Fenômenos e coisa e si

 

 

Todas  as nossas in­tuições só são representações de fenômenos,  não percebemos as coisas como são em si mes­mas, e suas relações não são  como se nos apresentam, e que se suprimíssemos nosso sujeito, ou simplesmente a constituição subjetiva dos nos­sos sentidos em geral, desapareceriam também todas as propriedades, todas as relações dos obje­tos no espaço e no tempo. O  espaço e o tempo também  como fenômeno, não pode existir em si, mas somente em nós mesmos.

Por mais perfeito que seja o conhecimento dos fenômenos, que é o único que nos é dado atingir, jamais nos proporcionará o conhecimento dos objetos em si mesmos.
          A  representação de um corpo na intuição não contém  nada que  possa pertencer a um objeto em si, mas somente o fenômeno (a manifestação) de al­guma coisa e a maneira de como nos afeta.

Para distinguir um fenômeno, o que pertence essencialmente à intuição dos mesmos, e vale em geral para todo o sentido humano, daquilo que só lhe pertence de modo acidental, e que não vale para toda relação em geral da sensibilidade, mas unicamente para a posição particular ou organização deste ou da­quele sentido.

Sabemos  distinguir muito bem nos fenômenos o que pertence essencialmente à intuição dos mesmos, e vale em geral para todo o sentido humano, daquilo que só lhe pertence de modo acidental, e que não vale para toda relação em geral da sensibilidade, mas unicamente para a posição particular ou organização deste ou da­quele sentido.

Do primeiro conhecimento se diz que representa a coisa em si e do segundo que re­presenta meramente o fenômeno. Porém essa dife­rença é só empírica. Se se permanece nela e não se considera nova­mente aquela intuição empírica como um puro fenômeno, no qual não se encontra nada que pertença a uma coisa em si, desaparece então a nossa distinção transcendental e cremos conhecer as coisas em si, ainda que nas mais profundas investigações do mundo sensível, só possamos ocupar-nos de fenômenos. Se  dissermos do arco-iris que ele é um simples fenômeno que se mostra na chuva iluminada pelo sol, e da chuva que é uma coisa em si, essa maneira de falar é exata, desde que entendemos a chuva em um sentido físico.

Entretanto, se tomamos esse fenômeno empí­rico de uma maneira geral, e sem nos ocuparmos de seu acordo com todos os sentidos humanos, perguntarmos se ele representa também um objeto em si (não direi das gotas de chuva, porque são já, como fenômenos, objetos empíricos), a questão da relação entre a representação e o objeto vem a ser transcendental.

Todos  os objetos são somente fenômenos e não coisas em si. Destes pode dizer-se muito “a priori”, refe­rente à forma desses objetos; mas nada da coisa em si mesma que possa servir de fundamento a esses fenômenos. Pelas  simples relações não pode ser conhecida uma coisa em si. Tudo o que é representado por um sentido é sempre um fenômeno.

No  fenômeno, os objetos e também as propriedades que lhe atribuímos são sempre considerados como algo dado realmente.

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