esta camada
endinheirada da população que usufruía, além do poder econômico, também
do poder
político.
Em termos de
quadros de representações as principais diferenças entre ambas as
agências foram
as seguintes:
1. Enquanto na
família a representação das vivências está relacionada à experiência e
à construção da
memória do grupo, nas fotos de revista, as representações de
vivências estão
relacionadas ao evento, à construção de uma determinada imagem
de cidade e à
alienação cultural, e através delas são impostos padrões
comportamentais
alheios a experiência do leitor.
Configurando-se aí a função
didática das
fotografias de imprensa, função essa pouca valorizada nas fotografias
familiares.
2. A imagem
produzida pela família, justamente por estar mais atrelada à experiência
vivida, traz
uma marca temporal mais delimitada que as produzidas pelas revistas,
embora tal
marca não esteja ausente nestas publicações, indicando que ao longo do
tempo os
comportamentos e representações coletivas mudam. Tal fato pode ser
explicado por
esta coleção de fotografias revelar um processo de ascensão social
bem definido em
décadas, podendo estar diluída numa outra coleção familiar.
3. O espaço
fotográfico das revistas foi feito exclusivamente por profissionais
apresentando
uma incidência de erro quase nula, assim compôs imagens nítidas e
contrastadas
bem próximas da realidade. Já o espaço fotográfico da coleção
familiar foi
feito tanto por profissionais como por amadores, apontando uma
incidência
razoável de erro e um certo distanciamento entre imagem e realidade.
4. O espaço
geográfico na coleção familiar está associado à trajetória desta família em
direção à
cidade do Rio de Janeiro, sendo tal espaço caracterizado por oposições
que estruturam
sua trajetória. Por outro lado, nas revistas ilustradas, o espaço
geográfico está
centrado no Rio de Janeiro, mas sua representação ultrapassa-a
mantendo para
com ela uma relação de complementaridade ou de oposição,
dependendo do
tipo de revista, como pode ser observado no Capítulo IV.
5. Da mesma
forma as opções técnicas de revistas como
O
Cruzeiro
, valorizam
mais
o espaço da
figuração, ou seja, as pessoas, suas vivências e estilo de vida, em