I CAPITULO

 

CONTEXTUALIZAÇÀO HISTÓRICA E FILOSÓFICA

 

Ludwig Andreas Feuerbach, filho de Anseln Ritter Von Feuerbach e nasceu no dia 29 de julho de 1804, em Landshut cidade localizada na Baviera sul da Alemanha. Feuerbach passou sua infância em Munique (1806 a 1816). Embora batizado no catolicismo na adolescência passou ao protestantismo. 

 Estudou Teologia em Heidelberg, mas desistiu do curso vindo a Bacharela-se em 1822 em Filosofia, logo depois se doutorando em Berlim no ano de 1828 este cursado na Universidade de Erlangem, a partir de 1829 dedica-se a sua livre  docência, adquirindo com a tese intitulada “De ratione uma, universali, infinita, na tese Feuerbach já polemiza alguns pontos essenciais com o antigo mestre, Hegel.

Feuerbach exerceu curta carreira no magistério, dentre as disciplinas que exerceu consta Metafísica, Lógica e História da Filosofia.  Ao afastar-se do magistério casa-se com Berta Löw muda-se para uma aldeia Buckber esta praticamente isolada do convívio humano. Sua esposa era sócia de uma fabrica nesta localidade, mas devido a falência da fábrica o casal transfere-se para a cidade de Rechenberg onde passa a dedicar-se com maior ênfase a sua filosofia. Morre pobre e esquecido em 13 de setembro de 1872, com 68 anos de idade. 

Seu pensamento pode ser compreendido nas obras a seguir, não esquecendo que sua principal fonte de expiração foi a religião, assim sendo   publicou  A Essência do Cristianismo (1841) sua obra mais importante, Princípios da Filosofia do Futuro (1843), A Essência da Religião (1845), Teogonia (1845), Crítica da Filosofia Hegeliana (1839), Espiritualismo e Materialismo (1866), O mistério do sacrifício ou o homem é o que ele come (1862)  e Pensamentos Sobre a Imortalidade da Alma (1828). 

Em um artigo publicado na revista síntese que faço referencia agora expõe como mingúem o valor da obra de Feuerbach. “O legado de Feuerbach teve na figura de Hegel o principal expoente de sua filosofia.  A filosofia hegeliana pode ser expressa como a procura da síntese idealista do idealismo subjetivista de Fichte e do objetivismo de Schelling fechando com o idealismo de Kant”. Os pontos de vista de Hegel referiam-se à idéia da indiferença schelliana, é contrário ao eu fichtiano principalmente contra a idéia do em si de Emmanuel Kant.

“Hegel afirmou que não há limite para o conhecimento, pois o próprio absoluto é cognoscível, o fato natural, que por isso mesmo é real, vem a ser a própria idéia racional. Não existe diferença entre o ser absoluto e o pensamento absoluto, em outras palavras, o pensamento é do ser e o ser é o pensamento, Hegel afirma que ser e pensamento identificam-se perfeitamente”’[1].

A filosofia hegeliana une homem e Deus, Deus não é produto do homem. Através da meditação procurou ver Deus e o mundo em união. Deus esta próximo. Deus é imanente ao mundo, Deus pertence a este mundo e este mundo esta em Deus.

Outra pessoa significativa para a filosofia Feuerbachiana foi Karl Marx, teórico do socialismo cientifico, discípulo de Hegel.  Feuerbach foi o precursor de Karl Marx e segundo Henrique Lima Vaz e outros teóricos para entender bem esta relação basta lembrar que Feuerbach foi para Karl Marx algo muito parecido com que foi Aristóteles para Santo Tomás.

Marx foi primeiramente um teórico da ação revolucionaria e política, da analise econômica, não há dúvida que Feuerbach fora seu grande inspirador. Se por um lado, Feuerbach, com indiscutível lógica ultrapassa os caminhos revolucionários trilhados por Hegel, Marx também parte de Hegel, através de Feuerbach. Percebe-se também, que o ‘prometeu’ do século XIX não recebe como dogma às posições de Feuerbach, nas quais critica a filosofia feuerbachiana.

Entre estas, destaca-se a conhecidíssima undécima: os filósofos se limitam a interpretar o mundo diferentemente, cabe transforma-lo. Mas não só Marx conheceu o pensamento feuerbachiano, o filosofo de Landshut também conheceu o de Marx.

É o humanismo de Feuerbach que fornece a Marx a noção da alienação religiosa. Para Marx a religião aliena o ser humano. E esta alienação religiosa terá de ser esclarecida a partir da situação histórico-social concreta. A essência da alienação do ser humano encontra-se no contexto economia, no tipo de relações de produção geradas no mundo capitalista.

Existe aqui duas classes sociais os proprietários dos meios de produção e os não-proprietários uma vez destruindo essa estrutura econômica, também se destrói a religião que é produto seu. São as estruturas econômicas que geram a falsa consciência, que é a religião. Assim a idéia de Deus é resultado de uma economia alienante.

Urbano Zilles afirma em sua obra Filosofia da religião que, Feuerbach e Marx significam ruptura profunda entre cristianismo e tradição cultural, instaurando, de um lado, um humanismo superteológico bateu. De um lado, busca-se a salvação somente através da cultura, na evolução histórica, da qual a religião é apenas um momento transitório. Assim pode-se dizer que a crise do mundo é antes de tudo crise do humanismo, crise provocada pela ruptura entre religião e cultura. E que este processo adquirira expressão máxima na filosofia de Hegel, que reduzira o cristianismo a um grande episódio da história universal, um fenômeno que se explica todo racionalmente.

Na síntese hegeliana, o cristianismo deixa de ser religião para ser apenas cultura. “Desta síntese origina-se de um lado, a solução social de Feuerbach e Marx como humanismo absoluto, e de outro, a solução religiosa que rompe com o mundo e a sociedade como a tentou Kierkegaard”[2].

Segundo alguns teóricos dentre eles Draiton Gonzaga, a proximidade destes filósofos, está vinculada ao fato de ambos terem pertencido ao Doktorclub ou clube de doutores, composto de hegelianos de esquerda em Berlim ao qual também pertenciam Arnold Ruge, Moses Hess, Friedrich Engels tendo a frente Bruno Bauer o criador do clube.

Seu pensamento num primeiro momento foi completamente influenciado por Hegel, após tornar-se seu aluno e conhecer melhor suas teorias passaram a criticar algumas de suas idéias, afastando posteriormente completamente do professor, seu pensamento também sofreu influência de pensadores como Kant, Max Stirner, Bruno Bauer, Schleiermacher talvez a mais fundamental tenha sido mesmo o de Martin Buber.

A obra de Hegel ficou posteriormente dividida, ou melhor, conhecida como direita e esquerda hegeliana, o contexto histórico de Ludwig Andreas Feuerbach encontra-se na corrente do pensamento religioso contemporâneo, fortemente enraizado no idealismo Alemão. Esta corrente teve na pessoa de Johann Gottlieb Fiche nos séculos XVIII e XIX chegando a seu ápice na pessoa de Georg Wilhelm Hegel.          

Fato importante derivado da filosofia foi os movimentos conhecidos como e direita hegeliana e esquerda hegeliana. Num primeiro instante o idealismo foi um movimento estritamente alemão e posteriormente já em meados da segunda metade do século XIX e inicio do século XX, imigrou para outros países como Estados Unidos e Europa, atingindo muita influencia na França.

A divisão ou, digamos, briga ocorreu entre os “herdeiros” de Hegel, as divergências foram relativas a interpretação da obra do mestre referente à religião.

A chamada direita encabeçada por G. Herdermann, mudando a legado de Hegel esta corrente defende o dialogo entre a ortodoxia e a fé cristã, preservando a imortalidade da alma, motivo de desavença entre ambas e ainda a união da natureza humana com a divina na pessoa de Jesus Cristo, sem deixar de esquecer da transcendência de Deus.  Esses três pontos foram fundamentais na proposta da chamada direta hegeliana.

Outro ponto forte era a procura de (justificar o cristianismo e o Estado existente, a esquerda, sempre em nome da dialética hegeliana, transformava o idealismo em materialismo, fazia da religião cristã fato puramente humano e combatia a política existente com base em posições democrático-radicais).

O padre Henrique Lima Vaz afirma em seu livro Antropologia Filosófica que a direita hegeliana permaneceu fiel ao mestre em sua forma sistemática, por sua vez a esquerda utilizou-se da filosofia hegeliana para fazer uma crítica política e social, que por sua vez acabou voltando-se contra o próprio Hegel, defrontando-se contra a natureza teológica e seu sistema.

Em outro ponto a chamada esquerda hegeliana tendo a frente Ludwig Feuerbach e Karl Marx, esta linha da corrente pregava a uma radical negação dos fenômenos sobrenaturais e também naturais da vida religiosa. Anterior a Marx Feuerbach foi o principal representante da esquerda hegeliana. Karl Marx afirma: “Feuerbach é nosso maior profeta. Não há outro caminho até a verdade que aquele que passa por Feuerbach (arroio de fogo); é o purgatório do presente”[3].

A convicção que está na base da esquerda hegeliana é a de que as verdadeiras cadeias dos homens estão em suas idéias, razão por que os jovens hegelianos pedem coerentemente aos homens, “como postulado moral, que substituam sua consciência atual pela consciência humana, crítica ou egoísta, desembaraçando-se assim de seus impedimentos. Essa exigência de modificar a consciência leva a outra exigência, de interpretar diversamente o que existe, ou seja, reconhece-lo através de interpretação diversa”[4].

Segundo César Augusto Ramos à esquerda hegeliana combate contra as frases e não contra o mundo real do qual tais frases são o reflexo. Com efeito, não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência.

Outra figura que teve forte influencia no pensamento feuerbachiano foi Karl Marx. E uma de sua teses ficou  assim conhecida, ou divulgada. Segundo a tese de Marx, a análise objetiva da realidade demonstra que todos os acontecimentos sociais, políticos e intelectuais da história foram conseqüência da economia. A produção e a repartição das riquezas são o único fato que determina a economia e por sua vez os antagonismos de classes que deles resultam, a superestrutura de valores espirituais e ideologias próprias de cada sociedade esta fundamentada nestes antagonismos na vida econômica.

Como é bem lembrado no livro História da Filosofia que diz o seguinte: “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrario, o seu ser social que determina a sua consciência”.[5]

Em outro trecho deste livro os autores nos lembram que as representações e os pensamentos, bem como o intercambio espiritual dos homens, ainda aparecem aqui como emanação direta do seu comportamento material. O que determina o ponto de vista em que se considera o mundo e a história, e em geral, o pensamento e a atividade humana, é a matéria nas suas relações com o homem, ou o homem nas suas relações com a matéria.

O materialismo histórico como o próprio nome sugere é a explicação da historia por fatores materiais e científicos, assim sendo ele não é mais do que a aplicação dos princípios do materialismo dialético aplicados a historia.   Esta foi umas das vertentes do materialismo, o outro é a dialético que foi um sistema que é baseado na relação de produção e troca, evoluindo até atingir um máximo de eficiência, entrando em decadência posteriormente, assim que um sistema entre em crise um outro o substitui preservando os aspectos positivos dele.

Mais do que um materialismo trata-se de um dialetismo naturalista, cujos princípios foram postos por Marx, avançaram com Engels,  hoje seguido por filósofos do mundo comunista, estes são ainda os únicos seguidores dessa corrente filosófica. “A principal dessas conquistas é a dialética, isto é, a doutrina do desenvolvimento em sua expressão mais completa, mais profunda e menos unilateral, a doutrina da relatividade dos conhecimentos humanos, reflexo da matéria e perpetuo desenvolvimento. Um dos méritos da dialética é levar da historia o movimento real, e assim, portanto o estado de coisas existente. O confronto entre o estado de coisas existente e sua negação é inevitável, esse confronto se resolvera com a superação do estado de coisas existente”.

 

 

 

 

 

 

 

                       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

II CAPITULO

 

Redução da Teologia à Antropologia

 

 

 Feuerbach trabalho com o pressuposto que é necessário a negação de Deus para realmente libertar o ser humano, pois a religião não dá grande importância à vida presente deixando a esperança de libertação para o outro mundo.

Seu método de indagação é chamado genético-crítico, porque pergunta sobre o surgimento da religião. Feuerbach informa em a essência do cristianismo que “diferente dos seres humanos os animais não têm nenhuma religião” . A diferença esta na consciência, pois o ser humano pode refletir por si mesmo. Propõe que a filosofia deixasse o cristianismo, e diz que o ser humano religioso não dá importância para a miséria, a injustiça e o sofrimento neste mundo.

Para uma melhor compreensão da obra de Feuerbach aqui vamos estudar alguns tópicos relevantes para a correta interpretação de sua filosofia, são eles materialismo, ateísmo, o ser humano e o divino.

Segundo César Augusto Ramos o materialismo é aquele que admite a existência dos entes materiais. O materialismo afirma que a matéria é a única causa das coisas. Feuerbach propõe um materialismo em que só existe o ser humano, a natureza e “nada mais”.            Feuerbach segue a linha da esquerda hegeliana, que acredita apresentar as verdades cristas como forma transitória para a filosofia, a razão especulativa e seu saber absoluto. Desta maneira a religião seria assumida negativamente ou dissolvida na filosofia”.[6]

            Em Feuerbach a única base para sua filosofia é a realidade sensível. Por isso a nova filosofia deverá ter por objetivo o homem em sua totalidade: razão, vontade e coração”.[7]

Marx acreditava que na Alemanha, a critica da religião ficava-se com Feuerbach. O empirismo antropológico de Feuerbach pressupõe que nos dá o ser ou a essência idêntica com a existência é a intuição sensível, para ele o real é o objeto dos sentidos. “A realidade fundamental é a natureza, não consciência ou o pensamento, que são derivados ou secundários[8]”. Para Feuerbach o pensamento provém do ser, mas não o ser do pensamento.

Alcançar a verdade é o ponto chave de seu pensamento, mas para isso é preciso “passar do pensamento abstrato para a realidade sensível, da essência para a existência, da representação e fantasia para intuição imediata sensível (Zilles p. 100)”.

O materialismo feuerbachiano compreende-se dentro de uma conexão orgânica que existe entre o ateísmo e o materialismo. P.F. Iludin quando se refere ao materialismo afirma:

“O ponto culminante – no Ocidente – corresponde ao materialismo ‘antropológico’ de Feuerbach. Neste, torna-se evidente o caráter contemplativo próprio de todo o materialismo pré-marxista”.[9]  

Com a radicalização do Iluminismo Francês nasce o ateísmo. Com isso o ser humano orienta-se de maneira atéia, esta ocorre no comunismo, na ciência, na técnica e em algumas correntes filosóficas contemporâneas. A visão antropológica de Feuerbach é negar a Deus para afirmar o ser humano, apenas o ser humano.

O ateísmo hodierno nega a Deus e a pluralidade de deuses, nega também a absolutização do ser humano. O ser humano torna-se a consideração filosófica do problema, deixando Deus e a religião ausente disso. Feuerbach faz uma redução antropológica da religião, diz que a nova religião é atéia. O ateísmo de Feuerbach parte do pressuposto que é a religião a causa da alienação humana, pois faz com que o ser humano não dê valor a vida presente, deixando de lutar com as injustiças presentes. “A alienação religiosa, segundo ele, é tomar como Deus algo que, na verdade, é apenas expressão do próprio homem, ilusão, ídolo (Zilles pg. 103)”. Feuerbach fundamenta sua evolução espiritual da seguinte maneira: “Deus foi o primeiro pensamento; a razão, o segundo; o homem, o terceiro e ultimo (Zilles p.100)”.

            Ele diz que é necessário o ateísmo para que “as classes oprimidas possam lutar por sua libertação”. (Zilles p. 103) Deus é o projeto do ser humano, e ao projetá-lo aliena-se de si mesmo. “O ateísmo é, então, o caminho necessário para o ser humano redescobrir sua dignidade, reconquistando sua essência perdida (Zilles p. 106”.

            Feuerbach no fundo defende um ateísmo mais intuitivo, sem os fundamentos críticos ou científicos, seu desejo era ser um ateu refletido, decidido e programático. O grande feito deste filosofo ateísta foi mostrar que o discurso sobre Deus não pode ser interpretado como o da superação da oposição entre o mundo dialético e Deus num dialético movimento do espírito. Devemos fugir da interpretação equívoca dobre Deus porque uma interpretação equivocada sobre Deus possibilita uma interpretação errônea do homem. Para os estudiosos de Ludwig Feuerbach é desvendar até que ponto Feuerbach soube tematizar o homem real.

Após vermos o materialismo e o ateísmo vou fazer uma breve e clara exposição sobre o ser humano. Ao abordar a temática do ser humano na obra, “A essência do cristianismo”, Feuerbach principia pela religião, que se funda na diferença essencial destes dois elementos. A diferença do primeiro se dá pelo fato de possuir consciência, considerada para o ser humano, o objeto, o seu gênero, a sua quididade.

             Uma vez tendo a consciência, também tem a faculdade para a ciência, a qual é a consciência dos gêneros. O animal tem vida simples, e a vida interior e exterior são similares. A do ser humano é mais complexa, a vida interior e exterior se diferenciam.

Aqui vou recorrer ao autor Rubem Alves ele diz: o animal tem uma vida reduplicativa, o protótipo ideal empirista de consciência. A consciência animal não tem condições de transcender o dado, ou seja, não pode “acrescentar algo ao real”.

E mais a relação com o mundo acontece de forma tranqüila, de ajustamento. Entre eles não encontramos artistas, nem revolucionários, nem neuróticos e muitos menos o fenômeno da religião. O animal não tem imaginação. Encontra-se imerso no seu mundo. Sente-o, vive-o, aceita a relação do ser humano é problemática. Não ajustamento, mas tensão permanente.

A essência do ser humano é o fundamento e o fundamento e o objeto da religião. O ser humano feuerbachiano é real não como um mero ser pensante, mas como instinto, sentido, corpo: “o homem é um corpo consciente, é este conjunto de necessidades, que busca satisfazer sua felicidade. Sua essência é constituída de razão, vontade e coração. Razão, amor e vontade são perfeições, são os mais altos poderes, a essência absoluta do ser humano enquanto ser humano e finalidade da existência”[10].

Este ser humano existe para conhecer, para amar e querer. É o eu e tu na sua reciprocidade. Valoriza a relação social porque é nesta que todo ser humano adquire consciência da sua própria humanidade. A sua antropologia apresenta a busca da unidade do eu, tu e nós (comunidade), entre indivíduos e espécie, ou seja, historia universal e historia individual. O eu precisa da complementação do tu para ser  realmente eu: “O homem singular por si não possui em si a essência do homem nem enquanto ser moral, nem enquanto ser pensante. A essência do homem está contida apenas na comunidade, na unidade do homem com o homem – uma unidade que, porém, se funda apenas na realidade da distinção do eu e do tu”.[11] 

Enfocado no livro a essência da religião posso afirmar que a espécie para Feuerbach é o ser humano pleno. A medida da espécie é a medida absoluta, lei e critério do ser humano. Admite a unidade de finito e infinito, só que ao contrario de Hegel que coloca o infinito no absoluto, este inverte colocando o infinito no ser.

A consciência é definida como autoconfirmação, auto-afirmação, amor próprio, contentamento com a própria perfeição humano. É marca características, de um ser perfeito, completo.

O ser humano é o ser-objeto-de-si-mesmo, é ele voltado para si que vai encontrar a confirmação de tal verdade diante do espelho, verdade sobre seu eu próprio sua essência que agrada-se com sua imagem refletida neste, e deve admirá-la, porque não existe algo mais belo e mais sublime do que a forma humana.

  Segundo Feuerbach, Deus não pode ser senão a essência do homem. Falar sobre Deus é falar sobre o ser humano; a essência absoluta, o Deus do ser humano é sua própria essência. A personalidade de Deus é a personalidade do ser humano livre de toda concretude.

Feuerbach procura mostrar que o objeto da religião não é nada mais do que o objeto da autoconsciência, isto é, a própria essência humana. A essência do ser humano é o que constitui o gênero, a humanidade no humano. A essência humana constitui-se da razão, vontade e do coração; estas são as três perfeições essenciais absolutas, são as que Feuerbach afirma ser as constituintes da essência absoluta do ser humano. Ele afirma: “Mas qual é então a essência do homem, da qual ele é consciente, ou o que realiza o gênero, a própria humanidade do homem? A razão, à vontade, o coração”.[12]    

Essas forças são de extrema necessidade para o ser humano, é através delas que a essência do ser humano, transcende o individuo, impulsioná-los para além dos limites de sua finitude. Contudo, essas forças se realizam não no individuo, mas na essência do homem enquanto espécie.

A razão, à vontade e o amor são, portanto, perfeições das quais cada individuo da humanidade participa, no entanto o ser individual não as possui plenamente, uma vez que estas estão acima das realizações individuais. Sua realização dá-se no gênero humano.

Sendo, o individuo um ser limitado, deve reconhecer-se como tal em diferença qualitativa frente gênero. É precisamente pelo fato do individuo tomar consciência da sua finitude, da sua limitação frente ao gênero humano é que consiste a sua diferença frente ao animal. Com relação a isso afirma: “O homem singular por si não possui em si a essência do homem nem enquanto ser moral, nem enquanto ser presente. A essência do homem está contida apenas na comunidade, na unidade do homem com o homem”.[13]

O que se pode deduzir disto é que Feuerbach considera o ser humano enquanto ser genérico e não enquanto individuo, enquanto consciente ou racional e, assim ao considerar a relação indivíduo-essência ou gênero, afirma-se a diferença qualitativa. É, então, pelo fato do ser humano desconhecer tal diferença que ele postula a idéia de Deus. Isto porque, uma vez que o ser humano não conhece o gênero, hipostasia a infinitude das suas qualidades que é própria do gênero como Deus, imaginando assim o gênero como um indivíduo, “Deus”, divinizando-o.

Feuerbach é esta infinita possibilidade que é o ser humano, o que faz dele uma tarefa indefinida, é a partir disto que o ser humano cria o seu Deus como ele é e, converte-o naquilo que ele deseja ser. Deus nada mais é do que o humano livre de todos os limites que condicionam a existência dos indivíduos. Quanto a isto Feuerbach afirma que “Primeiramente o homem cria Deus, sem saber e querer, conforme a sua imagem e só depois este Deus cria o homem, sabendo e querendo, conforme sua imagem”.[14]

O conceito de divino obviamente passa pela compreensão do conceito de Deus, ou seja, para entender o conceito de divino precisamos entender corretamente o conceito de homem, pois em Feuerbach o ser humano é quem criou Deus e a essência de Deus e de sua divindade explica-se entendendo ambos para o ser humano, ou sendo mais claro entendendo o próprio ser humano. “A consciência de Deus é a consciência que o homem tem de si mesmo, o conhecimento de Deus é o conhecimento que o homem tem de si mesmo”.[15]

Sintetizo aqui o conceito de quem é Deus como o que pode ser considerado divino. “O conceito de Deus é dependente do conceito de justiça, de bondade, de sabedoria um Deus que não é bom, não é justo, não é sábio, não é Deus, mas não vice-versa. Uma qualidade não é divina em si e por si, porque sem ela seria Deus um ser imperfeitíssimo”.[16]

Segundo Feuerbach o divino é não negar a essência das qualidades, pois elas compreendem a própria essência do ser divino. O que o Ser humano fala sobre Deus é na realidade o que ele transpõe de dentro de si, uma vez falando do gênero humano e divino. Somente quando compreendemos a unidade da essência humana consigo mesma compreenderemos a essência divina com a humana.   

A religião é o comportamento do ser humano perante seu próprio ser infinito, ela é o meio pelo qual os seres humanos extraem de seu âmago interior, essência o divino contido nele, o ser divino que uma vez expresso é chamado de Deus.  Em contrapartida a religião pode tornar-se um problema quando leva a pessoa independente de si mesma o seu próprio infinito, separando-o, e pondo-o como diferente de si, produzindo a bipolaridade Humano e Divino, alienando, assim, o penúltimo.

Pode-se afirmar que o que é divino para o ser humano é o seu espírito, o que é para o ser humano tanto seu espírito é a sua alma, tanto o coração como sua alma é também o seu ‘ser divino’, o divino é a intimidade revelada, o pronunciamento do eu do ser humano, para Feuerbach a religião é uma revelação solene dos seus mais íntimos pensamentos, a manifestação pública dos seus segredos de ‘espírito’. A vida celestial é a uma verdade apenas para os que vivem plena e verdadeiramente a vida terrena. Diante disso  Deus é incompreensível se eu não conheço a minha essência divina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

III CAPITULO

 

 

PROTAGONISMO HUMANO SEGUNDO FEUERBACH

 

 

 

Agora vou apresentar sucintamente o conceito de religião, a onde Feuerbach expõe a essência da ‘verdadeira’ religião segundo seus princípios.

A crítica de Ludwig Feuerbach a religião, nada mais é do que substituir o absoluto (Deus ou Idéia) pela pessoa humana real, concreta; um ente real, verdadeiro sujeito. Torna-se evidente que a religião é algo especialmente humano, tendo, todavia a razão de ser na essência do homem. Sendo este objeto e fundamento da religião.

O que é religião? É um produto puramente humano, porque a pessoa humana uma vez, não conseguindo satisfazer todas as suas necessidades, ou seja, ver-se livre da necessidade, vai postular e formular um “um ser ilusório”, que é fruto de sua imaginação, que é a projeção dele mesmo como queria ser, ou seja, sem necessidade, livre da necessidade de necessidade. É assim nasce à alimentação religiosa, que é este abandonar a Deus a efetivação de seus próprios valores, encarregando-o de uma missão que cabe ao ser humano realizar. Se ao amor de Deus se substitui o amor da humanidade e se efetiva, cessa a alienação. Na religião o ser humano busca a si mesmo. A alienação religiosa é o humanismo absoluto. 

A religião é a primeira consciência de si assumida pela pessoa humana, mas é ainda indireta. Deste modo a religião antecede a filosofia, quer na historia da humanidade, fundamental para compreender outro foco das teorias feuerbachianas quer na historiado individuo. O ser  humano começa projetando sua essência fora de si, antes de encontra-la em si mesmo.

Após estudarmos um pouco sobre a religião passar a compreender as dificuldades e alegrias da convivência eu, tu, ou seja, a relação sujeito e objeto.

Esta relação, sujeito e objeto é examinada por Feuerbach, enquanto ser consciente, o objeto de sua consciência. Como sujeito consciente, o ser humano não pode prescindir de um mundo de objetos; ou seja, é consciência de objetos. Feuerbach afirma em a essência do cristianismo que a pessoa humana não pode viver sem objetos, sem os objetos da consciência. Pois a partir do contato com seu objeto, o ser humano se torna consciente de si mesmo: a consciência do objeto é a consciência de si do ser humano. Por seu objeto se conhece a pessoa humana; nele aparece sua essência: o objeto é sua essência revelada, seu eu verdadeiro e o objetivo.

Feuerbach faz uma distinção entre o que ele chama de objeto sensível e o objeto religioso. O primeiro está fora do ser humano, e o segundo dentro. Precisamente no fato de ser objeto para a consciência está suposta a objetividade. Além disso, quanto a esta relação está-se dizendo somente que, na objetividade do objeto da consciência, se toma consciência e emerge a própria subjetividade, a autoconsciência.

A analise das relações entre o sujeito e o objeto nos oferece duplo aspecto: um subjetivo, no qual o objeto só existe como produto do sujeito, e outro objetivo no qual o sujeito tenta capta-lo como ele é em si, independente de qualquer relação com ele.

A origem desse tema em Feuerbach e de vital importância para entender-se as idéias, as teses de Ludwig Feuerbach. A este respeito é que a consciência do objeto é sempre autoconsciência, uma vez que o objeto nada mais e do que a própria essência objetivamente. A esse respeito afirma: “Mas o objeto com a qual um sujeito se relaciona essencial e necessariamente nada mais é que a essência própria, objetiva deste sujeito”.[17]

Pode-se inferir desta afirmação que a pessoa humana não é nada sem o objeto, logo, não se pode conhecer-se ou ser autoconsciente sem o objeto, faz-se necessário exteriorizar o objeto para que este ao ascender-se, reconheça-se e chegue a uma nova identidade. Não se chega de imediato a autoconsciência, é preciso passar pela mediação do objeto ou objetivação da própria essência. Isso Feuerbach afirma em:

“Por isso toma o ser humano consciência de si mesmo através do objeto: a consciência do objeto é a consciência que a pessoa humana tem de si mesmo”.[18]

Uma outra citação talvez deixe mais claro a relação sujeito e objeto. “Grandes homens, homens exemplares, que nos revelam a essência da pessoa humana, confirmaram esta frase com sua vida. Tinham apenas uma paixão fundamental dominante: a realização da meta que era objetivo essencial da sua atividade”.[19]

Feuerbach quer com isso negar a objetividade da consciência, acentuando a subjetividade a ponto de querer mostrar que os objetos – quaisquer que sejam, espirituais os sensíveis nada mais são do que a própria essência objetiva.

Não posso deixar de citar novamente Feuerbach para melhor explicitar minha afirmação. “Através do objeto conheces o ser humano; nele a sua essência te aparece; o objeto é a sua essência revelada, o seu Eu verdadeiro, objetivo. E isto não é valido somente para os objetos espirituais, mas também para os sensoriais. Também os objetos mais distantes do pessoa humana são revelações da essência humana, e isto porque e enquanto eles são objetos para ele. Também a lua, o sol e as estrelas gritam o conheça-te (sic) a ti mesmo. Pelo fato dele os ver da forma que ele os vê, tudo isso já é um testemunho da própria essência”.[20] 

Contudo, apesar desse seu subjetivismo Feuerbach afirma que não quer cair no subjetivismo absoluto ao dizer: “Do fato de que os objetos, porque e enquanto o ser humano os conhece, sejam espelhos da sua essência, não segue a irrealidade dos objetos ou a pura subjetividade do conhecimento”.[21]

Querendo ainda fugir desse subjetivismo absoluto, busca mostrar que, apesar dos objetivos espirituais e sensíveis serem manifestações da própria essência, os objetos sensíveis distingue-se da consciência, residindo  fora dela, enquanto que os espirituais coincidem imediatamente com a consciência. Sobre isto afirma: “O objeto sensorial está fora da pessoa humana, o religioso está nele, é mesmo íntimo (...) é na verdade o mais íntimo, o mais próximo”.[22]

Com isso reduz a relação entre sujeito e objeto a um único elemento: o subjetivo e, assim reduzindo o objeto da religião ao órgão da percepção.

Chegando ao final de minha pesquisa abordarei o predicado Feuerbachiano que com certeza fechará com perfeição nossa exposição. Feuerbach havia demonstrado, em A Essência do Cristianismo, a tese espantosa para o período, “que a essência da religião é a essência do ânimo humano, e que a teologia pode ser explicada pela antropologia”[23]. Feuerbach discorre apresentando as representações e também os segredos atribuídos a um ‘ser sobre-humano’ não eram mais do que representações humanas naturais, e que aquilo que no imaginário pairava no Céu, pode ser encontrado sem maiores dificuldades no solo da Terra. Assim sendo, a ser humano transporia para o Céu o ideal de justiça, bondade e virtude que não conseguia realizar na terra, transportaria para um grau universal e absoluto atributos e qualidades de si mesmo. Todos os Deuses não seriam então, mais do que criações humanas.

 Feuerbach reconhece o sistema de Hegel como uma teologia especulativa, e critica a Idéia absoluta, que seria baseada na revelação e encarnação cristãs, ultrapassando assim o racional e se tornando teologia. Coloca em seu lugar a noção de Ser genérico da pessoa humana. A teologia, religião institucionalizada, é fonte de dogmas a abstrações metafísicas que perdem a ligação com o real e palpável.

 Cada religião pretende ser a detentora da verdade, e isso é motivo de fanatismo e intolerância com outras formas de pensamento. A verdade acessível apenas a alguns (revelada pela fé), sem critérios objetivos, torna fácil a manipulação de pequenos grupos sobre os demais, por se tratar de algo que não pode ser demonstrado com base em elementos sensíveis. Feuerbach inicia A essência do Cristianismo dizendo que o pessoa humana difere do animal por ter uma consciência no sentido estrito, ou seja, sua consciência (tem por objeto o seu gênero, a sua essencialidade)

“1 Essa consciência do pessoa humana enquanto espécie, que é próprio deste por fazer parte de sua ciência, o difere do animal. Do outro lado está a consciência de si. Afirma Feuerbach sobre ela: A consciência de Deus é a consciência de si do ser humano, o conhecimento de Deus é o conhecimento de si pessoa humana. Pelo seu Deus conheces o pessoa humana e, vice-versa, pelo pessoa humana conheces o seu Deus; é a mesma coisa”[24].

“2 Essa idéia de que a natureza dos deuses difere na mesma proporção da natureza dos povos não é nova. Feuerbach realmente desenvolve algumas frases dos pensadores pré-socráticos, como sua frase de que o ‘ser é, o não ser não é’, tomada emprestada de Parmênides e aplicada em um contexto mais profunda”[25].

Xenófanes de Colofão, mestre de Parmênides, ficou famoso por ser um dos primeiros filósofos a defender a unidade da divindade, o monoteísmo. Também afirmava, como Feuerbach, que a natureza dos Deuses variava com a natureza de quem os adorava. Vejamos os seguintes fragmento de Xenófanes: Mas se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões e pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens, os cavalos semelhantes aos cavalos, os bois semelhantes aos bois, desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam tais quais eles próprios têm.

E mais adiante, os egípcios dizem que os deuses têm nariz chato e são negros, os trácios, que eles tem olhos verdes e cabelos ruivos. “3 Por esses trechos, vê-se que, mesmo antes da ascendência do Deus cristão, já havia uma crítica à antropomorfização dos Deuses. Para Feuerbach, uma essência finita não pode ter a mais remota idéia de uma essência infinita. Também Hegel afirma, em Introdução à História da Filosofia, que o pessoa humana não pode conceber o que é o Infinito porque só pode empregar para isso categorias finitas”[26]. A religião cristã pretende a essência da pessoa humana infinita, mas para Feuerbach a pessoa humana só pode ter consciência de tal essência se ela for razão, vontade e pensar. A consciência de si da pessoa humana vem pela consciência do objeto.

 Feuerbach inicia assim sua busca de superação do subjetivo. O que nas antigas religiões era considerado objetivo, hoje é apenas reflexo de idéias que só podem ser sentidas por abstrações, pertencendo portanto ao interior do pessoa humana. Feuerbach constata que a teologia se transformou em antropologia há muito tempo. Sua crítica às religiões pretende ser universal, buscando o que há de comum a todas as religiões. Chega à conclusão de que o mundo transcendente e a caracterização humana dos personagens divinos é comum nas religiões. Porém, essa generalização é no mínimo complicada.

Muitos povos não podiam separar o sujeito do objeto, ou seja, o indivíduo nada mais era do que parte integrada do ambiente, e não podia ser entendido fora do seu quadro social. A religião muitas vezes não reconhece em sua idéia de divindade características humanas. Pois, afinal, a pessoa humana é apenas uma parte do todo, e nesse caso Deus é identificado com a totalidade da Natureza. Isso ocorre no panteísmo e em algumas religiões indígenas e orientais.

A natureza é entendida como um complexo sistema de ambientes que existe independente da percepção humana. O egoísmo e a vaidade são os responsáveis por representar a divindade como algo humano, e a raça humana como herdeira da Terra. De fato, não é preciso ir muito longe para concluir que a idéia do planeta existir para servir ao ser humano constitui equívoco grave. O que Feuerbach fala é válido sobretudo para a religião judaico-cristã. No Velho Testamento está escrito que Deus fez   humana à sua imagem e semelhança, e no Novo Testamento é um pessoa humana que se faz Deus. Para Feuerbach isto é uma inversão da relação sujeito-predicado. A pessoa humana cria um sujeito infinito e atribui a ele a criação de si. 



[1] Ramos, César Augusto. Revista de Filosofia. UFPR, 1980. p.12.

[2] Cruz, Estevão. Compêndio de Filosofia, p.12

[3] Cruz, Estevão. Compêndio de Filosofia, p.24.

[4] Marx, Karl. Teses Sobre Feuerbach. Baderna, p. 07.

[5] Reale, Giovanni e Antiseri, Dario. História da Filosofia: Do Romantismo até nossos dias, p.194.

[6] Zilles, Urbano.Filosofia Da Religião,p.104.

[7] Ibid. p.107.

[8] Ibid. p. 100.

[9] Rosental, M.M. e Iludin, P..F., p.33.

[10] Zilles, Urbano. Filosofia da Religião.p 124.

[11] Feuerbach, Ludwig. Princípios da Filosofia do Futuro. P.98.

 

 

[12] Feuerbach, Ludwig. A essência do cristianismo, p. 44.

[13] Feuerbach, Ludwig. Princípios da filosofia do futuro e outros escritos, p.70.

[14] Feuerbach, Ludwig. A essência do cristianismo, p.41

[15] Feuerbach, Ludwig. A essência do cristianismo, p.55.

[16] Ibid. p. 64.

[17] Feuerbach. A essência do cristianismo, p.46.

[18] Ibid.

[19] Ibid.

[20] Ibid.

[21] Amengal, Gabriel. Críticade la religión y antropologiaen L. Feuerbach, p.55.

[22] Feuerbach, A essência do cristianismo, p.55.

[23] Marx, Karl. Baderna:Teses sobre Feuerbach, p.4

[24] Marx, Karl. Baderna:Teses sobre Feuerbach, p.4

 

[25] Marx, Karl. Baderna:Teses sobre Feuerbach, p.4

[26] Marx, Karl. Baderna:Teses sobre Feuerbach, p.6