Elza tratou de dar o fora de Goiânia. Pisou fundo no acelerador, abriu as janelas e cantando a altos brados, em algumas (várias) horas chegou no Meio do Nada, onde ficava a sede da comunidade Z516. Estacionou no posto do Zé Caolho (que era simpatizante da comunidade e já tinha um esquema de esconder os carros, no meio da sua área de desmanche), deu 500 passos em linha reta, 277 passos à direita, e mais 59 passos em linha reta. E então, debaixo de uma moita, divisou um buraco de tatu. Enfiando a mão no buraco, puxou o rabo do tatu. O tatu não era um tatu, na verdade, mas isso não vem ao caso e de qualquer forma seu nome era Tatu. Tatu era o porteiro da comunidade, e recebia as senhas. Elza disse a senha correta, e então uma entrada se abriu no chão poeirento, revelando uma escada. Lá de baixo vinha uma barulhada, muita fumaça, e o barulho de vozes conversando, gritando e gargalhadas. Era dia do Pancadão, a festa mais animada da Comunidade, que acontecia na última quinta-feira de todo mês.

Elza desceu as escadas, feliz. Adorava a Comunidade. Só ia passando por entre as pessoas dançando o reggaeton, e abraçando seus velhos conhecidos. Há muito tempo que não passava por lá, e não conhecia várias caras por ali. Chegou no bar, pediu um buquiru para o bar man, um velho amigo, e começou a se atualizar.

- E aí, Baqueta! Quanto tempo! Como é quee andam as coisas?

- Elzinha! Gata, vc tá sumida!Anda tudo mmeio parado...sabe como é, até o referendo sair não tem muito o que fazer. Mas soube que tu ta envolvida em um negócio quente! Espero que sim, porque aqui ta fraco, e estamos precisando de uma forcinha...

- As notícias correm rápido! Mas é verdadde, Queta, é quente mesmo... não espalha não...se bem que já está espalhado. Mas vocês sabem que estou aqui para o que precisarem.

- Sabemos Elzinha, nós devemos muito a voocê...

- E eu a vocês! Mas vem cá, a Szi ta por aí?

- No lugar de sempre.

Elza virou sua bebida e se dirigiu ao canto mais afastado do salão. No meio do sofá de couro vermelho em forma de L estava uma mulher magrinha, que parecia estar nos seus vinte e poucos anos. Tinha enormes olhos lilás, cabelo azul purpurinado e usava um corselete de renda e saia de filó pretos, com meia arrastão e sandálias de salto agulha da mesma cor. De cada lado seu, dois homens enormes, fortes, tatuados e sem camisa. Gargalhava horrores, jogando a cabeça para trás. Aquela mistura bizarramente sensual de mangá e gótica atendia pelo nome de Szi-Zsi Brilhante e era uma das figuras mais temidas em boa parte da Comunidade, e do Universo também, diga-se de passagem. Sua idade se aproximava mais dos 2000 do que dos 20, e era filha de Elizabeth Sailor, a Sailor Moon, com um dos senadores mais importantes da Confederação Intergalática.

Assim que viu Elza, ela se levantou, foi em sua direção, e a abraçou.

- Já não era mais sem tempo! Venha comigoo.

 

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