova versão não é musical, mas utiliza a canção que deu o único Oscar à antiga fita, Talk to the Animals, que aparece nos créditos finais cantada por Louis Armstrong. O papel que já foi de Rex Harrison ficou agora com Eddie Murphy, que está se especializando em tirar do fundo da gaveta antigos sucessos — há dois anos salvou sua carreira, que estava em franca decadência, com O Professor Aloprado, originalmene interpretado por Jerry Lewis. Com bichos animados por especialistas, este novo Dr. Dolittle carece de um roteiro. Na versão dublada em português, há a participação do humorista Tom Cavalcante, que faz a voz do cão de estimação do herói. Ele ajuda a salvar uma cena que dá bem uma idéia do que é a fita: um exame de toque num cão. A maior qualidade de Dr. Dolittle é ser curto. A tortura acaba logo.

Rubens Ewald Filho

http://www2.uol.com.br/veja/080798/p_128a.html

Hosted by www.Geocities.ws

1