Silêncio
Thais Tanpopo-chan

Não haveria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz senão fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite
Não e sim
Cada vez que tanto amor não diz
Tudo que quer dizer
Tudo que cala fala mais
Alto ao coração
Silenciosamente
Eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer...
 
 

Era uma casa pequena, afastada da cidade, e era puramente ocidental. Tinha até uma lareira. Bastante adequada, pensou Misao, já que aquele estava sendo um dos invernos mais frios pelo qual ela já havia passado. Ela normalmente não gostava muito de ficar sozinha, mas resolveu que seria agradável fazer isso só uma vez, precisava pensar.

Pensar?

Que idéia odiosa, pensar. Sobre o quê?

Sobre o vazio de sua vida, sempre a mesma rotina, os mesmos sorrisos das mesmas pessoas?

Não que não gostasse, muito pelo contrário. Todas aquelas pessoas eram importantes para ela. Mas se sentia solitária. Algo importante faltava, e essas pessoas sabiam disso e por causa dessa ‘falta’ estavam ficando preocupadas com ela. No mês anterior, Kaoru havia ido visitá-la.

_Misao, você está bem?

_Sim, por que?

_Você tem mudado bastante, sabia? Desde que Aoshi partiu...

Misao abaixou a cabeça.

_...Já faz dois anos desde que ele foi embora e a cada vez que te vejo você parece estar mais diferente. Quando te conheci, você era como uma menininha, sempre alegre e cheia de vida, pronta para enfrentar o que viesse. Mas hoje olho em seus olhos...

Kaoru pegou a amiga pelo queixo e levantou-lhe a cabeça, olhando-a nos olhos.

_...e não vejo nada mais do que um vazio.

Era um vazio sim, Misao pensou consigo. E ninguém conseguia preenche-lo. Por isso ela resolveu se isolar um pouco para não preocupar as pessoas em volta dela. E foi para essa casa, bem longe de Kyoto. Prometeu que voltaria logo, e voltaria sim, afinal Kyoto era o seu lar e ela não sairia definitivamente de lá jamais. Mas queria ficar sozinha por uns tempos.

Aoshi.

Não doía mais tanto assim. Lembrou-se que chorara por dias quando ele se foi pela última vez. Recusara-se a comer também. Lembrava-se da preocupação que causara a todos. A preocupação de Kenshin, a revolta de Yahiko, os pedidos de Sano, as lágrimas de Kaoru.

_Misao! Cinco dias sem comer! Você vai ficar doente!

Dizia Kaoru em súplicas. Misao estava estática na cama, sem se mexer, apenas olhando para o infinito. Sem comer, sem sentir fome, sem sentir nada. Parecia mal ouvir os pedidos de Kaoru.

_Cinco dias , Misao!! Por favor...você não pode ficar assim...

Lágrimas nos olhos de Kaoru.

_Você já perdeu muito peso!! Está ficando doente...

Nenhuma reação. Kaoru se debruçou sobre o peito de Misao, e berrou em prantos e entre tantas lágrimas que chegavam a molhar o kimono da amiga. Mas ela parecia não escutar.

_Por favor, Misao!!! Coma, só um pouco! Você vai ficar doente...se continuar assim, você vai morrer! Por favor, Misao!!! Por...favor...

Mas tudo passa, e assim foi com sua dor.

Não que tivesse passado totalmente. Quando pensava em Aoshi era como se um floco gelado de nave caísse sobre sua pele quente. Cada vez que lembrava de rosto sério, de seus olhos profundos que pareciam esconder tantas coisas. Coisas que por tantas vezes ela tentou descobrir com seu jeito, com sua alegria, com seus sorrisos. Agora ela não conseguia mais sorrir daquela maneira. Ela nunca mais sorrira com a intensidade de antes.

Misao olhou para fora. Nevava muito, mas dava para ver o céu. Belo pôr do sol. Parecido com o do dia em que ele foi embora.

Foi quando Kaoru, Kenshin, Yahiko e Sanosuke estavam de visita ao casarão da gangue Oni. Misao estava numa guerra de bolas de neve com Yahiko e Kaoru. Sano estava sentado na frente da casa, observando-os, mas como eventualmente alguma bola gelada batia em seu rosto ele logo perdeu a compostura e entrou na brincadeira também.

Misao nunca estivera mais feliz. Parecia que depois do problema com Shishio, Aoshi finalmente resolvera parar quieto em algum lugar. Já faziam dois meses que ele estava morando em Kyoto e não parecia querer ir embora.

_Misao-chan, chamou uma das garotas da casa , _O chá está pronto. Poderia chamar Kenshin-san e Aoshi-san, por favor?

_ Tudo beeeeeem!_ ela disse, tacando a última bola de neve na cabeça de Sano. Ela entrou correndo na casa e foi direto ao quarto de Aoshi. Ele não estava lá.

_Hum...talvez ele esteja com o Himura._ pensou, e correu alegremente em direção ao quarto de hóspedes. Parou , ao perceber que Aoshi estava mesmo lá, e que ele e Kenshin conversavam.

_ Você vai mesmo embora, Aoshi?

_Sim. Tem coisas que eu quero fazer. Não posso ficar preso a um só lugar.

Misao sentiu sua respiração parar. Ir embora?

_Você é estranho, Aoshi. Você tem um lugar que pode chamar de lar, pessoas que te amam. Tudo que algumas pessoas passam a vida procurando.

_Preciso mais de minha liberdade.

_Algum dia verá que não é assim. Você tem sua liberdade aqui e não vê.

_...

_Você tem medo, Aoshi.

_Não tenho medo algum.

_Algum dia verá que estou certo.

Pausa. Misao estava paralisada. Ele ia embora. Outra vez.

_E quando você vai?

_Sairei de madrugada. Ninguém me verá. A cidade inteira dorme.

_E Misao? Ela ficará triste.

_...Ela me esquecerá logo.

Misao, do lado de fora, sentiu lágrimas brotando dos próprios olhos. Correu para o seu quarto e bateu a porta com força. "Não. Eu não vou deixar. Aoshi não vai embora. EU NÃO VOU DEIXAR!!! Não de novo!" Ela pensou enquanto sentia lágrimas cairem de seus olhos.

Era noite.

Aoshi juntou todas as suas coisas (não eram muitas, na verdade.) e pegou suas espadas. Todos da casa dormiam. Não seria difícil sair despercebido. Foi andando até o jardim e olhou uma última vez para a casa. Realmente, era o único lugar que podia chamar de lar. Estava sem nenhuma luz acesa e coberta de neve. As cerejeiras ao redor também estavam cobertas de neve, mas ele podia sentir a fragrância que saia delas. Jamais esqueceria aquele cheiro. Aquele lugar passava uma sensação de paz, como ele sentiria falta dali. E quem mais iria fazer falta ia ser

Ela.

O sorriso doce, a felicidade dela o faria falta. O olhar dela também. Olhos azuis, profundos como o céu das mais belas noites. Poderia ficar olhando para ela para sempre, e quanto mais olhasse mais seria feliz. Mas poderia faze-la sofrer também , e ver o sorriso dela ser apagado por sua causa seria castigo pior que a morte. E culpa, uma pesada culpa.

_Aoshi!

Misao estava na frente dele. Vestia a antiga roupa da gangue Oni e segurava uma espada.

_Aoshi, eu não vou deixar você ir!

_Misao, saia da frente.

_Você não vai, Aoshi, eu não vou deixar!!

Ele parecia a ignorar. Continuou andando em direção ao portão. Ela se pôs na frente dele, e colocou as mãos em seu peito, tentando impedi-lo.

_Por que você vai embora?

Ele não respondeu, apenas fitou-a com o olhar frio de sempre. Ela não pôde suportar esse olhar. Parecia que havia sido cortada em mil pedaços. O abraçou e disse, em prantos:

_Por quê?! Por que você vai embora?! Se não gosta daqui, eu não o impedirei, mas me leve junto!! Eu imploro Aoshi, não me deixe só outra vez...

Ele deixou a garota abraça-lo mas não retribuiu. Houve uma longa pausa, e só os soluços de Misao podiam ser ouvidos. Ela abraçou Aoshi com mais força.

_Eu...amo você.

Dessa vez foi ele que se sentiu cortado em mil pedaços. Não que ele não soubesse do amor de Misao, mas nunca tinha ouvido assim, com todas as palavras. Ele baixou um pouco a cabeça, e pode sentir o perfume do cabelo de Misao. O mesmo cheiro das cerejeiras. Ele a pegou pelos ombros e a afastou de si. Começou a andar em direção ao portão. Ela se colocou na frente dele, ainda com lágrimas nos olhos.

_Eu não vou deixar você ir!

Ela pegou a espada.

_Se quiser ir embora terá que me derrotar primeiro!

Aoshi ficou parado olhando para ela. Parecia tão determinada, e tão frágil ao mesmo tempo. Estava muito trêmula, mas conseguia segurar a espada. Aoshi pegou uma de suas duas espadas e apontou em direção à dela. Com um só golpe conseguiu derrubar a espada das mãos de Misao.

_ Você não pode lutar trêmula desse jeito. Está nervosa, mal consegue segurar sua espada.

A garota olhou para ele meio incrédula e depois começou a chorar mais ainda. Colocou as mãos sobre o rosto e se ajoelhou sobre o chão cheio de neve. Depois disse, ainda com as mãos no rosto e soluçando muito.

_Não vá. Eu imploro, Aoshi. Não vá.

Aoshi olhou para ela. Ela parecia completamente indefesa, ali diante dele. Tinha vontade de abraça-la e beijar cada lágrima que escorria por seu rosto delicado. Mas não podia. Passou por ela, em direção ao portão. A garota se levantou rapidamente e se colocou na frente dele mais uma vez.

_Não! Eu não vou deixar! NÃO VOU!

Aoshi olhou para ela novamente. Foi andando em sua direção e a abraçou. Ela ficou parada, parecia que seu coração ia ser arrancado do peito. De repente, ele a levantou do chão, pegando-a nos braços e foi andando assim até a janela do quarto dela.

_Aoshi...Aoshi, não!

Ele entrou pela janela do quarto com ela nos braços. Sentou Misao no chão e a fitou.

_Aoshi, na---

Quando Misao percebeu, Aoshi estava com a boca encostada na dela, segurando seu rosto com as duas mãos. Ao se afastar, Misao olhou paralisada para ele. O rosto belo de Aoshi, os olhos misteriosos fitando-a, a macia boca que acabara de tocar a dela.

_Eu te amo, Misao.

E nesse momento ela soube que não poderia impedi-lo de ir jamais.

Não se moveu um milímetro enquanto Aoshi acariciava seu rosto mais uma vez, nem enquanto ele saía pela janela ou enquanto ouvia seus passos na neve em direção ao portão.

Apenas ficou parada.

Jamais poderia se mover de novo.

Suas lágrimas escorriam por seu rosto.

Quando os outros acordaram na manhã seguinte, a encontraram daquele mesmo jeito. Paralisada, olhando pra o infinito e chorando silenciosamente. Nenhum suspiro, nenhum movimento. Apenas o som de desespero das pessoas em volta dela.

Misao suspirou ao se lembrar, mas agora era só isso, uma lembrança. E lembranças não doem, não doem, não é? Doem sim. Mas ela preferia acreditar que não.

Nevava, e ela começou a sentir frio. "Bom, eu tenho uma lareira aqui. Só preciso de um pouco de lenha." Pensou, e foi vestir uma roupa mais quente. Vestiu um kimono que Kaoru havia dado para ela em sua última visita. Na verdade, perecia muito com os que a própria Kaoru usava, e era muito bonito. Azul, combinando com seus olhos , e bem quentinho. Fazia muito tempo que Misao não vestia os trajes curtos de antes. Ela agora era uma jovem mulher de 18 anos e não podia mais vestir aquelas "roupas de menina", dizia para si mesma. Trancou a porta da casa e saiu pela floresta para pegar lenha.

Tinha começado a nevar a pouco tempo e ela ainda tinha esperanças de encontrar alguma lenha que não estivesse coberta de neve.

Como era solitário andar sozinha, pensou. Sentia o frio batendo-lhe na pele macia , a neve quase cobrindo seus pés. Olhou para cima. Como eram bonitos os flocos de neve, pareciam lágrimas caindo do céu.

Lágrimas.

Sempre lágrimas, sempre pensamentos tristes. Por isso era tão odioso pensar.

Não que as lágrimas viessem facilmente. Ela nunca mais chorara, seus amigos diziam que suas lágrimas haviam secado. Se sentia oca por dentro, quase sem emoções, fossem boas ou ruins. Havia apenas...tristeza. E nada que pudesse tira-la de dentro de seu peito.

Misao avistou as primeiras lenhas no chão. Pôs-se a catar uma a uma, tirando qualquer neve que estivesse em cima delas. De repente , Misao sentiu alguém se aproximar dela por trás. Seria um ladrão? Um molestador? Ela não tinha uma espada, e com aqueles trajes enormes não podia aplicar nenhum golpe decente.

_O que você quer?

Perguntou, sem se mexer.

_Misao.

Silêncio.

Misao arregalou os olhos. Parecia que seu coração havia sido perfurado por mil facas.

Aquela voz.

Olhou para trás devagar.

Viu as belas feições de um homem diante dela. O mesmo corpo forte, o mesmo belo rosto, os mesmos olhos severos.

_A...Aoshi.
 
 
 
 
 
 

Mais um gole de chá.

A casa estava quente agora, com a lareira acesa. Aoshi tomava chá sentado à mesa, e Misao jogava mais lenha na lareira. Aoshi olhou para ela. Ela estava de costas, então não percebeu.

_O que você está fazendo aqui, Misao?

_O que você está fazendo aqui?

Pausa.

Aoshi tomou mais um gole de chá. Misao continuava sem olhar para ele.

_Fui atrás de você em Kyoto. Kenshin e ao outros estavam de visita, sabia?

_Não.

_Mas você não estava lá, então...

_Quem te contou onde eu estava? Kaoru?

_Não. Não foi ela.

"Na verdade, ela não queria me contar," pensou Aoshi.

_Como ousa vir atrás dela depois de todo esse tempo?! Como tem coragem de vir aqui?! Acha que pode ficar indo e voltando quando der e vier?! Você não sabe o que fez a ela, Aoshi!!

Aoshi lembrava da raiva de Kaoru ao vê-lo. Se Kenshin não estivesse lá, talvez ele até agora não soubesse onde Misao estava.

_Acho que ela ia querer vê-lo. E quero que você a veja também. Ela não é mais a mesma._ Foi o que Kenshin disse.

_Foi Kenshin quem me contou.

Silêncio. Misao virou-se e sentou à mesa com ele, e serviu um pouco de chá para si. Tomou vários goles, e os dois ficaram calados por um longo tempo. Aoshi ficou a observa-la.

Onde estava Misao?

Onde estavam os sorrisos, a alegria, o entusiasmo

Onde estavam os olhos cheios de felicidade, esperança? O jeito alegre?

A Misao a frente dele não era mais a mesma. Kenshin tinha razão. Ele sempre tinha.

Era só um corpo vazio.

Onde estava a antiga alegria de seus olhos? Agora, eram só dois vazios círculos azuis, profundos e cheios de tristeza.

O corpo era o mesmo, apesar de mais amadurecido e belo. O cabelo ainda era longo e macio.

E o mesmo cheiro de cerejeira. Definitivamente.

Mas a essência, o entusiasmo dela, pareciam não estar lá. Sentia seu peito arder em dor, o que ele havia feito?

Ainda a amava. E a amaria sempre, sabia disso quando olhava para ela.

E o silêncio persistia.

Ela se levantou. Foi pegar algo dentro do armário atrás de Aoshi. Ele continuou sentado à mesa, e não se virou par olhar o que ela fazia.

_ Por que você veio atrás de mim?

_Você sabe porquê, Misao.

_Não, eu não sei.

_Eu te disse o motivo naquela noite.

_Porque você me ama? Não, não me ama. Nunca me amou. Senão, não teria ido embora.

Silêncio.

_Esse foi o motivo pelo qual parti.

_Não foi. Você foi porque queria ser livre, não é? Eu ouvi sua conversa com Kenshin. Você nunca se importou comigo.

_Eu também achava que minha liberdade era o motivo.

_...

_Eu achava que você ia me esquecer.

Silêncio. Misao se ajoelhou e abraçou Aoshi por trás, apoiando o rosto nas costas dele.

_Esquecer? Como eu gostaria de ter esquecido. Mas não é tão fácil assim, Aoshi. Nunca é tão fácil. Durante esses dois anos minha vida não foi nada mais do que um grande vazio.

Você fala em esquecer como se fosse simples. Sempre foi assim, não é? Tudo parece simples para você, deve ter sido fácil me esquecer, se é que alguma vez se importou comigo.

_Acredite. Não te esqueci por um único minuto.

_Foi tudo um grande vazio. Você pode ver isso só de olhar em meus olhos.

Mais uma vez o silêncio.

E logo depois, soluços. E lágrimas.

As lágrimas de Misao se espalhavam por seu rosto. Ela ainda abraçava Aoshi. "Engraçado chorar depois de tanto tempo" pensou. E disse para Aoshi:

_Estou chorando? Achei que minhas lágrimas tivessem secado.

_Foi o que me disseram em Kyoto. Fico feliz de ver que não é verdade.

Misao abraçou-o mais forte, e caiu em prantos. Aoshi sentia os braços delicados da garota em volta de si, pareciam fitas de seda, enlaçando-o. Gostaria de não ser solto jamais.

_Por que você foi embora, Aoshi?

_Porque eu amava você. Eu amo você, Misao. Nunca disse algo tão verdadeiro.

_Eu não acredito.

_O que preciso fazer para que você acredite?

Mais uma vez o silêncio.

E quando a garota percebeu, Aoshi já a beijava. Misao apenas se deixou beijar, não pôde evitar. Nem retribuir. Depois de beija-la, Aoshi a abraçou com força, como se não quisesse soltá-la nunca mais. Novamente, ela só se deixou abraçar.

E como Kenshin estava certo.

_Eu tinha medo, Misao. Como eu tinha medo. Tinha medo de me envolver com você e depois não ser capaz de te fazer feliz. De ver minha alegria ir embora por minha causa. De partir seu coração. E eu não suportaria isso, Misao, porque eu te amo tanto! Achei que se eu fosse embora, você me esqueceria e poderia levar sua vida feliz. Inventei uma mentira para mim mesmo, passei a acreditar que para mim o mais importante era a minha "liberdade" e fui embora.

Misao não chorava mais. Apenas se deixava abraçar pelo corpo forte de Aoshi e escutava o que ele dizia.

_Vejo que este foi meu maior erro. Todos os meus medos vieram à tona, Misao. Você não é mais a mesma. Eu quase te matei, tentando não te machucar.

Ó, Deus. Como Kenshin estava certo.

_Não espero que me perdoe, mas se puder apenas acreditar em mim...

Aoshi gelou ao sentir as mãos de Misao pousarem como plumas em suas costas. Ela o abraçava.

_Eu te amo, Aoshi. Tudo dentro de mim mudou, menos este sentimento.

Ainda estava abraçado à ela. Não queria soltá-la nunca mais, ela parecia tão frágil. Queria protege-la para sempre.

_Traga minha alegria de volta, Aoshi.

O cheiro de cerejeira.

Beijou-a gentilmente. Parou e olhou nos olhos. Ela também o olhava. E ele pôde ver que dentro daqueles olhos vazios ainda existia o mesmo céu azul resplandecente. A mesma alegria. A mesma Misao.

E tudo que ele queria era traze-la de volta.

Beijou-a outra vez, agora mais intensamente. O corpo delicado de Misao quase desaparecia entre os braços fortes de Aoshi. Mas ela ficaria ali para sempre se pudesse. Aoshi continuava a beija-la.

Os lábios, o pescoço, o rosto...

E o cheiro de cerejeira o entontecia.
 
 
 
 
 
 
 
 

Sim, aquilo devia ser um sonho.

Aoshi deitado ao seu lado, o corpo forte aparecendo, o cabelo escuro e liso caindo sobre a testa. Os olhos fechados. Como era lindo. Não podia ser real.

Não ousava toca-lo. Se fosse um sonho, ele iria desaparecer ao menor toque.

Ela também estava deitada, olhando para ele. Não parava de olha-lo nem um segundo, estava feliz só por poder vê-lo.

Feliz.

Fazia tempo que essa palavra não lhe vinha à mente, mas era exatamente como se sentia agora, feliz.

Serenamente feliz.

Ele acordou e abriu os olhos devagar. Misao estava deitada à sua frente, era tão linda.

Linda como uma flor de cerejeira. Ele ainda sentia a mesma fragrância.

Ao vê-lo abrir os olhos, Misao sorriu. O mesmo sorriso alegre de antes. Era a Misao de antes. A sua Misao.

E como ele havia sentido falta dela.

Ao vê-la, Aoshi também sorriu, e Misao percebeu que nunca o tinha visto sorrindo antes.

Só podia ser um sonho.

Mas ele esticou o braço e acariciou seu rosto, e ela pôde sentir o toque macio e quente das mãos dele.

Não era um sonho. Era a pura realidade. E ela era novamente feliz.

Aoshi percebeu que nunca mais poderia se separar dela.
 
 
 
 

Fim. ^^



Noooosssaa, como eu amei escrever esse fanfic! Hum, esse é o meu primeiro de Rurouni Kenshin, (os outros que escrevi são todos de Card Captor Sakura) espero que não me matem...hehe...^^ Eu me inspirei nos fanfics da Tin Mandigma ( ela é fanzoca de AoshiXMisao) que é a minha "fanfiqueira" favorita. ^^ Bom, esse fic foi meio no chute, porque eu só estou acompanhando a série pelo cartoon e não quis ler nenhum spoiler ou coisa assim, por isso eu não sabia o que acontecia com o Aoshi no fim da Saga contra o Shishio; não sei se ele morre (TOMARA QUE NÃO!), se ele volta a morar com a Misao, se ele volta a andar sozinho, então isso tudo foi criado a partir do que eu imaginei....^^ Outra coisa: não tenho certeza se a Misao morava em Kyoto ou em outro lugar!!! Se eu estiver errada, por favor alguém me corrija!!!

Ah, a música "tema" é a "Certas coisas" do Lulu Santos.

Espero que tenham curtido! Mandem comentários para [email protected] , ONEGAI!!!

Thais Tanpopo-chan

(Card Captor Thais)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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