Dupla anêmica

Drama familiar e de saúde derruba atrizes saudáveis

Diane e Meryl: sempre os laços de ternura

Anda mal a saúde de astros e estrelas de Hollywood, mas a família vai bem, obrigada. As Filhas de Marvin (Marvin's Room, EUA, 1996) é o atestado de óbito dos primeiros e o check-up em ordem da segunda. É insuportável de ver, num caso ou no outro. Trata-se do reencontro de duas irmãs maduras, Bessie (Diane Keaton) e Lee (Meryl Streep), que há duas décadas não se falam. A primeira é solteirona e a outra, descasada, tem dois filhos, um deles a tetéia Hank (Leonard DiCaprio). Para desuni-las ainda mais há o pai, Marvin (Hume Cronyn), prostrado na cama. Um médico meigo e trapalhão (Robert De Niro) descobre que Bessie tem leucemia. A doença reata os laços de ternura.

É um teatrão baseado em peça de autor que morreu de Aids em 1992, Scott McPherson, e dirigido com a assepsia de um médico de UTI por Jerry Zaks. Provoca efeitos colaterais em duas atrizes de carreira saudável, envoltas em conflitos delicadíssimos, mas que se acabam deixando soterrar pela mesmice de suas personagens. Uma tão boa que já merece o céu ainda em vida (Bessie) e a outra tão enjoada (Lee) que parece nem merecer os bobs que usa nos cabelos. Não têm cura, mas esse encontro, com mais inspiração e menos clichês, poderia ser uma pílula de vida. Do jeito que foi prescrito é dose.

Geraldo Mayrink

http://www2.uol.com.br/veja/230797/p_107b.html

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