Princesa russa ressurge em desenho animado
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Anastasia e Dimitri: sob praga |
| Twentieth Century Fox |
O estúdio 20th Century Fox esperou o fim do século para entrar no reino dos desenhos animados, e pagou caro por isso. Exatamente 53 milhões de dólares é o custo de Anastasia (EUA, 1997, em circuito nacional a partir do dia 25), feito por dois renegados dos estúdios Disney, Don Bluth e Gary Goldman. Com cachorrinhos, duendes e morcegos, como recomenda o receituário do gênero, o filme da Fox foi inspirado numa lenda da vida real, a trágica história da grã-duquesa Anastasia Nicholaevna, assassinada pelos bolcheviques em 1918, como toda a sua real família, sem que seu corpo jamais tenha sido encontrado.
A história, que leva a sério a hipótese de que Anastasia sobreviveu, é contada em rabiscos simplórios, como convém a um mundo que produziu Bambi e Dumbo. A originalidade fica por conta da idéia de que a revolução comunista de 1917 foi provocada por uma praga rogada pelo bruxo Rasputin. Mas o enredo mistura truques conhecidos, como a amnésia da personagem (que fala pela voz insinuante de Meg Ryan), seu namoro com Dimitri (fala John Cusak) e o encontro dos dois em Paris com a avó dela (agora é a vez de escutar a grande Angela Lansbury). Todos esses prazeres auditivos são para adultos que entendem inglês. A petizada vai ter de comer muita pipoca ouvindo as canções de Stephen Flaherty e os raios e trovões provocados pela maldade de Rasputin.
Geraldo Mayrink
http://www2.uol.com.br/veja/171297/p_138b.html