_Largue-me, sim? Você não tem o direito de me prender desta maneira!!!

Era inútil lutar contra alguém que no mínimo seria cinco vezes mais forte, no entanto a pontada fina que experimentava em seu coração multiplicava sua agilidade e teimosia, e assim continuava á se debater como um animal em perigo as vésperas do abate.

_Kaoru, pare com isso! Seijuro tem razão, é melhor se acalmar, não há nada que possamos fazer por enquanto.

A voz de Sanosuke soava estranha, misteriosamente racional e vazia. Ele mesmo sentia-se oco, sem perspectiva, e assustado.

Parece que não conhecíamos Kenshin, como deveríamos... Mas este era um pensamento louco, louco e inaceitável para qualquer um que se relacionasse ao dojo Kamiya.

_Deixem-me em paz! _Kaoru suplicou, então Seijuro compreendeu que ela não pretendia cometer nenhuma loucura, como harakiri..._ Quero apenas chorar.

E correndo, correndo sem parar, com os cabelos esvoaçando contra o rosto lá foi a jovem Himura, com passos guiados ao rio e lembranças que não voltariam jamais.

_Kenshin, por quê fez isso? Porquê?
 
 


Rumo a Terra Longínqua

A Retalhadora






Kenshin havia cumprido as ordens de Yamagata, e pelo visto Aoshi também, há cerca de quatro horas já estavam em alto mar, e o doce balanço do navio o apaziguava de seus pensamentos, numa misteriosa e inebriante letargia.

_Hei, você! Como veio parar aqui? _Uma voz soou amiga logo ao lado de Kenshin.

_Oro? _ Com a súbita partida de Tóquio, e os detalhes apenas superficialmente combinados, Battousai de repente dava-se conta de que não havia pensado sobre o que dizer, caso alguém lhe perguntasse exatamente aquilo: o motivo de estar num navio de escravos.

_Olá ruivo, falei com você!

_Desculpe._ Pausa. _ Ah, sim...Sou lavrador, e tenho trabalhado nos campos de arroz a leste de Edo, desde a Restauração Meiji.

_Ah, bom...Como se chama? Eu sou Usuki Makagashi, e também sou camponês, e você?

_Himura, Kenshin Himura.

_Estranho! Este nome me parece tão familiar...

Também conhecido como Battousai O Retalhador...

_Por acaso já nos encontramos antes?

_É que durante muitos anos fui um andarilho, e estive em diversos lugares, talvez seja a razã...

_Shh, o agente do governo encarregado da migração vai fazer a inspeção!

_Todos de pé, por favor.

A voz de Saitou soou seca, dura e desprovida de qualquer sentimento ou simpatia, enquanto com o cabo da espada japonesa, ele ia estocando um a um os homens magros e alquebrados, até que formassem duas filas simétricas.

Os olhos de Kenshin passaram de Aoshi, portanto perfilado um pouco mais á esquerda, até pousarem em Hajime Saitou.

Estranhamente aquele papel parecia perfeito para ele, e poderia soar como loucura a ouvidos desavisados, mas tudo indicava que até prazer o Lobo de Mibu estava experimentando com aquela terrível incumbência.

_As regras são as seguintes: Dormir demais calabouço, comer demais - calabouço, feder demais - calabouço, falar demais - língua cortada, rebelião- a morte.

Logo se eu vir o menor sinal de qualquer uma das indicações acima, garanto não terei piedade em fazer cumprir as regras, entenderam?

_Hai.

Os trinta e nove homens responderam em uníssono e naquele segundo, numa mínima fração de segundo, Shinomori fitou Kenshin com cumplicidade.

_A propósito, sou Gorou Fujita, delegado de polícia... Designado para acompanha-los até seus destinos finais no Havaí. _ E logo em seguida, após apenas três passadas com suas pernas longas, Saitou lançou a ironia: _ Fique esperto, Himura, não vá querer se tornar um mártir nas minhas mãos... _ Fora a confissão explícita de Saitou, quando chegara a vez do espadachim, ser por ele inspecionado.

Maldito, não sei se serei tão complacente em nosso duelo!

Cruzar um oceano era sempre uma aventura, mas o desconforto do porão de um navio em nada acrescentava romance ou emoção, aquela jornada. Kenshin estava acordado, mesmo que seu corpo delicado, suplicasse terminantemente que era momento de parar, e recobrar forças para mais um dia de viagem; ele persistia em alerta, como um ex-integrante Ishin Shishi sempre pronto para o combate.

Parecia uma eternidade, mas só contavam três dias, três terríveis e intermináveis dias, que singrava a superfície do mar encapelado até um estranho arquipélago no Pacífico, Honolulu.

Na embarcação existiam os mais diversos tipos de rumores, especulações e boatos. No entanto, o que indicava ser mais concreto era que seriam remanejados até uma tal de plantação de abacaxis, uma fruta muito estranha, extremamente doce e cítrica, com inúmeros espinhos em sua casca, além de uma exótica coroa verdejante como talo.

_Abacaxis, nós vamos plantar abacaxis... Pelo que dizem senhor Himura, ele cresce no chão como uma raiz, e durante a colheita nossas mãos ficam tão inchadas de arranca-las da terra fofa, que mal conseguimos fechar os dedos depois do trabalho.

Essa não, se isto acontecer como poderei manejar uma espada?

_Senhor Himura? _ Usuki desde que embarcara parecia ter nutrido uma simpatia imediata por Battousai, que no entanto, permanecia frio e arredio ás tentativas de aproximação daquele pobre coitado. Jurara para si mesmo quando aceitara aquela missão, que não mais se tornaria suscetível á condição humana, ou permitiria ligar-se por vínculos afetivos a qualquer outra pessoa como fizera no dojo Kamiya. _ Por quê tenho a impressão de nunca ouvir o que falo?

_Não sei se devo contar, é que estou, estou com saudades de alguém muito especial... Alguém que eu deixei em Tóquio.

_Sua esposa?

_Sim, como sabe?

_Nesta madrugada quando estava dormindo, chamou o nome dela umas duas, ou três vezes : Kaoru, se não me engano.

_...

É Himura Kaoru.
 
 

O dojo Kamiya havia se tornado um lugar extremamente triste e vago, como se a essência da paz e da alegria, houvesse sido roubada por algum espírito malévolo.

Entretanto Kaoru estava decidida, não ia se deixar abater, e se uma vez Kenshin partira e retornara de uma perigosa batalha... Algo dentro dela fazia-na acreditar piamente que esta possibilidade poderia se repetir mais uma vez.

Ele era um homem cauteloso, que ansiava em preservar os amigos acima de tudo, e ao analisar esta condição de uma maneira mais racional; aquela carta que Himura escrevera num momento de dúvida, só teria uma explicação: não molestar ainda mais aos que amava.

Durante os conflitos da Era Tokugawa, sua fama viera do fato de que sempre enfrentara as batalhas sozinho, mesmo quando a missão implicava a defesa dos Ishin Shishi.

Esta era a réstia de esperança com o que se agarrar, a réstia de coragem para prosseguir e aguardar, aguardar, aguardar...

Com os dedos correndo pela cabeleira, ela tocou a base da nuca, onde o fervor dos beijos de Himura ainda persistiam.

A shinai estava em riste, em pose de combate a um inimigo invisível.

" Uma espada é uma arma, kenjutsu uma técnica de assassinato..."

_Não! O estilo Kashin prega a espada pela vida, e assim será Kenshin! Defenderei com honra o seu nome. Sei que um dia irá voltar, e alguma coisa me afirma isso!

_Kaoru?

_Estou aqui, _ela respondeu ao ver que Sanosuke parecia cauteloso, cheio de dedos e dúvidas, tinha sido assim desde o dia que Himura havia partido; e ela precisava provar que ficaria tudo bem, _se veio pedir dinheiro emprestado pode dar meia volta, agora que Kenshin foi embora, estou com reservas só até o fim do mês.

_O que pensa de mim, hein? Vim convida-la para ir até a cidade, está trancada no dojo há cinco dias! Não pode ficar se lamentando, e...

_Quem está se lamentando, _ela explodiu enquanto avançava com a shinai, _ por acaso está vendo algum bebê chorão por aqui?

_Eu apenas...

_É melhor me dizer logo o que quer!

_Calma Kaoru, espere, todos nós sabemos o quanto está sendo difícil a vida no dojo sem Kenshin, mas só queria mesmo ajudar, pega leve!

Kaoru baixou a guarda afinal.

_Desculpe, tem razão. E está bem, aceito ir a cidade; estou mesmo precisando comprar missô. Volto num segundo.
 
 

O sol matinal estava frio, com nuvens que prenunciavam uma torrencial chuva de monção, Kaoru seguia silenciosa pelas ruas da cidade com o vento a assanhar-lhe os pensamentos. Todos os detalhes daquela alameda de prédios coloridos, com suas bandeiras repletas de ideogramas, que iam do Akabeko até a praça central, relembravam grande parte das aventuras que desfrutara ao lado de Himura.

"_Battousai, O Retalhador!

_Oro?

_Finalmente o encontrei!

_...

_Foram dois meses de mortes, mas seus assassinatos terminam hoje, prepare-se!"

O lugar era aquele, ela sabia. Podia passar milênios, mas jamais esqueceria daquela ruela...Onde há três anos Kaoru o encontrara como um mendigo, um andarilho sem lugar para ir.

_Kaoru? Kaoru você tá legal? _Sano insistiu, enquanto a jovem permanecia estática fitando o nada, ou pelo contrário...O tudo que conhecia.

_Sim, sim, estou bem...É que foi aqui, bem neste lugar que eu o conheci, e...

A frase de Kamiya ficara subitamente suspensa no ar, porque de uma das pequenas acomodações em cortiços, surgira uma moça gritando a plenos pulmões.

_Seus desgraçados, eu vingarei meu irmão!

Ela não era muito mais alta que Kaoru, o rosto marcado numa profunda tristeza, escondido por trás de uma massa de cabelos presos em longa trança, que caíam de uma touca improvisada feita com trapos.

Estranhamente estava vestida como um menino, calças curtas, sapatilhas e uma gi de luta. Trazia na mão a espada japonesa com a lâmina partida; mas o que realmente impressionava era mesmo seu olhar.

Vazio, sim vazio. Sem brilho, e que parecia fitar em todas direções!

_Macacos me mordam, ela é cega Kaoru!

_Precisamos ajuda-la, vamos faça alguma coisa Sanosuke!

_É pra já!

E assim soltando o par de baldes presos por uma tipóia ás costas, Sanosuke fechou os punhos. Eram três oficiais do governo, e um deles ostentava a insígnia de capitão.

Nunca topei com caras de uniforme...

_Hei, rapazes! Que tal enfrentarem um sujeito do tamanho de vocês só pra variar?

Então o líder deles falou afinal: _Ora, ora...Eu conheço você! É o fanfarrão do alojamento para vagabundos, que usa o ideograma "mal" nas costas, um dos filhotes da Sekihoutai.

_Não ouse a difamar o nome do capitão Sagara na minha frente, ou... _Com um estalar de dedos, a mão direita de Sano ficou lacrada como uma grande concha.

_Ou o quê? Acredita mesmo que uma luta com punhos, vai se comparar com o fio de uma katana?

_Garanto, já derrotei gente muito melhor que você só com o meu indicador!

Kaoru parecia apreensiva, mas suas atenções naquele instante não estavam unicamente voltadas para o brutamonte irritadiço, que todos conheciam como "Crista de Galo". Precisava mesmo era saber o que de tão errado aquela garota havia feito para provocar a ira de três oficias do governo, de uma maneira tão absurda!

_Olá, o que está acontecendo por aqui? Posso ajudar nalguma coisa?

_Pode! É só me largar moça, que já terá feito o bastante! _A garota se debatia tal um peixe apanhado numa rede. _Não preciso de ninguém para intervir na minha vida! Saia da frente, por favor, preciso terminar o que vim fazer nesta cidade!

_Vamos, acalme-se, parece muito bravinha para alguém do seu tamanho!

Oh, oh, a rota falando da maltrapilha? Ela mesma não era um exemplo a ser seguido, mas...

_Quem é você?

_O meu nome é Makagashi, Kamy Makagashi, e vim a Tóquio vingar o meu irmão!

_O seu irmão?

_Aqueles três o arrancaram de nossa casa em Hokkaido, disseram que iriam leva-lo para trabalhar numa tal de ilha chamada: Havaí, e desde então não temos mais ninguém para cuidar de mim, e dos outros pequenos. Usuki era a única pessoa que nos restava, desde que Battousai matou toda nossa família, durante os conflitos da Era Tokugawa.

_Battousai? Battousai O Retalhador?

_Ele mesmo! Quem mais?

Kenshin!!!

Sanosuke Sagara em 1880 tinha 21 anos, numa época em que a desnutrição imperava, e a maioria dos nipônicos com o próprio Kenshin, não passavam de um metro e sessenta...Ele destacava-se na multidão com sua altura imponente, arrogância desmedida, e cinismo perene.

Se todos já sabiam que o ideo de "mal" , que ostentava nas costas tratava-se apenas de um disfarce, suas técnicas como lutador de aluguel haviam se aprimorado...Principalmente no futai no kiwame, aprendido com o Monge Anji durante a guerra de Edo.

De fato as coisas andavam meio pacíficas para Sagara, há mais de dois meses que não se envolvia numa boa briga, nem mesmo por diversão! Portanto comprar aquela luta era mais que uma obrigação, seria um verdadeiro prazer!

_Aaaaaahh!!!

Sano mal podia esperar por um contra-ataque, por isso com toda a excitação necessária á uma boa batalha, ele correu em direção ao adversário com a respiração arfante, os olhos flamejantes, e o coração acelerado, como se mil cavalos corressem sobre chão batido naquele minuto.

_Chegou a hora de sua morte!!!

Com o polegar sobre a bainha, o capitão da guarda oficial sacou a katana, enquanto Sano o fitava atentamente entre os olhos... No entanto, o primeiro soco de Sagara fora prontamente defendido, com um golpe lateral que com o corte do vento, fez com que Sano fosse projetado para um monte de lixo, recostado atrás duma barraca de frutas.

_Hei, vocês estão loucos? Quem vai pagar meu prejuízo? _O feirante gritou, mas não obteve qualquer resposta.

_Sano!!! _ Era a vez de Yahiko surgir na história, pois saindo do Akabeko ele viu o amigo alquebrado, caído sobre um monte de cascas de batata.

_Dê o fora daqui Yahiko, esta é uma luta de gente grande, sim?

_Ya-hi-kooo!!! _Kaoru o chamara, mas parecia inútil, pois armado para a luta o pequeno e destemido discípulo do estilo Kashin, partira no contra-ataque aos outros dois oficiais subalternos, que pareciam se divertir com a briga de Sanosuke e o capitão.

_Estilo Kamiya Kashin!!! _A shinai se fez respeitar, quando com velocidade aperfeiçoada, Yahiko voou por cima dos rapazes de uniforme, num salto que o fez alcançar o telhado baixo de uma pequena loja de tecidos, não antes de os derrubar com um golpe nas costelas, não antes de roubar a atenção do capitão tempo o suficiente, para Sanosuke se recuperar e voltar ao combate.

_Bom trabalho Yahiko, é isso aí!

Então ele se reergueu, a perna direita estava levemente flexionada, enquanto a esquerda se estendera numa posição que denotava toda a flexibilidade do guerreiro. E assim ele correu, correu contra o ataque da katana voraz, com lâmina tão afiada capaz de cortar papel, e não deixar nem ao menos um vínculo. E com um giro rasteiro, ele conseguiu se desviar do rastro de poeira que a espada descrevera ao seu redor, e se aproveitando da própria condição do adversário desferiu um soco bem no estômago do capitão.

Que atordoado, caiu ao chão jogando uma lufada de sangue no rosto de Sanosuke Sagara, o temido lutador zanza dos guetos de Tóquio.

E a chuva começou á dar seus ares, aos poucos as pessoas correram para se esconder, apenas Kaoru, Sano, Yahiko além da jovem misteriosa permaneciam no meio da avenida enlameada.

_Ah , á propósito esqueci de me apresentar, eu me chamo Himura, Kaoru Himura, este é Sanosuke Sagara, e o menino é o Yahiko Miyojin, discípulo do dojo Kamiya...

Com a ponta dos dedos Kamy tocou o rosto de Yahiko, sentido sob seus dedos os contornos quase engraçados do rosto do menino, que já começava a se tornar um homem. Então Sanosuke sentindo todo o peso do mundo, e o cansaço satisfatório se aproximou.

_Se me der licença senhorita?... _Segurando o pulso fino da donzela, ele a ajudou a sentir as nuances de seu rosto, e por um fragmento de minuto houve química no ar, ou mágica quem sabe? Porque ela, a mulher misteriosa simplesmente sorriu.

_Sagara San, você se parece com meu pai.
 
 

Quando Aoshi Shinomori aceitara a missão, sabia muito bem dos riscos que teria de enfrentar, entre eles o mais aterrador não dizia respeito a alguma luta sangrenta, e sim :tratava-se de sua própria saúde, há menos de um ano durante uma batalha em Edo, Shinomori fora encontrado desacordado por Misao. Ela ficara subitamente atordoada, e se vira ás pressas tendo que chamar um médico, na tentativa de salvar a vida do okashira.

Sorte ou azar, quem estava na cidade para o socorrer, era uma antiga rival! Uma mulher que nutria um estranho sentimento dúbio por Aoshi, Megumi Takani.

Não era segredo que nem Misao, e muito menos Kaoru topavam com a médica. Mas naquele momento ela viera a calhar, estava fazendo uma espécie de estágio com o cônsul Lester em técnicas ocidentais de cura, e fora quando a doutora descobrira...

_Não queria ter sido eu a pessoa á lhe dizer isto, mas sinto que somente agora vou ter alguma justiça, pelo que fui obrigada a fazer quando era sua refém na Oniwabanshu...Você está com tuberculose, Aoshi Sama, e suponho que deva saber que para tamanha enfermidade, ainda não se ouviu falar em cura.

Se Takani esperava ou não algum sentimento, ou qualquer sinal daquele intrigante par de olhos verdes, ela não obteve vestígio de resposta. Shinomori limitou a vestir-se com o sobretudo, e cruzar a porta de saída.

Mas ali, em alto mar, com o constante balançar de um navio que não oferecia a menor condição de salubridade, a umidade, o mau cheiro, o suor, além duma alimentação irregular o levavam a único destino: agonizar em febre.

Fora num dos turnos de Hajime Saitou que o policial percebera: deveria estar acontecendo algo de errado. Passava pouco mais das oito da noite, e todos já deviam estar dormindo, incluindo Himura que também dava ares de visível fadiga, que ele o vira estendido no chão.

Aoshi trazia a tez clara, ainda mais pálida, o suor embebia seu rosto fino de traços aristocráticos, como se acabasse de sair de um ofurô, e os olhos? Olhos ainda que semicerrados, fitavam um infinito perdido, tal a expressão débil de algum louco em seus momentos mais críticos, ou apenas a visão dum homem que delira arduamente.

_Henya, Beshimi, Misao, Misao... _Aoshi repetia sem parar, subitamente tão frágil, subitamente tão indefeso, ainda mais belo.

Entre seus dedos estava um pequeno frasco, que continha um líquido negro pela metade, e mesmo com a mão trêmula Aoshi continuava a apertar a embalagem com tamanha energia, que Saitou desistiu de saber do que se tratava.

Era praxe que quando um homem caía doente nalguma embarcação escrava, o mesmo deveria ser atirado ao mar e ser devorado por tubarões. Mas o que fazer naquele caso em particular? Aoshi Shinomori não era um mero escravo. Era o mentor do plano para a libertação dos lavradores de Hokkaido, o único que conhecia a fundo toda a trama de Mya Hikoburi, e sacrifica-lo seria sem dúvida uma grande perda.

Mas Hajime Saitou nunca ligava para perdas fossem elas consideráveis ou não. Era inteligente o suficiente para virar o jogo sozinho, no entanto ainda havia uma terceira pedra naquela partida, a última e mais importante cartada: Battousai Himura, que certamente não ficaria nada satisfeito em saber qual atitude seria obrigado a tomar com Shinomori, caso o mesmo persistisse enfermo.

Então num repentino momento de lucidez: _Saitou, faça comigo o que for necessário...

Shura era uma antiga pirata, que descendia de uma famosa linhagem, durante muito tempo ela liderara um grupo voraz, até que fora joguete do destino e se envolvera com Kenshin Himura, numa batalha em seu próprio navio "O Dragão do Mar".

Não era segredo pra ninguém, que ela nutria uma paixão intensa por Battousai, uma jovem extremamente forte e talentosa, que desprezava o fato de ser mulher até o dia em que fizera o espadachim de refém, e o mesmo nobremente se recusara a lutar com ela em combate aberto.

Certamente trazia para a pirata algum tipo de comoção, o detalhe de ambos estarem mais uma vez do mesmo lado, portanto quando á espreita presenciara o estranho ataque de Aoshi, Shura resolvera que enfim era chegada a hora de agir.

_Kenshin?

_Ahm, o quê? _Ele despertou meio atordoado, os olhos lilases piscando duas vezes, antes de se abrirem em lindas órbitas luminosas sob cílios longos e curvados.

_Temos problema...Vamos, acorde.

_O que foi? Por acaso fomos descobertos? _Ambos sussurravam, não queriam chamar a atenção de ninguém; e para auxiliar ainda mais o disfarce Shura, servia água nos lábios ressequidos de Kenshin numa estranha cuia de madeira com cabo longo.

_Nada disso, é com o Shinomori. Parece que ele teve um ataque!

_O quê? _Súbito a voz de Himura se elevou mais do que devia, provocando uma considerada agitação entre os prisioneiros, num mar de assovios críticos e imprecações negativas. _Obrigado Shura, agora saia! Acho que vamos ter barulho!

_Foi por isso que trouxe isto aqui, _ela sacou a sakabattou, que até então permanecia escondida entre as dobras de sua capa larga_ Agora acabe com eles Himura!

_Saitou! Deixe que um médico cuide de Shinomori!

_Himura, não sabe o quanto estava esperando por isso...

_Então venha, estou pronto!

Entre olhos assustados, e uma estranha atmosfera de tensão no ar, um círculo se fechou. E ao centro dele estavam Battousai e o Lobo de Mibu.

Enfim nossa hora chegou..._Himuraaa!!!!!!
 
 

_Quem é você afinal? _Sano perguntou enquanto fitava a jovem de olhos cinzentos a sua frente. A beleza dela era incrível, e o ar de sofrimento e dor que ostentava, fazia-na deter algo semelhante a uma áurea divina.

_Eu já disse, sou Kamy Makagoshi, apenas uma sobrevivente dos conflitos da Era Tokugawa.

_O que veio fazer em Tóquio afinal? _Quando o lutador de aluguel, Sanosuke Sagara era instigado em alguma coisa, sua curiosidade não o deixava agir de outra forma até descobrir o fio que desfiava o novelo inteiro.

_Alguém vai querer peixe ? _Kaoru disse da porta, enquanto segurando uma bandeja entrava na sala, onde Yahiko silencioso observava o estranho diálogo de Sano e a jovem desconhecida.

_Shh...

Kamy virou-se para a sra. Himura, _não obrigada, não é a minha intenção incomodá-la.

_Oh, o que é isso? Se meu marido estivesse aqui, tenho certeza de que ficaria feliz em recebe-la. _Seria o mínimo que poderia fazermos por você, Kamy, Kenshin ficaria muito constrangido em saber que fora o responsável pela morte de seus pais, senhorita Makagoshi. E não ajuda-la pelo menos neste aspecto! Fora o raciocínio correto e sábio de Kaoru.

_E onde ele está agora, senhora Himura?

_E...Ele foi obrigado a fazer uma viagem repentina.

Sano piscou súbito e entendeu a mensagem implícita de Kaoru.

_Compreendo.

_Agora vamos, coma, e enquanto estiver em Tóquio será hóspede do dojo Kamiya!

_Você estava nos contando sobre o que fez vir até nossa cidade. _Podia parecer indiscrição, mas Sagara parecia realmente interessado em ouvir aquela história até o fim.

_Sim tem razão. _Por um instante Kamy torceu o rosto, e uma lágrima solitária correu por seu belo rosto, _ há aproximadamente treze anos em Edo, meu pai Kanryu Tsuki era um importante samurai, que ficara famoso por lutar no Bakumatsu. Na época ele fazia parte de uma facção dos Shisengumi, e detinha bastante influência com o próprio Shogun...No entanto não era tão jovem e ambicioso, quanto os restantes do seu regimento, mesmo assim a experiência o fazia líder da nona patrulha Shinsen.

Minha mãe era uma das filhas do Shogun, a do meio pra ser exata, Misa Makagoshi. Mas ao se casar com meu pai, ela preferira levar uma vida tranqüila, e assim se mudou para o campo. Sua relação com papai era bastante complexa, viam-se de vez em quando, marcados por uma guerra sangrenta.

Quando ficou grávida de mim, ela sabia que deveria se esconder ainda mais, e proteger Usuki que tinha quase catorze anos, e já se encontrava em idade para aderir a guerra. Para evitar que isto acontecesse, fomos morar numa caverna em Hokkaido... Juntamente com as demais famílias onde as mulheres assumiam todos os papéis; havia sido uma decisão difícil, todavia ir para longe de Edo significava sobrevivência naquela época.

Um dia, um jovem chamado Takeda nos trouxe uma carta, ele era o mensageiro da tropa Shinsen... Ficamos sabendo que Okita estava muito doente, e que a batalha de Toba havia sido ganha pelos Ishin Shishi... E que meu pai, Kanryu Tsuki Makagoshi, juntamente com os chefes de família que haviam mandado suas esposas para Hokkaido em segurança, haviam sido assassinados.

Aquela história não era novidade para ninguém do dojo Kamiya, todos ali sem exceção tinham sido marcados pelos conflitos que haviam ocasionado a Restauração Meiji, no entanto a cada vez que tais acontecimentos eram relembrados sensações de dor e tristeza, recaíam por sobre suas almas.

Estranhamente Sagara estava comovido, mais do que qualquer um, mais do que tudo.

Ela continuou...

Um homem conhecido apenas como Battousai O Retalhador...Havia matado meu pai friamente...

_Ken... _Kaoru foi obrigada a tapar as bocas de Sano e Yahiko simultaneamente, para que não entregassem a verdade para aquela garota de apenas quinze anos, que ela se encontrava no lar do homem, que havia sido responsável pelos assassinatos de seu pai.

Pelo que dizia a carta, este homem fora tão rápido e letal, que papai nem ao menos tivera tempo de se defender e sacar a espada da bainha. Seu corpo retalhado ficara nas escadarias do palácio, antes que o incêndio tomasse conta de toda Edo.

Era mesmo impressionante ouvir as proezas cruéis que Kenshin no passado cometera, e como isso ia e vinha de encontro a ele, como se um imã do destino o estivesse sempre atraindo para aquelas pessoas que ele fizera tanto sofrer. Por essa razão era dever de Kaoru cuidar daquela moça, certamente este seria o desejo de Kenshin, onde quer que ele estivesse naquele instante...

Ao saber do que acontecera com meu pai, mamãe ficara louca, e numa noite fria de inverno ela escondida cometeu harakiri... Deixando a mim e Usuki, sem mais ninguém no mundo. Então fomos enviados para um orfanato, que anteriormente pertencia ao Bakufu, rebeldes da Restauração achavam que nós mesmo crianças seríamos problemas..."Os Bastardos Tokugawas"... Então mandaram que nos queimassem vivos! Todavia como papai, Usuki sempre fora corajoso, e num momento de bravura salvou os bebês da enfermaria, que estavam morrendo sufocados com a fumaça..

De fato tentara resgatar mais crianças, no entanto o incêndio ia tão alto, mas tão alto, que ele não fora capaz de recolher mais nenhuma outra alma além da de Kiki , Naoto e Suyami. E assim enquanto eu estava presa entre os escombros, um pedaço de madeira caiu sobre minha cabeça...

_Por isso ficou cega! _Era uma afirmativa de Sanosuke, não uma pergunta.

_Exato. Usuki e eu vagamos por alguns anos de Instituição em Instituição, no entanto ele sempre tivera jeito com a terra e se tornou camponês quando alcançou idade, voltamos para Hokkaido há seis anos...E levávamos uma vida pacífica nós cinco; até que a coisa de três meses atrás os homens da vila começaram a desaparecer. Logo meu irmão formou um grupo preparado para investigar os casos, contudo ele mesmo não foi capaz de escapar, esses lavradores estavam sendo recrutados ou seqüestrados de seus lares para serem enviados para este lugar. _Ela abriu um mapa, onde por sobre os desenhos, traços em alto relevo claramente utilizados para facilitar a compreensão de uma pessoa cega, indicavam uma estranha ilha longínqua. _Chama-se Havaí, homens do governo o levaram para trabalhar nas lavouras de Honolulu, segundo obtive informações.

_E como chegou até Tóquio?

_Seguindo pistas, tentei alcançar o navio que partiu de Yokohama há apenas cinco dias, mas já era tarde.

_Estranho, foi exatamente neste dia que Kenshin desapareceu!

Subitamente Yahiko e Sano trocaram olhares com a senhora do dojo. Então após cinco dias amargos, Kaoru voltou a sorrir.

Kenshin...

Sagara fora o primeiro a falar então: _Se seu irmão estiver com o esposo da sra. Himura, garanto, não há o que temer. Kenshin é um excelente espadachim, e se nossas suspeitas estão corretas, ele embarcou nesta viagem exatamente para resolver este problema.

_E amanhã mesmo iremos conversar com alguém importante que conhecemos, para esclarecermos tudo isso, de uma vez por todas!

_Yamagata?

_Exatamente Yahiko, agora vamos dormir, porque amanhã será um dia longo para o dojo Kamya.
 
 

Enquanto isso no navio...

Os olhares fulgurantes de Saitou e Kenshin se entrecortavam como faíscas de fogo.

_Saitou...

Aquele momento parecia se perpetuar no ar, e ninguém conseguia respirar direito, enquanto os dois homens hábeis se analisavam, e as espadas permaneciam engatilhadas nas bainhas, além da vontade de lutar que crescia a cada segundo, a cada onda quebrada pelo casco escuro do navio escravo.

_Vamos Himura, está com medo de mim? Lembra, havia me prometido uma revanche!

_Medo? De você, hah ?_Kenshin lançou um súbito sorriso irônico, que não lhe era nada habitual. _Sei que ainda não se esqueceu, daquela noite no dojo, quando lhe disse que sua vida havia sido poupada! Fiz isso em respeito a Kaoru, minha mulher, e Yahiko que nada mais era que uma criança. Não gostaria de macular a honra de minha família, e novamente sujar o nome do dojo Kamiya, que lutara tanto para se reerguer, apenas em razão de um orgulho bobo de dois antigos espadachins. Mas neste minuto não há nada, que impeça que nossa luta encontre seu derradeiro fim, Saitou.

_Você sempre falou demais, Himura!

Em posição, com a espada japonesa simetricamente postada na horizontal, Hajime não deixou passar mais um instante sequer incólume.

_Saitou, você pediu isso!!!

E Kenshin respondeu, usando de toda sua velocidade, os chinelos escorregando sobre a superfície polida do navio, Battousai reagiu e contra-atacou! Contra-atacou com a lâmina da espada reluzindo em seus olhos vermelhos, olhos de um matador, olhos de um hitokiri!

_Estilo hiten mitsurugi!

...

Kaoru acordou no meio da noite, um pesadelo terrível a lhe consumir a alma pura, estranhamente a face daquele homem Saitou Hajime, ia e vinha em sua mente atordoada, enquanto imagens de um combate noturno numa sala escura onde apenas o reflexo pálido da noite dava sinais de vida, ganhavam formas grotescas em seu cérebro sonolento.

O som renitente de espadas se chocando com violência, além do arfar constante de respirações excitadas, extasiadas e conflitantes...

E a voz do próprio Sanosuke em tom solene á dizer :_Esta é a batalha que põe fim a Era Tokugawa...

Gotas de sangue respingavam no assoalho bem lustrado de pinho, enquanto o olhar de Kenshin era estranho, frio, impiedoso, até mesmo malévolo.

Seu coração aos pulos clamava por socorro, por paz, por lucidez.

_Nãoooooooooo! Kenshin!!!

Ela gritou , e aquilo era mais que uma premonição, mais que uma intuição, era uma certeza.

Algo a alertava que Battousai novamente estava em confronto com Saitou Hajime, o homem que há cerca de um ano fora responsável por levar Kenshin á uma guerra, guerra do qual somente escapara com vida por ser o melhor espadachim de todo Japão!

Kenshin quando ficara conhecido como Battousai O Retalhador, não era muito mais que uma criança, e fora preciso que quase onze anos se passassem para que ele completasse seu treinamento no estilo hiten mitsurugi ryu, e tomasse conhecimento da técnica secreta amakakeru ryu no hirameki...No entanto era com extremo pesar que ele usava tamanho conhecimento, e somente em batalhas que sua própria vida corria um risco elevadíssimo, em favor do nível de batalha do seu adversário.

Sua estréia, se é que se pode chamar assim, fora com Aoshi, e...

_Aoshi! _De repente Kaoru se lembrara que misteriosamente Shinomori viera de Edo para cerimônia de seu casamento juntamente com Misao, Okina e o pessoal da gang Oni, mas que misteriosamente sumira no dia seguinte. Kenshin mesmo admitira que tivera uma conversa em particular com o okashira, e ele ficara bastante arredio, sombrio e distante logo após ter dito isso.

Então tudo de repente começava a fazer sentido! Assim calçando os chinelinhos de madeira e vestindo-se com um roupão por sobre o kimono de dormir, Kaoru resolveu ter uma conversa em particular com Sanosuke.

_Hei, Sano...Está acordado?

_Pode entrar Kaoru, não consegui pregar os olhos, exatamente como você.

_Licencinha. _Ela pediu afastando a porta de correr._ Estive aqui pensando, lembra que o Aoshi misteriosamente viera de Edo, para assistir meu casamento?

_Como fui capaz de esquecer? _Sano coçou a cabeça com ar de enfado. _Nunca cruzei bem com aquele cara, sabe? Por causa do que fez a Megumi!

_Nem eu, mas ele veio com a Misao e o Okina, não pude impedir de recebe-lo em minha casa.

_Por que está pensando nisso, Jô-chan?

_Porque de repente me ocorreu que o sumiço de Kenshin, o seqüestro de Usuki, e a vinda de Aoshi podem ter alguma relação.

_Pensando assim... Foi realmente muito estranho também, o fato de Seijuro Hiko ter estado aqui semana passada e ter insistido para acompanhar Misao e Okina de volta para Edo, devido aquele mal estar que ela sentiu...

_E eu também!!! Vê aonde quero chegar? Não deve ter sido nada com a comida como imaginávamos, talvez, talvez tenhamos ambas sido envenenadas!

_Pelo Kenshin, para que não descobrissem que ele estava se envolvendo numa enrascada, e sozinho! E pudesse fugir do dojo sem que nenhuma das duas percebesse!_ Sanosuke deu um pulo, estava se sentindo um gato em teto de zinco quente. _Ah, maldito filho da mãe, quando eu o pegar!... _Sagara deu um soco na própria mão, enquanto Kaoru o fitava perplexa. _Quero dizer, vou machuca-lo só um pouquinho, para aprender a parar de vez, com esta mania de querer resolver tudo sozinho!

E aí, o que sugere Kaoru?

_Que vá falar com o ministro Yamagata, enquanto eu e Yahiko damos um pulo até Edo. Se Misao estiver melhor, sei que irá nos ajudar!

_Pode crer! _E somente então como se Sano percebesse que havia mais alguém interessado na história, ele incitou : _ Tá, mas o que fazemos com a Kamy-Chan?

_Cuide dela, ora vamos, você é um homem Sanosuke...E, _risos_ pelo visto gostou muito dela.

_Argh!!!
 
 

Ambas técnicas eram provenientes de uma época anterior a Era Tokugawa, implicavam reminiscências dos antigos estilos dos espadachins legendários, dos quais o próprio Kenshin era o último a ser lembrado.

Saitou Hajime não ficava atrás, porém, detentor do título de terceiro capitão dos Shisengumi, aquela batalha para ele se tratava duma questão de honra.

Honra de espadachins que disputavam a perpetuação na história como o mais forte!

Himura Kenshin, um guerreiro que ansiava em descansar, e viver feliz, em paz...

Hajime Saitou, um partidário do Xogunato que nunca aceitara a derrota, e a ascensão da Era Meiji...

Dois vorazes guerreiros, que cada a um á seu modo lutava por um ideal, uma bandeira interior mesmo tendo se passado trezes anos desde as revoltas da Era Edo.

Se de um lado Saitou aplicava uma variação do gatotsu, que ele mesmo dizia ter aprimorado para um estilo sem nome, Kenshin era imbatível no hiten mitsurugi ryu a espada de Deus, capaz de retalhar qualquer um, e a técnica da amakakeru ryu no hirameki. Tática esta, que o próprio Saitou presenciara por duas vezes Himura utilizar de maneira primorosa, e irrefutável contra o inimigo.

_Não pense que irei sujar a lâmina de minha sakabatou com você, Saitou, _Battousai conseguiu dizer, enquanto com uma lufada de ar inflou seus pulmões arfantes, _ e muito menos profanarei a amakakeru ryu no hirameki neste combate! _Então Kenshin pensou: agora para se defender de meu último golpe, ele vai usar o gatotsu zeroshiki, uma técnica realmente poderosa em que Saitou a remete por baixo, impedindo que movimentos de impulso sejam permitidos pelo adversário, contra isto eu só posso...

_Ryu kan sen!!! Estilo hiten mitsurugi!!!

Kenshin se aproveitando da própria força contrária imposta pelo adversário, girou em torno de si mesmo no ar, e atingiu Saitou por trás na altura do ombro...Até que sangue voou por seu rosto bonito e gentil.

_Maldito! Aprendi muito desde nossa última luta, e não vão ser suas técnicas banais, que irão me matar...

CONTINUA...



Rurouni Kenshin
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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