Elleonorah era brilhante. Desde nova, sabia que seria especial, diferente, talvez obtivesse a fama que tanto desejava ou talvez fosse um gênio incompreendido. Mas sabia que seria única!

Bem, pelo menos o “única” estava correto, porque, de resto, só Elleonorah acreditava... sem amigos, com uma família que não dispensava aquele churrasquinho do final de semana regado a muita cerveja, pagode e sertanejo, Elleonorah sentia que sua vida não era ali, com aqueles pobres! Sabia que algo melhor a esperava!

Decidiu virar escritora, não porque sempre tenha gostado de ler, ou muito menos escrever, mas simplesmente pelo fato de que ser escritora parecia, em sua mente um pouco infantil, algo misterioso, com um charme que “só os escritores têm”.

Começou sua carreira escrevendo contos de mistério, como “Where is Mr. Thompson?”, “Revelaciones” e “Assassinos de Beverly Hills”, sempre com o pseudônimo de Hellen Onnor.

Obviamente foi um total fracasso, sendo repetidamente taxada de “a pior escritora de todos os tempos” pelos críticos, além de ouvir comentários como “se houvesse lista dos 10 piores livros do século, os de Hellen Onnor ocupariam todas as 10 posições”, ou simplesmente o “isso é chato pá cacete” da sua mãe.

Resolveu então escrever livros de auto-ajuda. “Meu Limão, Limonada” e “Nestor, o Castor” não foram nem publicados, de tão ruins. Eram considerados superficiais e totalmente ineficazes... cansados da insistência de Elleonorah, chegaram até a dizer que era um convite ao suicídio ler tanta porcaria.

“Oras – pensava – quem compra um livro chamado ‘Quem roubou meu Queijo’ não iria ler ‘Meu Limão, Limonada’ por quê? Eu estou é acima de todos esses vermes!!! Mas tudo bem, vou ignorar todas essas besteiras que me falaram e escreverei o livro do século, o que fará as pessoas chorarem e se emocionarem por toda eternidade, serei o Shakespeare contemporâneo!”

Há algumas semanas, tinha assistido ao filme “Mais estranho que a ficção” e já sabia o que fazer pra ter seu bestseller. Iria para o hospital buscar sua inspiração, ver o sofrimento alheio, a iminência da morte no ar! Iria para o Hospital de Goiânia!

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