Melhor que na TV

Beavis e Butt-head ganham a telona, põem
o pé na estrada e espalham abobrinhas

Celso Masson

A dupla em frente à Casa Branca: o sarcasmo não poupa Bill Clinton
Paramount / MTV  

No filme Beavis e Butt-head Detonam a América (Beavis and Butt-head Do America, Estados Unidos, 1996), que estréia no Brasil nesta semana, há mais gozação, sarcasmo e estupidez que em toda a montoeira de abobrinhas despejada pela dupla em quatro anos de programa na MTV. Para quem nunca viu o desenho, é bom saber que Beavis & Butt-head nada têm que lembre o bom-mocismo de Jonny Quest ou a perseverança humanitária de Bart Simpson. Como Bart, eles são pré-adolescentes, vivem numa cidadezinha no interior dos Estados Unidos e têm cara de ET. Viciados em televisão, passam o dia resmungando diante dos videoclipes a que assistem. Castigados por descargas hormonais típicas da idade, Beavis e Butt-head só atinam para uma coisa: iniciar sua vida sexual o quanto antes.

No filme, o sonho enfim ameaça ser realizado. Eles são seduzidos por uma contrabandista de armas (dublada por Demi Moore) e atravessam os Estados Unidos atrás da grande chance de sua vida, deixando um rastro de destruição. Sem querer, explodem uma hidrelétrica e provocam um blecaute em Las Vegas, entre outros desastres. O humor de Beavis e Butt-head é como acne em adolescente. Sempre provoca algum tipo de desconforto. Eles são idiotas a ponto de não entender as coisas mais óbvias e só abrem a boca para falar bobagem. Poderiam ser apenas chatos, caso não tivessem o mérito de ridicularizar tanto quem condena os efeitos nocivos da cultura de massa quanto quem só se alimenta de porcaria. Como bons palhaços, querem mais é ver o circo pegar fogo. No filme, o humor bizarro da dupla escapa do grosseiro, favorecido pela inclusão de personagens da vida real, como o presidente Bill Clinton. Ao colocar seus personagens numa trama ambiciosa, longe da rotina de videoclipes a que estão confinados na MTV, o cartunista Mike Judge acertou em cheio. O filme, que estreou em dezembro nos Estados Unidos, faturou 63 milhões de dólares, nada mau para uma produção independente.

http://www2.uol.com.br/veja/160797/p_125.html

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