Segunda Guerra Mundial
O objetivo deste material é propor o estudo do
processo de "construção" de uma guerra que envolveu países de quase
todos os continentes.
O material é baseado na série 1939-1945: Anos de Chumbo
produzida pela TV Cultura e que conta com farto acervo de imagens da época,
além de comentários e análises de historiadores e especialistas brasileiros.
1 - O PERÍODO ENTRE GUERRAS
Ao fim da 1ª Guerra
Mundial, o Tratado de Versalhes impõe severas e humilhantes punições à
Alemanha, que, além de perdas territoriais, vê seu exército desarmado e
reduzido, fica proibida de fabricar armamentos e é obrigada ao pagamento de
pesadas indenizações de guerra à Grã-Bretanha e à França.
Isso ajudaria a compreender o nacionalismo radical despertado na Alemanha no
curto período que antecedeu a 2ª Guerra.
Cabe analisar a política internacional depois da 1ª Guerra, a grande crise
econômica nos Estados Unidos, em 1929, e suas conseqüências no mundo todo.
2 - A CONSTRUÇÃO DA GUERRA
"Exigimos terras para alimentar o nosso povo e nelas instalar nossa população excedente". Este brado do programa do Partido Nacional Socialista (NAZI), começa a ser posto em prática com a anexação da Áustria e a ocupação da Tchecoslováquia por tropas alemãs, sem qualquer reação por parte do resto da Europa.
Na Conferência de Munique, Grã-Bretanha e França
chegam a dar legitimidade à ação alemã na Tchecoslováquia. Mas quando Hitler
ocupa a Polônia, aliada dos britânicos, Londres sente-se ameaçada e declara
guerra à Alemanha. A França faz o mesmo.
Nesse tema, cabe uma reflexão sobre a ascensão do fascismo em Portugal e na
Espanha, o expansionismo italiano na África e o expansionismo japonês na Ásia;
e o acordo mútuo de não agressão entre a União Soviética de Stalin e a Alemanha
de Hitler.
3 - A ALEMANHA NAZISTA
Em seu livro Mein Kampf, publicado no início dos
anos 20, Adolf Hitler diz: "Chegou o dia que não mais passei de olhos
vendados: reconheci os inimigos da minha raça - eram judeus ... Acabei por
reconhecer os judeus pelo cheiro e, sob sua porcaria repugnante, descobri as
taras morais do 'povo eleito' ".
A partir de 1935, quando Hitler já se encontrava no poder,
as Leis de Nuremberg, criadas para discriminar os judeus, tornam o
anti-semitismo política oficial da Alemanha. Apoiados na violência de grupos
paramilitares e numa eficiente máquina de propaganda, os nazistas deram voz e
exacerbaram sentimentos latentes de nacionalismo, racismo, anti-semitismo,
arianismo, antimarxismo e anticapitalismo. Nos anos 80 e 90, grupos neonazistas
trazem de volta à Alemanha os mesmos métodos violentos. As vítimas de hoje são
migrantes estrangeiros, especialmente os turcos.
4 - A EXPANSÃO DA GUERRA E AS RESISTÊNCIAS
"A autoridade do meu governo é discutida. As
ordens são mal executadas. É preciso desde agora vencer a resistência de todos
os adversários, dizimando seus chefes".
Esta frase foi dita por um herói francês da 1ª Guerra
Mundial que acabava de se tornar o chefe do governo nazista da França ocupada
pelos alemães: o Marechal Philippe Pétain. Antes de conquistar Paris, as tropas
alemãs anexaram a Áustria e ocuparam Tchecoslováquia, Polônia, Dinamarca,
Noruega, Bélgica, Holanda, Grécia e Iugoslávia; esta última, com o auxílio de
tropas italianas, húngaras e búlgaras, integrantes do Eixo Roma-Berlim-Tóquio.
Ao atacar também o norte da África, a Alemanha e a Itália estão atacando os
impérios coloniais da França e da Grã-Bretanha.
E após a ocupação da França, a Grã-Bretanha é o único país
da Europa Ocidental ainda não atacado pelos alemães. Hitler decide iniciar a empreitada
com o bombardeio aéreo de Londres. Como se constituíram as resistências
nacionais ao avanço alemão e o engajamento nelas dos comunistas, para quem o
nazi-fascismo passou a ser o inimigo prioritário?
5 - A UNIÃO SOVIÉTICA E A GUERRA
Em dezembro de 1940,
enquanto soviéticos e alemães ainda viviam sob um pacto de não-agressão, Adolf
Hitler dizia a seus generais: "As Forças Armadas Alemãs devem estar
preparadas para esmagar a União Soviética numa campanha rápida".
Pouco tempo depois, em junho de 1941, a União Soviética foi invadida pelas
tropas alemãs e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill declarou:
"Surpreendentes foram as falhas de cálculo e a ignorância que Stalin
revelou a respeito do que estava para lhe acontecer".
A Alemanha ataca a União Soviética em três frentes e inicia-se aí a mais
sangrenta de todas as empreitadas militares da guerra, que durou quatro anos e
custou, só aos soviéticos, a perda de 20 milhões de pessoas.Os alemães são
finalmente contidos em Stalingrado, onde se iniciam a contra-ofensiva soviética
e a grande virada da 2ª Guerra. Os soviéticos dão um ultimato ao comandante
alemão, mas Hitler o proíbe de se render. O Exército Vermelho expulsa os
alemães e avança rumo a Berlim. Os países do Leste Europeu libertados do jugo
nazista são englobados na zona de influência soviética e Stalin é transformado
no novo grande inimigo do Ocidente, tomando o lugar que, até pouco tempo antes,
era de Hitler.
6 - JAPÃO E ESTADOS UNIDOS NA GUERRA
Ao integrar o Eixo, o Japão obtém o apoio alemão e italiano para sua intenção de formar uma "Grande Ásia Japonesa". Em 1940, com a ocupação da França pela Alemanha e com a paralisia da Grã-Bretanha, os japoneses passam a crer que as suas ambições no extremo oriente e no sudeste da Ásia são ameaçadas agora por um único rival: os Estados Unidos.
Conquistam a Mandchúria, a Tailândia e a parte norte da
Indochina Francesa (atuais Vietnã, Laos e Cambodja), cortam a rota da Birmânia
e passam a fazer pressão sobre as Índias Holandesas (atual Indonésia). A
Grã-Bretanha e os Estados Unidos se articulam para conter o avanço japonês. Em
194l, o Japão ocupa Hong Kong e a Malásia e bombardeia a base americana de
Pearl Harbour, no Hawai. Cinco mil soldados americanos são mortos. Consta que o
Presidente Roosevelt sabia de antemão que o ataque aconteceria mas nada fez
para impedi-lo: os Estados Unidos precisavam de um bom argumento para entrar na
guerra.
7
- O BRASIL NA GUERRA
Em 1937, o Presidente Getúlio Vargas dá um golpe de estado
e implanta no Brasil um regime inspirado no fascismo italiano. Em 1940, Getúlio
acena com a possibilidade de construir uma siderúrgica no Brasil, com o apoio
da indústria alemã Krupp. Os Estados Unidos concedem imediatamente um crédito
ao Brasil para financiar a siderúrgica sem a participação alemã. Dois anos
depois, Getúlio declara guerra aos países do Eixo. No início dos anos 90, vem a
público um documento reservado do Exército norte-americano revelando planos de
invasão do Brasil pelos Estados Unidos caso Getúlio não aderisse aos aliados.
Na Conferência do Rio de Janeiro, em 1942, vinte e uma
nações latino-americanas reconhecem no ataque japonês a Pearl Harbour uma
agressão ao continente e começam a declarar guerra ao Eixo. A FEB (Força
Expedicionária Brasileira) combate na Itália.A aviação mexicana combate nas
Filipinas. A Força Aérea Paraguaia faz patrulhamento aéreo no Atlântico Sul. A
Argentina e o Chile também se envolvem no conflito. Os demais países do
continente participam do esforço norte-americano de guerra fornecendo
matérias-primas. Foi a primeira grande vitória diplomática dos Estados Unidos
no continente.
8 - A DERROCADA DO EIXO
O crescimento das ações
aliadas na África e no Mediterrâneo abala o prestígio do regime fascista na
Itália. A derrota alemã nas estepes soviéticas e a invasão da Normandia por
forças aliadas fazem Hitler perder o poder de iniciativa. A resistência das
populações passa a ser decisiva para a derrocada do nazi-fascismo. Aos poucos,
as nações ocupadas vão se libertando do jugo nazista.
Na Itália, Mussolini é afastado do poder pelos próprios dirigentes fascistas, é socorrido pelos alemães mas acaba preso e executado pela população."O povo alemão sofreu de maneira indescritível: é tempo de acabar com tantos horrores", é o que escreve o comandante-em-chefe alemão Von Kluge, pouco antes de cometer o suicídio, numa mensagem deixada a Hitler. Goering ameaça iniciar conversações de paz com os Estados Unidos. Himmler propõe uma paz em separado a americanos e ingleses, mas Churchill não aceita: os alemães têm de se render incondicionalmente à Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética.
9 - A TECNOLOGIA DA GUERRA
Os anos da guerra
assistem a uma aliança definitiva entre a ciência e o poder de destruição. Os
governos fazem investimentos maciços em tecnologia bélica e atingem o saldo de
50 milhões de mortes.
Dos fornos crematórios nos campos de concentração alemães às pesquisas de armas
bacteriológicas dos japoneses e à bomba atômica norte-americana, passando pelas
bombas voadoras V-2 alemãs e pela enorme tralha tecnológica de espionagem e
contra-espionagem de todos os países envolvidos na guerra, há em tudo a
presença marcante da indústria bélica, de cientistas e do dinheiro.Ao término
da guerra, tudo se justifica em nome do que se chama "neutralidade
científica". É em nome dela que o alemão Werner von Braun e o japonês
Shiro Ishii são perdoados e incorporados à ciência norte-americana e que o
italiano Bruno Pontecorvo pode se tornar um dos pais da bomba atômica
soviética.
10
- O SALDO DA GUERRA
50 milhões de
mortos, dentre os quais 20 milhões de soviéticos e 6 milhões de judeus. Será
assim que se dimensiona o saldo de uma guerra ? A propaganda é a arma
fundamental dos vitoriosos, enaltecendo batalhas cheias de glória e consagrando
seus heróis. Mas será possível falar em heróis e glórias numa guerra que matou
50 milhões de pessoas ?
As forças nazistas deixaram atrás de si populações massacradas em cidades e
países destruídos, sem falar de seus campos de concentração, onde morreram
milhões de judeus, eslavos, ciganos, comunistas, deficientes físicos e
homossexuais. Mas também os aliados cometeram crimes de guerra: massacraram a
população civil de Dresden e de Berlim e despejaram bombas atômicas sobre
Hiroshima e Nagasaki.Os lucros obtidos com a guerra ultrapassam os 2 bilhões de
libras esterlinas. Como se "faz" dinheiro na guerra?
11
- O MUNDO PÓS-GUERRA
Em 1946, o
ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill diz: "Uma cortina de
ferro desceu sobre a Europa. Eu não acredito que a Rússia soviética deseje a
guerra. O que ela quer são os frutos da guerra e a expansão indefinida de seu
poder e de suas doutrinas."
Churchill usava aí, pela primeira vez, a expressão "cortina de ferro"
para se referir à nova área de influência soviética. A reorganização
geopolítica do mundo já vinha sendo discutida desde 1943, quando Roosevelt,
Stalin e Churchill se reuniram em Teerã, no Irã. Com o fim da guerra, Alemanha,
França e Itália e Japão estão destruídos; a Grã-Bretanha se encontra à beira da
exaustão. Os grandes impérios coloniais desmoronam, os países da África e da
Ásia passam por processos de descolonização. Estados Unidos e União Soviética
emergem como as grandes potências do planeta. Em pouco tempo, a tensão entre as
potências se acirra. A polarização das disputas internacionais entre o bloco
ocidental e o bloco soviético vai marcar o compasso nas décadas seguintes. É a
Guerra Fria que começa.