Blind Guardion
Capítulo 1 - "O Maior Mal da Terra."
Horário em Tokyo: 8:00h.
‘E não se esqueça de ir falar com Tachibana-sensei assim que entrar no colégio, Hideki.’ – fala a Sra. Togashi, levando o filho de carro à escola. – ‘Apresente-se a ele imediatamente, pois ele vai te mostrar a escola, sua sala... enfim, ele vai ajudá-lo em tudo o que for necessário.’
‘Sim, mãe.’ – responde Hideki, com a cabeça encostada no vidro da janela, de saco cheio de tanto ouvir sua mãe falar.
‘Lembre-se sempre de respeitar seus professores, seus colegas, os sempais, coma de boca fechada e não assoe o nariz com a manga da camisa, tá bom, meu filho?’
‘Tá, mãe.’ – diz ele.
‘Pronto, filhinho, chegamos. Aproveite bem e estude muito.’
‘TÁ, MÃE!’ – fala Hideki, saindo às pressas do carro, indo direto para os portões da escola.
‘AH, FILHINHO!!! SÓ MAIS UMA COISA...’ – grita ela, conseguindo a atenção dele. – ‘Por favor, pelo amor de Deus, por tudo o que há de mais sagrado neste universo, meu filhinho querido amorzinho da mamãe, NÃO ARRUME CONFUSÃO!!!’
Ela engata a primeira no carro e vai embora rapidamente.
‘Cassete, que mãe louca eu tenho...’ – pensa ele, virando-se e entrando no colégio.
Hideki vai seguindo pelo pátio principal. Lá, vários grupos de estudantes vão se formando, todos se reencontrando após esse período de férias. Sentindo-se deslocado, o rapaz acomoda-se embaixo de uma árvore para descansar.
‘É... este vai ser um ano chato de aula... ACHO QUE VOU GOSTAR!’ – pensa ele, animado.
De repente, ele sente um tremendo calafrio.
‘Eita, o que foi isso?’
Os alunos vão correndo para trás de um dos prédios do campus da escola e começa a gritaria por parte das meninas. Então, um rapaz de sobretudo preto é arremessado do local. Ele cai de mal jeito no chão, mas consegue se levantar a tempo de desviar de um banco de madeira jogado em sua direção.
‘Caralho!!! O que é que tá acontecendo?’ – exclama Hideki.
De trás do prédio, sai um cara enorme, com um pedaço de cano na mão, bufando, com seu ki brilhando de ódio.
‘Kojiroh...’ – fala o rapaz de sobretudo.
‘KENICHI! MORRRRRRAAAAAAAAAAAA!!!!!’ – grita Kojiroh.
Kojiroh avança com tudo pra cima de Kenichi. Este pula por cima do oponente e manda suas correntes atacá-lo. Elas amarram os braços de Kojiroh, apertando-o. Eles ficam disputando forças, tentando puxar um ao outro. O grandalhão se liberta e pula para cima de Kenichi a fim de lhe afundar o crânio com o cano. Ele sai do caminho, deixando o adversário acertar o chão, o que levanta muita poeira.
De dentro da nuvem, ouve-se barulho metálico. Quando esta se dissipa, pode-se ver as correntes de Kenichi defendendo seu mestre dos ataques de cano do gigantesco oponente.
‘JÁ CHEGA DESSA PORRA!’ – grita Kenichi, pulando para trás e concentrando uma bola de fogo. – ‘MORRA, SASHIMI!!!’
A enorme bola é arremessada em direção a Kojiroh, que não faz a menor menção de sair da frente. Ele apenas estica o braço esquerdo.
‘EU JÁ DISSE QUE O MEU NOME É SASHIMA!’ – grita ele, parando-a com apenas uma mão. – ‘SASHIMA KOJIROH! O HOMEM QUE VAI TE MANDAR PRO INFERNO!!!’
Kojiroh isola com toda a força a bola de fogo de Kenichi, nem se importando para onde ela vai...
Para cima de um grupo de meninas.
‘CARALHO! MENINAS, CUIDADO!’ – grita Kenichi, que tenta correr para ajudá-las, mas é parado por Kojiroh.
‘Um Youkai que se importa com seres humanos? Isso não combina com a sua raça imunda...’ – fala ele, dando um chute no rapaz.
Ao mesmo tempo, Hideki vê a bola de fogo se dirigindo para as meninas.
‘Merda, eu tenho que...’ – ele olha para seus dedos da mão direita. – ‘Bem, desta vez é por uma boa causa. Lá vai... ESTALO DO ACASO!!!’ – grita ele estalando os dedos.
De repente, um vento muito forte começa a soprar em volta das meninas. A bola de fogo é pega no meio e vai rodando, acompanhando o furacão. Quando chega no alto, este se desfaz, arremessando a bola em uma nova direção: a de Hideki.
‘MAS QUE MERDA!’ – grita ele, fugindo. – ‘MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MIL... VEZES... MERDAAAAAAAAAAA!!!’
O rapaz se atira ao chão, deixando a bola de fogo passar por cima de si. Então ele vê onde ela vai acertar...
‘Agora é o seu fim, filho da puta!’ – diz Kojiroh, preparando-se para esmagar a cabeça de Kenichi contra o muro.
‘Não...’ – diz o ferido Youkai, sentindo o calor da bola de fogo se aproximando, por trás. – ‘É o seu!’
Kenichi dá uma potente cotovelada na costela de Kojiroh, que o solta, caindo em dor. Então, seu sobretudo se transforma em asas de morcego e sai voando dali.
‘SEU FILHO DA...’ – fala Kojiroh, levantando-se.
Porém ele não tem tempo de ver a bola de fogo, apenas de relance. Ela o atinge em cheio, à queima-roupa, pregando-o na parede.
‘Caralho... eu matei o cara... no primeiro dia de aula...’ – sussurra Hideki, levantando-se.
‘Então foi você que disparou essa bola de fogo, não foi?’ – pergunta Kojiroh, de dentro das chamas.
‘Hein? O que? Onde? Quando? Por que? Co.. co... co... co... COMO?’ – exclama Hideki.
Kojiroh anda através das chamas, intacto, com seu poder transbordando de todos os poros. Hideki cai sentado no chão, sem conseguir acreditar no que está vendo.
‘Eu nunca senti um ki tão negativo assim. É algo assustador! Como ele conseguiu chegar a tal nível de poder? Nenhum ser humano seria capaz de agüentar esse tipo de energia nessa escala. Mas como ele faz isso?’ – pensa ele.
‘Então você também vai se levantar contra mim?’
‘Nã... nã... não fui eu. E-e-eu...’ – Hideki fica sem ação, apenas vendo o punho, que será enfiado na sua cara, sendo erguido.
‘Morra!’ – sentencia Kojiroh, desferindo o golpe.
<POOOOOOOOWWWWWWWWWWWWWWWWWWW!>
‘Morri! Ué, mas eu não senti nada. Será que essa porrada foi tão eficiente que não deu tempo nem pra informação chegar ao meu cérebro? Mas por que será que mesmo sem sentir nada, sinto umidade no meio das minhas pernas?’
Ao abrir os olhos, Hideki vê Kenichi na sua frente segurando o punho de Kojiroh, que tenta esmagar o oponente, sem sucesso.
‘Ele é dos meus, cara. Nem pense em encostar nele.’ – diz Kenichi, socando Kojiroh com a outra mão livre.
Ele é suspenso e bate de costas na parede em chamas. Levantando-se rapidamente, nem pensa duas vezes: prepara-se para atacar. Porém é impedido por uma mão que lhe vem ao ombro. E esse toque ele conhece muito bem, pois só pode ser dado por uma pessoa...
‘Não... Deixe-o viver, Koibito...’
Ao olhar para o lado ele vê a face branca e os olhos vazios de Shini, sua namorada. A única menina capaz de entendê-lo, aquela que o acompanha em todos os momentos, sejam os de delírio, seja os de desgraça. Apenas ela compartilha a mesma sede por destruição.
‘Humpf. Está bem. Já que é você quem pede...’ – diz Kojiroh, abaixando seu ki. – ‘Sinta-se agradecido, Youkai. Shini não quer que eu o mate hoje. Mas quanto a você, garoto... tome cuidado! Você acaba de encontrar o seu pior pesadelo: EU!’
Hideki fica olhando o homem que o ameaçara de morte e sua namorada irem embora. Um pavor muito grande começa a ocupar sua mente.
‘Não se preocupe...’ – diz Kenichi, destransformando suas asas. – ‘Eu já vi que você é gente boa. Eu vou te ajudar. Muito prazer, eu sou Katsura Kenichi.’
‘E-e-e-eu so-so-sou To-Togashi Hideki.’ – gagueja Hideki.
‘Não se preocupa, Hideki. Deixe o Kojiroh comigo.’ – diz ele, indo embora.
Caindo sobre seus joelhos, o pobre rapaz não acredita no que seus olhos acabaram de presenciar.
‘O que foi tudo isso? Dois caras com poder suficiente pra abrir um buraco no planeta estavam se enfrentando aqui, bem na minha frente... e agora... um deles quer me matar!!! QUE MERDA!!!’ – pensa ele, sem forças para se levantar.
‘Ei, você está bem?’
‘Que-quem...’ – diz ele, virando-se.
Eis que ele se depara com uma bela menina de cabelos castanhos e lisos, olhos azuis, lábios carnudos, pele levemente bronzeada... ele pára um instante, refletindo de onde terá descido esse anjo... até reparar que ela está flutuando a poucos centímetros do chão!
‘Ei... você está bem?’ – repete ela.
‘Sim... estou... mas quem é você?’ – pergunta ele.
‘Eu sou Hagiri Kasumi. Aluna do 2º ano do 2º grau do Colégio Heiwa, turma 2-B. Sou também a Representante do Conselho dos Estudantes desta instituição acadêmica e uma das minhas funções é passar todas as informações necessárias aos novos alunos para que eles se sintam o mais à vontade possível, sem sair das normas de comportamento, é claro. Por isso, Togashi Hideki, eu sou a encarregada de encaminhá-lo à sua nova classe e mostrar-lhe todas as dependências da escola.’ – diz ela.
‘Sugoi. Mas como você sabe o meu nome? Você por acaso ouviu...’
‘Não. Eu não disse que sou a Representante do Conselho? É meu dever conhecer todos os alunos a fim de ajudá-los. Eu sei de tudo o que acontece dentro destes muros, sei muito sobre todos. Um nome é uma das coisas mais fáceis de lembrar perto do que eu sei.’ – fala Kasumi. – ‘Além do mais...’
Ela puxa das costas uma pasta grossa com o nome do rapaz como título.
‘... a sua ficha até que é uma leitura interessante...’ – diz ela.
‘Ei, você não devia andar por aí com isso. As pessoas podem acabar olhando.’ – diz Hideki se levantando.
‘Não, ninguém olha estes arquivos sem a minha permissão.’ – diz ela, começando a ler. – ‘Olha só: Togashi, Hideki; Nascido em 12 de junho de 1983; Filho de Blablabla... e blablabla... Estudou em blablabla... blablabla... blablabla... blablabla... blablabla... blablabla... blablabla... e blablabla... Motivos de transferência: incidente com massinha, explosão de um refeitório, dependência do colégio em chamas, chuva de pedras sobre o diretor, assédio a uma aluna... Puxa! Fiquei bem impressionada quando comecei a ler isto. Achei que você ia ser uma peste, mas você não tem cara de uma pessoa má. Eu te considerei "O Maior Mal da Terra" mas, vendo no fundo dos seus olhos, não enxergo alguém assim.’
‘Ela olhou no fundo dos meus olhos?’ – pensa Hideki.
‘Eu espero que meu palpite sobre você esteja certo, tá?’ – fala Kasumi.
‘Tá.’ – diz ele.
‘Então, está tudo bem.’ – diz ela, abrindo o sorriso mais bonito que o rapaz já viu na vida. – ‘Vamos entrando que a aula está pra começar.’
‘Vamos!’ – diz ele, todo animado.
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Horário em Tokyo: 8:20h.
‘Sumimasen! Tachibana-sensei?’ – fala Kasumi, entrando na sala do diretor.
‘Sim? Ah! Ohayo, Hagiri-kun. O que a traz aqui?’
‘Ohayo, sensei. Eu trouxe um novo aluno que queria falar com o senhor.’
‘Então, por favor, mande-o entrar.’ – pede o diretor.
‘Hideki!’
‘Ohayo, sensei.’ – diz ele.
Um calafrio passa pela espinha do rapaz. É maior do que o que sentiu a alguns instantes atrás. Muito maior.
‘O-o-o-o-o q-q-q-q-que é is-is-is-is-is-so? Eu sinto um ki gigantesco sendo emanado desta sala. Mas a únicas pessoas por aqui são Kasumi e... e... o diretor! Só pode ser dele toda essa energia. Mas... não é possível! Eu achei que Kenichi e Kojiroh fossem os seres mais fortes que eu já havia visto, mas nem se eles dois se unirem com suas forças ao máximo seriam capazes de sequer encostar nele! Isso é algo muito assustador! Se o seu poder mínimo for este, imagine...’ – pensa ele, todo arrepiado.
‘Ei, garoto, você está passando bem?’ – pergunta o sensei.
‘Hã? Sim, sim, eu estou... hã... bem! He, he...’ – disfarça Hideki.
‘Bem, eu vou indo para a sala de aula, sensei. Quando terminar, Hideki, vá para a turma 2-B. Até mais.’
Ela bate a porta atrás de si. Togashi não se sente confortável estando no mesmo lugar com o diretor. Toda essa energia o incomoda...
‘Então, meu jovem, vou esclarecer algumas coisas sobre esta escola, está bem?’
‘Tá.’ – responde ele.
‘Primeiro de tudo, você deve saber que esta não é uma escola normal. Quem está por fora não sabe o que se passa aqui dentro.’ – diz ele, caminhando até a janela. – ‘Nossos alunos não costumam ser os tipos mais comuns. Geralmente são seres dotados de algum tipo especial de "peculiaridade", se é que você me entende?!’
‘S-sim. Eu já tive a oportunidade de ver o que acontece por aqui...’
O diretor segue a conversa, olhando para o pátio da escola.
‘Acostume-se se quiser sobreviver. Sabe, hoje em dia, existem muitos jovens com algum tipo de poder e isso não me agrada. Muito poder nas mãos de pessoas inconseqüentes sempre tem um resultado desastroso.’
Ele então se vira para Hideki e o encara. O sangue do rapaz gela.
‘Esta é uma das poucas instituições educacionais na qual você tem o direito de manifestar algum tipo poder especial sem precisar se preocupar com o dano que irá causar. Você vai se acostumar a ver aqui coisas que jamais veria em outros lugares. Então, se você puder fazer algo, tome cuidado. POIS EU ESTAREI, DE AGORA EM DIANTE, DE OLHO EM VOCÊ!’ – diz Tachibana-sensei.
‘S-s-s-s-s-si-si-si-si-sim, se-senhor!!!’ – concorda Hideki.
‘Ótimo, então! O esquema do Colégio Heiwa é o seguinte: você se dedica aos estudos e passa de ano. Sugoi, né?’
‘É-é-é-é-é-é... su-su-su-su-go-go-go-go-goi, sugoi!!!’ – concorda ele, cheio de medo.
‘Estamos entendidos?’ – pergunta o sensei.
‘S-s-sim, s-s-s-senhor.’
‘Ótimo. Então você já pode ir para a aula.’
‘A-arigatou, sensei.’ – fala Hideki, saindo às pressas da sala.
‘Não há de quê. Boa sorte!’
‘Ufa!’ – pensa Togashi, aliviado, se dirigindo à turma 2-B. – ‘Ei, essa é a mesma classe que a Kasumi!’
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Horário em Tokyo: 8:29h.
‘Tem alguém sentado aqui?’ – pergunta Hideki.
‘Não. Pode se sentar.’
‘Ohayo.’ – diz o rapaz, se ajeitando na cadeira. – ‘Eu sou Togashi Hideki, aluno novo. E vocês?’
‘E aí? Eu sou Nyakuro Ryoga.’
‘E eu sou Takahashi Shuichi.’
‘Shuichi-kuuuuun... há quanto teeeeempo...’
‘AAAAAI!!!’ – exclama Takahashi.
Hideki se vira e vê um rapaz magro e cabeludo correndo em sua direção. Este que salta, jogando a pasta em uma carteira, e cai sentado no colo de Shuichi, que começa a se debater.
‘Shuichi-kuuuuun... você não tem idéééééia do quanto eu sofriiiii nessas fééééérias, separado de tiiiii... foi um pesadeeeeelo do qual eu rezaaaaava todos os diiiiias para terminaaaaar... eu queria taaaaanto que vieeeeesse comiiiiigo para aquela praaaaaia deseeeeerta... seria apenas vocêêêêê, eeeeeu e o maaaaar...’ – sussurra ele no ouvido do rapaz.
‘Akira... SAI DE CIMA DE MIM!!!’ – ordena Shuichi.
‘O que é que tá havendo, Ryoga?’ – pergunta Hideki.
‘Não se preocupa, você vai se acostumar. Esse é Matsumura Akira. Caso você ainda não tenha reparado, ele é... hã... gay. Já faz algum tempo que o Takahashi tá sendo perseguido por ele.’ – esclarece Ryoga.
‘Ah, tá. Coitado dele...’
‘ME SOLTA AKIRA... PÁRA COM ISSO, NÃO, NÃO PEGA AÍ, NÃO!!!’
‘SHUICHI-KUUUUUN, AI SHITERUUUUU!!!’
‘Caramba, coitado mesmo!!!’ – fala Hideki.
Ele então avista Kasumi conversando com um grupo de meninas. A visão o faz corar, o que Ryoga percebe.
‘Aê, dá-lhe, garoto... tá apaixonado pela Kasumi-chan!’ – fala ele.
‘Eu? Não, tá maluco! Ela já deve ter um namorado...’ – diz o rapaz.
‘Na verdade, não...’
‘Então, tá...’ – fala Hideki, aproximando sua cadeira da de Ryoga. – ‘O que mais você sabe sobre ela? Fale-me tudo, não esconda nada!’
‘O que eu sei é o que todo mundo aqui sabe. Qualquer cara da escola sonha em ter uma chance com a Kasumi-chan, assim como você e eu. Mas ninguém sabe de quem ela realmente gosta.’
‘Que merda!’ – exclama Hideki.
‘SAI PRA LÁ, AKIRA. EU NÃO GOSTO DE VOCÊ!!!’
‘IIIIISSO, SHUICHI-KUN! ME BAAAAATE COM FOOOOORÇA, ME JOOOOOGA NA PAREEEEEDE, ME CHAAAAAMA DE LAGARTIIIIIXA! AI SHITERUUUUU, AI SHITERUUUUU, DARLIIIIING!!!’
‘ALGUÉM... SOCORRO!!!’
‘Meninas...’ – diz Kasumi, indo na direção dos rapazes. – ‘Este é Togashi Hideki, meninas. Ele é um aluno novo. Eu gostaria que vocês fossem legais para que ele se sentisse o mais entrosado possível, OK?’
‘Sim.’ – dizem elas.
‘Ohayo, Togashi-kun. Eu sou Fukume Akane.’
‘Ohayo, Akane.’
‘Eu sou Fukume Karin, a irmã de Akane.’
‘Olá, Karin.’ – cumprimenta ele.
‘E eu sou Nakohuru Sayuki, a melhor amiga da Kasumi-chan.’
‘Prazer em te conhecer, Sayuki-chan.’ – diz Hideki.
As meninas começam a interrogá-lo, querendo saber onde havia estudado, qual a comida favorita, programa de TV, o que faz no tempo livre, etc... entre outras coisas. Até que finalmente...
‘Pessoal, por favor, em seus lugares...’ – disse a sensei, entrando na sala.
‘Ah, jááááá? Que droooooga... até mais taaaaarde, Shuichi-kuuuuun.’ – disse Akira, saindo do colo de seu amado e indo para seu lugar.
‘Que sorte! <PUF! PUF!> Ele já estava quase <PUF! PUF!> me dando um <PUF! PUF!> beijo na boca.’ – fala Shuichi.
‘Ohayo, classe. Este ano eu serei a professora de vocês.’ – diz ela, pegando um pedaço de giz e escrevendo seu nome no quadro. – ‘Eu sou Kajeyama Saori. Chamem-me de Kajeyama-sensei. Vocês irão aprender coisas muito interessantes ao longo do curso e o que eu peço apenas é dedicação, tá? Então vamos prosseguir...’
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Horário em Tokyo: 12:00h.
‘Pô, mãe! Okonomiaki de novo? Já tô enjoado desse negócio.’ – reclama Hideki, na hora do almoço.
A única cerejeira do pátio da escola é o local escolhido por ele para degustar do lanche que sua mãe, com tanto carinho, lhe preparou. Sob a sombra dessa árvore, várias reflexões são feitas...
‘Então, Sayuki é a melhor amiga da Kasumi. Sendo assim elas devem dividir todos os segredos. Se eu puder armar direitinho, posso extrair todas as informações dela. É só fazer as perguntas certas...’ – pensa Hideki.
Seu prato lhe parece mais apetitoso agora que já tem um plano. Assim que terminasse de comer, procuraria por Nakohuru e lhe interrogaria. Ela apresentou um ar de ingenuidade enquanto conversavam e isso lhe era favorável.
‘Ela nem vai perceber que falou demais... ha, ha, ha, ha...’ – fala Hideki.
‘Quem não vai perceber o quê?’
‘AAAHHHHH!!!’ – assusta-se ele, jogando o prato de comida para cima.
Uma linda menina de cabelos loiros e olhos verdes sai de trás da árvore, exibindo um simpático sorriso. Hideki fica bobo ao vê-la e nem sente quando o prato lhe cai na cabeça e a comida suja-lhe a roupa.
‘Hi, Hi... Konnichi wa. Você deve ser Togashi Hideki, né?’ – pergunta a menina.
‘S-s-s-sim, sou eu. E você é...’ – diz ele, recobrando-se do susto.
‘Eu sou Tamura Megumi, aluna da turma 2-A. Assim que soube que tínhamos um novo aluno, vim correndo para dar-lhe as boas-vindas.’ – fala ela, sentando-se ao lado dele.
Ela ajuda o rapaz a se recompor. Ele fica embaraçado com toda essa situação, mas tenta a todo custo esconder.
‘Arigato... tô vendo que o pessoal daqui é demais.’ – diz ele.
‘De nada. Você já conheceu mais alguém?’ – pergunta ela.
‘Bastante gente: Kenichi, o louco do Kojiroh e a namorada, Ryoga, Shuichi, Akira, Akane, Karin, Sayuki, Kasumi...’
Ao ouvir este último nome, a veia na testa de Megumi incha.
‘Puxa, que bom pra você. Se puder me incluir nessa lista...’ – diz ela.
‘É claro! Você foi tão simpática comigo... acho que vamos nos dar muito bem.’
‘Sugoi, Hideki-chan.’
A sineta atrapalha a conversa calorosa dos dois amigos, anunciando que são 12:50h, hora de entrar. Todos os alunos começam a ir para suas salas.
‘Eu vou indo, então, Hideki-chan. Sayonara.’ – despede-se Megumi.
‘Até mais.’ – diz ele.
‘Duas em um só dia? Puxa, você não perde tempo, hein, Togashi?’ – fala Ryoga, dando um tapa nas costas de Hideki.
‘Não é nada disso, não, cara.’
‘Ah, é?’ – fala Nyakuro, apontando para o terraço da escola. – ‘Quero ver como você vai conseguir dizer a ela que não há nada entre Tamura e você...’
Ao olhar na direção indicada, Hideki dá de cara com Kasumi, com uma expressão muito séria no rosto, apoiada na grade, que de repente sai correndo dali.
‘Peraí, ela me viu conversando com a...’
Ryoga faz que Sim com a cabeça.
‘E ela pode acabar pensando...’
Ryoga faz que Sim com a cabeça.
‘Que Megumi e eu...’
Ryoga faz que Sim com a cabeça.
‘Estávamos...’
Ryoga faz que Sim com a cabeça.
‘Que merda! É melhor eu ir lá e falar com ela.’ – diz ele, correndo para as escadas.
‘Vai lá, Togashi.’
Shuichi passa correndo seguido de Akira segurando um prato de comida numa mão e pauzinhos na outra.
‘SHUICHI-KUUUUUN... VOCÊ NÃO TERMINOOOOOU DE COMEEEEER MINHAS CAAAAARNES, DARLIIIIING. DEIXA EU TER DAAAAAR NA BOQUIIIIINHA, MEU QUERIIIIIDO!!!’
‘SAI DE MIM, ASSOMBRAÇÃO! EU NÃO QUERO NADA CONTIGO, FILHO DO CAPETA.’
‘SHUICHI-KUUUUUN... NÃO FAAAAALA ASSIM DE MIIIIIM, DARLIIIIING!’
‘SOCORRO!!! ALGUÉM ME AJUDA!!!’
‘Puta que pariu... esses dois... vão acabar... casando! QUE NOJO!’ – pensa Ryoga, fazendo que Não com a cabeça.
O rapaz nem percebe que é vigiado por alguém... que o conhece muito bem.
‘Breve, Nyakuro... em breve nos encontraremos.’
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Horário em Tokyo: 12:54h.
‘MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MERDA! MIL... VEZES... MERDAAAAAAAAAAA!!!’ – pensa Togashi, subindo as escadas. – ‘Eu tenho que chegar lá e esclarecer à Kasumi que eu não estava tentando nada com a Megumi... que na verdade eu quero algo é com ela mesma!!!’
Enfim, Hideki chega à escada que dá acesso ao terraço.
‘Se for preciso, eu me declaro agora! É tudo ou nada!’ – pensa ele.
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Horário em Tokyo: 12:50h.
A sineta anuncia o fim da hora de almoço. Mas não significa o fim da conversa destas duas meninas.
‘Ah, Kasumi-chan, fala pra mim... quem é?’ – pergunta Sayuki.
‘Não posso dizer... é segredo.’ – diz Kasumi, olhando para o pátio da escola.
‘Ah, você vai esconder isso de mim? Puxa, Kasumi...’ – diz ela, chateada, se afastando dela.
‘Não é isso. É que... é difícil... é uma coisa muito pessoal , sabe? Eu não sei se consigo falar...’
‘Não é tão difícil assim, Kasumi-chan... É só dizer: "Eu gosto do..." e o nome do garoto!’
‘Ah, é sim... não posso dizer, Sayuki.’
‘Vamos fazer assim: primeiro eu digo de quem gosto e depois é a sua vez. Combinado?’
‘Se é assim, tudo bem.’ – diz Kasumi, olhando para o pátio.
‘Eu gosto do... Togashi Hideki.’
Ao ouvir tal nome, Kasumi agarra sua amiga pelos ombros e a empurra até a parede perto da porta da escada. Ela lança um olhar sério e inquietante de reprovação sobre Sayuki, que fica sem palavras. Então, ela a larga e lhe dá as costas.
‘Ka-Kasumi-chan... o que...’
‘Como você pode gostar de alguém que acabou de conhecer?’ – pergunta Kasumi.
‘A-apenas... aconteceu... o amor é cego, né?’
‘Mas logo com alguém como o Hideki? Se você soubesse o que eu sei dele...’
‘Mas...’
‘Eu não acho que você devesse tentar algo com ele... digo isso para o seu próprio bem, Sayuki-chan...’
‘Arigatou Gozaimasu, Kasumi-chan...’ – diz a menina, cheia de lágrimas nos olhos. – ‘Você realmente se preocupa comigo. É uma verdadeira amiga. Prometo que vou tomar muito cuidado.’
‘Espero que você tenha mesmo... você é muito ingênua... não quero que se machuque por causa dele.’
‘Tá certo, minha amiga.’ – diz Sayuki, limpando o rosto. – ‘Agora é a sua vez. De quem você gosta?’
Kasumi hesita por um instante. Enchendo-se de coragem, toma um pouco de fôlego, fecha os olhos e fala.
‘Eu gosto do...’
‘Kasumi-...’ – diz Hideki, abrindo a porta do terraço.
‘EU GOSTO DO ORIGAWA-SEMPAI!!!’ – grita Kasumi.
‘...chan!’ – chama ele, no momento em que a porta é aberta.
O trio fica parado, sem reação. As meninas olham para Hideki com cara de espanto, que as olha mais pasmo ainda. Era óbvio para todos o que acabara de acontecer ali.
‘Então o amado dela é...’ – pensa ele.
‘Meu Deus, ele ouviu o que eu...’ – pensa Kasumi.
‘Hi... Hideki-kun...’ – diz Sayuki.
Mais um momento de silêncio. Ninguém consegue pensar em algo para dizer, os três completamente paralisados com as revelações.
‘Por favor... eu quero falar com você depois da aula... Togashi.’ – diz Kasumi, levitando e indo para a sala de aula.
‘Depois a gente se fala, Hideki-kun.’ – fala Sayuki se despedindo.
O rapaz se ajoelha, ainda em estado de choque. O fato de saber o nome do escolhido de Kasumi já o havia abalado demais para o gosto dele, agora soma-se a isso o recente ódio que ela irá desenvolver por ele por ter esse conhecimento.
‘Por que eu tenho a impressão de que eu não devia ter subido até aqui?’ – pensa ele.
Ele resolve descer e ir para sua sala. Não adiantaria nada ficar ali parado, isso não faria o tempo voltar.
‘Então você gosta do Origawa-sempai, né, Hagiri? Veremos quem vai consegui-lo primeiro, minha querida...’ – fala Megumi, saindo de trás da parede perto da porta da escada. – ‘Veremos... HO HOHOHOHOHOHOHO... HO HOHOHOHOHOHOHO...’
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Horário de Tokyo: 13:30h.
‘Togashi... ei, Togashi! O que houve?’ – pergunta Ryoga.
‘Hã? Ah, nada não, cara. É que eu tô com um negócio na cabeça...’ – responde o ainda atordoado rapaz.
‘O que é?’
‘Você conhece um tal de Origawa-sempai?’ – pergunta Hideki.
‘Sim. Ele é para as meninas daqui o que a Kasumi é para os rapazes: o cara a quem todas elas admiram e querem namorar. Por quê?’
‘Nada, não. É que eu ouvi falar dele e queria saber mais a respeito...’
‘Vai me dizer que vai entrar pro time do Akira...’
‘O quê? Tá me estranhando, cara? Não fode!’
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Horário de Tokyo: 15:10h.
A maioria dos alunos já se encaminha para casa, apenas algumas poucas permanecem para uma pequena aula extracurricular...
‘Tá vendo aquele bando de meninas ali olhando para a quadra de futebol, Hideki?’ – pergunta Ryoga.
‘Tô. Por que?’
‘Sempre que você vir nesta escola um monte delas reunidas em um só lugar para observar a mesma coisa...’ – diz Shuichi, tentando empurrar Akira para o mais longe possível. – ‘Pode crer que elas estão ali pra ver...’
‘ORIGAWA-SEMPAI!!! KAWAIIIII!!!’ – gritam todas as meninas em coro.
Apesar do esforço do goleiro, o Sempai acaba marcando mais um gol. Isto faz com que as meninas fiquem mais afoitas ainda, chamando de todos os elogios que conhecem.
‘LINDO!!!’ – exclama uma.
‘MARAVILHOSO!!!’ – berra outra.
‘GOSTOSO!!!’ – grita a sensei.
‘Kajeyama-sensei?!’ – espantam-se as meninas.
‘Ora, eu também sou mulher, poxa! E ele é lindo!’ – exclama ela.
‘Bem, é mesmo... LINDO... MARAVILHOSO...’
E quanto mais aplaudido, maior o seu empenho. Usando sua super-velocidade, o Origawa-sempai passa pelo time adversário sem problemas e mete mais um gol. As meninas vão ao delírio.
‘Ele é liiiiindo, meeeeesmo... maaaaas não maaaaais que vocêêêêê, Shuichi-kuuuuun...’ – diz Akira.
Hideki toma fôlego. Ele pensa que não há chance de enfrentar tal rival pelo amor de Kasumi. Principalmente porque não é o Sempai que sabe quem é a pessoa que ela gosta.
‘Fala sério... o cara tem tudo o que eu não tenho e mais um pouco... é boa-pinta, é bom nos esportes, tem um bando de mulheres atrás dele... o que mais falta?’
‘Togashi-kun?’
O quarteto se vira e se depara com Kasumi encarando Hideki com uma expressão mista de séria e triste.
‘Ka-Kasumi-chan?’ – gagueja ele.
‘Hã... bem... hã... eu... tenho que ir pra casa... fazer a minha lição... e... assistir o episódio de hoje de "Lone Hunter 6003". E você, Shuichi?’ – improvisa Ryoga, saindo de fininho.
‘É-é, eu também. Vejo esse anime sempre...’ – diz ele, pegando Akira pela cintura. – ‘Vamos todos assistir lá em casa...’
‘É MEEEEESMO, SHUICHI-KUUUUUN? EU NUUUUUNCA FUI NA SUA CAAAAASA AAAAANTES... QUE BOM... QUE BOM... QUE BOM...’ – diz Akira, sendo puxado por Shuichi. – ‘SAYONARA, HIDEKI... SAYONARA, KASUMI...’
‘Peraí, não se empolga, não, Akira...’ – fica sussurrando Shuichi.
Finalmente a sós, os dois se olham. O rapaz observa os cabelos de Kasumi alçarem vôo com uma suave corrente de ar, o modo como o vento tenta roubar o laço de seu uniforme, o jeitinho com o qual ela segura sua pasta escolar. Ele a olha de cima a baixo, esperando que ela diga alguma coisa.
‘Será que podemos... conversar em outro lugar... Hideki?’ – pergunta ela.
‘S-sim. Onde?’
‘Vem comigo.’
‘Tá.’
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Horário de Tokyo: 15:20h.
‘Aí dentro?’ – pergunta Hideki.
‘Sim. Como hoje é o primeiro dia, os alunos de kendô não vieram à aula. Por isso o dojô ficou fechado o dia inteiro. Entre.’
‘Me fala um negócio...’ – diz ele, tirando os sapatos para entrar. – ‘Quando começam as inscrições para os clubes? Eu esqueci de perguntar isso antes.’
‘Amanhã.’ – diz Kasumi, encarando o rapaz novamente.
Ele a observa de novo, tentando imaginar o que dizer. Mas nada lhe vem à mente.
‘Sabe, Hideki...’ – fala ela, fazendo-o despertar do transe. – ‘Eu estudei a minha vida inteira nesta escola. Foi aqui que aprendi a lutar pelos meus sonhos e ideais. Eu sempre estava envolvida em projetos de classe, organização de clubes, grupos de estudo, monitoria... entrava de cabeça em todos eles, sempre buscando acumular conhecimentos para poder aplicar em alguma coisa produtiva, ou para mim ou para os outros. Sempre fui muito agitada, cheia de energia.’
Kasumi se vira e anda até uma das janelas do dojô. Hideki a acompanha com os olhos, intrigado com o por quê das revelações. Dali ela continua a falar.
‘Mas ao mesmo tempo que expandia minha mente, eu ocultava uma coisa: não me permitia envolver com os rapazes.’ – esta declaração faz o rapaz arregalar os olhos e pensar besteira. – ‘Na verdade, não conseguia pensar em relacionamento nenhum. Visava apenas aprender, estudar, tirar boas notas, ajudar os outros... quando quem precisava de ajuda era eu. Mas não queria admitir isso de forma alguma.’
Ela encosta sua cabeça levemente sobre a madeira da janela.
‘Daí, surgiu o sempai aqui na escola. Origawa Shinnosuke. O homem com H maiúsculo. Gentil, doce, sincero, bonito, inteligente... foi quando me vi perdidamente apaixonada por ele.’
Hideki sente o chão ruir sob seus pés de novo. Talvez ela não pudesse perceber, mas o rapaz sentia como se mil adagas flamejantes atravessassem seu peito, a velocidades próximas à da luz. Mas ele se segura como pode.
‘De repente, me vi pensando nele mais e mais. Escrevendo seu nome de todas as formas e cores possíveis em meu caderno, ficando após as aulas para vê-lo jogar futebol, torcendo arduamente por ele em seus jogos, buscando desculpas tolas para falar com ele... eu estava amando... mas não consegui admitir isso a mim mesma.’ – ela então vai andando até parar a alguns metros de Hideki. – ‘Eu passei as férias inteiras refletindo sobre minha condição. Ficava imaginando se ele conhecera alguém durante esses meses... se nunca teria tempo e coragem para dizer o que sinto a ele. Nestes últimos dias foi que tomei minha decisão: iria admitir logo de uma vez. E mais: estava disposta a dizer a ele.’
Ela se vira para ele e o encara outra vez.
‘Estava disposta a falar com ele hoje. O sempai sempre fica na sala de aula, na hora do intervalo, seja conversando ou estudando, ele está lá a essa hora. Tomei fôlego e fui até a sala dele. Quando cheguei no corredor, Sayuki me puxou pelo pulso até o terraço e disse que queria conversar. No meio do papo, ela perguntou se eu gostava de alguém. Me recusei a dizer no início, mas acabei cedendo. Eu acho que o resto você já sabe. Eu gritei o nome do Origawa-sempai na exata hora que você chegou.’
Kasumi continua a encará-lo.
‘Eu o amo. De verdade. E gritei daquele jeito, não por vergonha de admitir que estava gostando do sempai, mas sim por orgulho. Estava afirmando a mim mesma que eu posso amar alguém.’
‘Caramba, Kasumi-chan... eu nem sei o que...’ – fala ele.
‘Não há nada a ser dito.’ – diz ela.
Hideki ainda tenta absorver todas essas declarações que a menina acabara de lhe fazer. E, enfim, consegue forças para falar.
‘Eu suponho que tenha sido um imenso choque pra você quando entrei daquele jeito, naquela hora crucial... o seu espanto por eu ter ouvido o nome do seu amado... deve ter te causado revolta porque você guardou esse sentimento durante anos e, em seu primeiro dia de aula, um cara que você mal conhece acaba descobrindo seu maior segredo sem querer.’ – diz ele.
‘Não poderia ter sido mais claro.’ – afirma ela.
‘E suponho, também, que tenha imaginado que eu seria, como você mesma disse, "O Maior Mal da Terra" e contaria isso pra qualquer um que eu visse na minha frente, que em meia hora a escola inteira saberia de quem você gosta. Estou certo?’ – pergunta ele.
‘Bem... eu até pensei que sim.’
‘Kasumi, olha, eu jamais diria nada. Fiquei até o final da aula pensando no que eu tinha ouvido. Eu nunca faria esse tipo de coisa com ninguém. Por favor, acredite em mim.’ – implora Hideki.
‘Sério?’
‘Claro! Posso te dar um conselho?’
‘S-sim...’ – diz ela.
‘Vá para casa, tome um banho, durma bem e quando você chegar aqui amanhã, a primeira coisa a fazer será se declarar ao Origawa-sempai. Não se esqueça, a primeira coisa será essa!’
‘Hideki...’ – fala Kasumi, espantando-se.
‘Você o chama para um canto reservado e fala com ele. Aí é só ver o que vai acontecer. Se rolar, rolou. Se não, pelo menos você tentou. Como dizia um velho amigo meu: "É melhor se arrepender de algo que você fez do que de algo que deixou de fazer".’
‘Hideki... eu...’
‘E não precisa se preocupar. Seu segredo está bem guardado comigo. É uma promessa!’ – diz ele, estendendo o dedo mindinho.
Algumas lágrimas escapam pelos olhos da menina. Ela não consegue acreditar que está ouvindo tais palavras do rapaz à sua frente. Aquele que julgara um elemento de baixíssimo nível, agora provando possuir um valor inimaginável.
‘Domo Arigatou Gozaimasu, Hideki.’ – diz ela, estendendo seu mindinho e selando a promessa. – ‘Eu tirei conclusões muito apressadas de você. Gomen nasai!’
Ela lhe dá um abraço e os dois ficam assim durante um tempo.
‘Você é um amigo e tanto. Arigatou, Hideki-kun!’ – diz Kasumi.
‘Tudo bem. Disponha, Kasumi-chan.’ – diz ele.
Os dois se largam e andam até a porta. Colocam seus sapatos e seguem até a entrada da escola.
‘Bem, eu vou indo, Hideki. Você é a melhor pessoa que eu já conheci.’
‘Arigatou! Você também.’ – diz ele.
‘Então, Sayonara.’ – diz ela, alçando vôo, sumindo no horizonte.
O rapaz contempla seu anjo de cabelos castanhos ir embora, confundindo-se com o céu do entardecer... e ao ter certeza de que ela não o está mais vendo...
‘MERDA! <Cabeçada no poste!> MERDA! <Cabeçada no muro!>MERDA! <Cabeçada no poste!> MERDA! <Cabeçada no muro!> MERDA! <Cabeçada no poste!> MERDA! <Cabeçada no muro!> MIL... VEZES... MERDAAAAAAAAAAA!!! <MEGA CABEÇADA NO POSTE!!!>’
Após extravasar toda a sua revolta no muro e no poste, Hideki vai para casa, altamente deprimido.
‘Por quê? Não seria mais fácil ela ter arrancado logo o meu coração e cuspido em cima? Que merda!’ – pensa ele.
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Horário de Tokyo: 21:35h.
<Cabeçada na parede!> <Cabeçada na parede!> <Cabeçada na parede!> <Cabeçada na parede!> <Cabeçada na parede!> ...
‘Querido, que barulho é esse? Tá vindo lá do quarto do Hideki.’ – diz a Sra. Togashi, lavando a louça.
‘Não sei. Ele deve estar escutando aquelas músicas de maluco dele de novo...’ – fala o Sr. Togashi, lendo o jornal.
‘Escuta, meu amor, eu acho que Hideki está voltando a ser criança. Quando coloquei sua calça pra lavar ela estava fedendo a xixi...’ – comenta a Sra. Togashi.
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Horário de Tokyo: 0:10h.
Kojiroh começa a intensificar as estocadas ao perceber Shini chegando ao orgasmo. A menina sente a intenção de seu amado e abre mais as pernas para receber todo o tamanho e grossura daquele membro. A mola do colchão da cama faz cada vez mais barulho, como que tentando acompanhar o ritmo do casal. O ar do quarto fechado se enche com um novo aroma: o do gozo da Morte.
‘YAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!’ – grita Shini.
De seu pequeno corpo, começa a emanar centenas de raios que iluminam o quarto. Cada uma toma a forma do rosto de uma pessoa em agonia. O policial que anda na rua se assusta ao ver tal show de luzes a essa hora da noite naquele quarteirão. Deve ser um novato. Já é normal para qualquer passante naquelas redondezas aquele efeito quando Kojiroh e Shini estão transando.
O enorme rapaz não perde tempo, levantando-se e virando a menina, que ainda se contorce de prazer. Ele rapidamente a põe de quatro, abre suas nádegas e penetra seu cú de uma só vez. Ele acelera o ritmo das estocadas mais e mais, ao mesmo tempo que absorve a energia que a menina liberou.
‘ISSO... SIM... EU QUERO... TODA ESSA ENERGIA... EU PRECISO DELA...’ – diz ele, em delírio. – ‘EU PRECISO... DELAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA...’
Shini é inundada pela potência máscula de Kojiroh. O líquido branco e quente encharca seu traseiro de forma brutal e selvagem e escorrendo por suas pernas. Ele a vira de novo, sem tirar de dentro, e a beija de forma calorosa e excitante, como se sua vida dependesse disso. Ela não tem mais forças para continuar. Apenas sente seu corpo sendo pressionado de forma violenta por aquele homem que toda noite a fazia passar por tal sessão de terror, tendo que fazer sexo três horas seguidas, sem descanso. Isso não é vida, ela pensa.
Ela se sente feliz com tal pensamento.
Os dois enfim se desengatam. Shini se vira de lado na cama, para tomar um fôlego. Kojiroh se preocupa com outro assunto.
‘Foi ótimo, Koibito...’ – diz ela, toda ensopada de suor, esparramando-se de bruços na cama. – ‘Mas você estava diferente hoje... Suas estocadas estavam mais fortes do que nunca... Tão cheias de raiva, ódio... por isso que foi mais gostoso... Mas esse sentimento não foi gerado pela pessoa de sempre... Kenichi... Se não foi ele, então quem...’
Kojiroh fica sentado em um canto da cama olhando para a lua que se semi-esconde atrás de uma nuvem. Seu enorme corpo cansado ainda tenta absorver a energia liberada pela menina.
‘Eu preciso dela... Eu a comando... Ela me completa...’ – sussurra ele, terminando a absorção.
‘O que está te preocupando, meu Arauto do Caos? Posso sentir que você está mais agressivo do que antes... Não quer dividir seus segredos comigo?’
‘Não é nada, meu amor. É apenas um problema dos mortais. Você não deve se envolver.’ – fala ele, andando até a janela do quarto.
‘Seus problemas são meus também... Seus jogos de intriga, suas guerras sangrentas, sua fome pelos poderes divinos... eu estou em todos eles... eu estou em tudo... Se eu o conheço bem, está pensando em diminuir o tempo de alguém aqui na Terra... estou certa?’ – diz ela, recostando-se na cama.
‘Você me conhece muito bem, Shini.’ – fala Kojiroh, abrindo a janela e permitindo à brisa da noite dissipar o ar que infesta o quarto. – ‘BEM demais. Realmente não estou irritado por causa daquele Youkai insolente. Hoje surgiu mais um que se atreve a me questionar.’
‘O Hideki?’ – pergunta ela.
‘Sim. Aquele verme me aplicou um golpe que não gostei. Eu poderia tê-lo matado de uma vez só, mas você me impediu. E você sabe como toca a banda por aqui: eu mando e todos obedecem.’
‘Eu sei como é, Koibito... Mas não queria que você o matasse ainda...’
‘E por que não?’ – pergunta Kojiroh.
‘Por que, através dele, este mundo verá todas as maravilhas da dor e do sofrimento...’ – diz ela, levantando-se da cama.
‘Eu pensei que esse fosse o meu papel.’
‘E é... A diferença é que a sua vontade e força são capazes de destruir mundos... E ele é o sinal e o caminho para o Apocalipse...’ – diz ela, caminhando até ele.
‘Então aquele merda traz o fim?’
‘Algo grande está para chegar... e ele é a chave, meu querido...’ – diz Shini, se esfregando no corpo quente de seu amado.
‘Hum... Hahaha... HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...’ – gargalha Kojiroh, como há muito não faz, abraçando-a. – ‘Está bem, minha querida Shini. Vou assistir de camarote aos acontecimentos. Eu espero que seja em breve.’
‘Será, Koibito... será...’
O rapaz começa a concentrar sua energia e forma um furacão dentro de seu quarto.
‘ESTÁ PRONTA PARA A TRIGÉSIMA-PRIMEIRA?’ – urra ele.
‘Sempre...’ – afirma ela.
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NO OUTRO DIA...
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Horário de Tokyo: 7:45h.
Durante seu caminho para a escola, Hideki tenta fazer algumas reflexões, principalmente as que dizem respeito à...
‘Kasumi-chan...’ – pensa ele, cabisbaixo. – ‘Por quê? Antes eu não a tivesse ouvido no terraço da escola... de "O Maior Mal da Terra", me tornei seu conselheiro sentimental. O problema é eu estar dizendo à garota que gosto pra ficar com outro cara. É mole? Já no segundo dia de aula, quero ir embora da escola. Pelo menos, desta vez, não foram os meus poderes que me fizeram tomar esta decisão.’
Faltando alguns quarteirões para chegar a seu destino, o rapaz pensa de novo quanto a ir à escola. Não suportaria ver sua amada abraçada ao sempai... vê-los se beijando... vê-los contentes...
‘Mas que merda...’ – diz ele, parado na calçada. – ‘Hã? Quem vem vindo?’
Hideki imediatamente olha para trás, procurando o ki que acaba de sentir. Mas não consegue ver ninguém.
‘Ué... o que será que...’ – pensa ele.
Eis que ao longe ele avista alguém, o dono daquela enorme energia. Sua mente lhe prega uma peça por alguns instante, fazendo-o pensar em se tratar de Kojiroh, mas ao se aproximar, consegue distinguir a imagem de Kenichi. Hideki dá um suspiro de alívio.
‘E aí, cara? Tudo bem?’ – pergunta Katsura, passando pelo rapaz.
‘Tudo. E com...’ – fala Hideki, sendo deixado no vácuo. – ‘Ei, Kenichi...’
‘Fala.’ – diz ele, sem olhar para trás, indo embora.
‘Escuta...’ – diz o rapaz, tentando acompanhar os passos de Katsura. – ‘Eu queria te agradecer por ter me salvado ontem. O Kojiroh podia ter feito a minha cabeça virar geleia mas você não deixou. Brigadão, mesmo. Mas... eu não entendi quando você disse que eu era um dos seus... como é que é isso?’
Silêncio. O Youkai nada diz. Hideki continua a esperar a resposta e quando resolve repetir a pergunta...
‘Você defendeu aquelas garotas. Você usou um poder seu para desviar a bola de fogo, não foi?’ – pergunta Kenichi.
‘Sim.’ – diz Hideki.
‘Eu amo as mulheres. Todas elas. De qualquer forma, tamanho, cor e idade. Eu as amo. E tal sentimento me faz querer protegê-las. A qualquer preço.’
‘Puxa...’ – fala o rapaz, espantado.
‘E respeito quem faz o mesmo. Aqueles que protegem mulheres ganham a minha simpatia. Vi quando se arriscou para impedir que as meninas se machucassem e então percebi que você era como eu.’
‘Agora eu entendi. Valeu, mesmo.’ – fala Hideki.
‘É por isso que disse aquilo. Você me pareceu uma boa pessoa. Mas também não me pareceu muito capaz de encarar Kojiroh. Daí resolvi ajudá-lo. Mesmo assim, ele não ficou muito alegre em saber que você estava do meu lado.’
‘Ei, peraí!!! Eu não me meti na luta de vocês por querer. Foi apenas uma mera coincidência!’ – defende-se Hideki.
‘Ele tá pouco se fodendo pra isso!’ – rebate Kenichi. – ‘Se você contrariá-lo, ou o mata ou morre. Essas são as opções. Até hoje eu fui o único que tentou a primeira.’
‘Me diz uma coisa: no fim da luta ele te chamou de Youkai... isso é verdade? Você é realmente um...’ – fala Hideki.
Novamente o silêncio. Desta vez maior que o anterior. Já era possível os ver portões da escola...
‘Sim. Não sou um ser humano. Na verdade eu venho do Makai.’
Hideki sente um aumento no ki de Kenichi ao dizer estas palavras.
‘E por que você está aqui na Terra?’
Silêncio outra vez. Enfim os dois chegam ao colégio. Quando o Youkai toma fôlego para falar...
‘Hideki-chan!!!’
‘Hã? Quem me chamou assim antes foi...’ – pensa ele, virando-se para trás.
Megumi sai de sua luxuosa limusine indo na direção de Togashi, que fica bobo ao vê-la. Afinal, foi por causa dela que acabou tendo que passar por tudo aquilo no dia anterior.
‘Posso te falar uma coisa sobre essa menina?’ – diz Kenichi, indo embora. – ‘Eu não a protejo.’
‘Mas...?’ – fala Hideki, sem conseguir fazer-lhe a pergunta.
‘Hideki-chan! Eu queria falar com você! Vem!’ – diz ela, agarrando-o pelo braço e levando-o à quadra da escola.
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Horário de Tokyo: 7:57h.
‘Ah, que linda manhã... Que brisa gostosa!’ – pensa Kasumi.
A menina voa a uma velocidade espantosa, algo difícil de acontecer. Tais vezes são as que precedem eventos na escola ou alguma reunião no clube de kendô. Mas agora é uma nova urgência que a faz se apressar: o amor.
‘Não acredito que hoje vou me declarar. Depois das palavras de Hideki...’
‘Vá para casa, tome um banho, durma bem e quando você chegar aqui amanhã, a primeira coisa a fazer será se declarar ao Origawa-sempai. Não se esqueça, a primeira coisa será essa!’
‘Você o chama para um canto reservado e fala com ele. Aí é só ver o que vai acontecer. Se rolar, rolou. Se não, pelo menos você tentou. Como dizia um velho amigo meu: "É melhor se arrepender de algo que você fez do que de algo que deixou de fazer".’
‘E não precisa se preocupar. Seu segredo está bem guardado comigo. É uma promessa!’
‘EU TENHO QUE FAZER ISSO. POR HIDEKI-KUN!’ – decide Kasumi.
Uma revoada de pássaros é cortada pela radiante menina, que faz o possível para chegar cedo na escola.
‘Acho que depois vou ajudar Sayuki a tentar algo com ele. Os dois formariam um belo casal. Hi, hi.’
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Horário em Tokyo: 7:58h.
Um estranho rapaz mascarado se encontra no terraço do colégio, usando uma espécie de binóculo para espiar os alunos. Ele rastreia seu alvo como o leão procura sua próxima vítima.
‘Não... não... não... não... Droga, Ryoga, cadê você? Já era pra você estar... ah, achei!’
O cursor luminoso da máquina encontra o pobre rapaz conversando com Shuichi, Akira, Karin e Akane.
‘Aproveite a sua liberdade, garoto. Pois vamos nos encontrar mais breve do que você pode imaginar...’ – pensa o estranho.
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Horário em Tokyo: 8:00h.
‘O que você quer de mim, Megumi?’ – pergunta Hideki.
‘Ora, Hideki-chan, o que mais uma menina iria querer de você?’ – diz ela se aproximando dele.
A menina demonstra um olhar diferente, mais sensual do que da última vez. Isso inquieta o rapaz. Sua imaginação voa de vento em popa, criando mil e uma fantasias.
‘Hã... bem... é que...’ – diz ele, se encostando no muro da quadra.
Ela se aproxima devagar, exibindo um sorriso safado que começa a tirá-lo do sério. Por alguns instantes, Hideki chega até a cogitar a possibilidade de...
‘Eu quero te fazer apenas uma perguntinha...’ – fala Megumi, bem pertinho do rosto de Hideki.
Ele fica a ponto de explodir. Seus joelhos tremem, seu corpo sua a baldes, a respiração começa a falhar...
‘Po-po-pode... fa-fa-falar... Megumi-chan...’ – diz ele, quase tendo sangramentos pelo nariz.
‘É que...’ – ela o pega pelo rosto e encosta seus lábios no ouvido do rapaz. – ‘... Você quer entrar para o Clube de Kendô?’
‘HÃ?’ – espanta-se Hideki, caindo de cara no chão. – ‘O QUÊ? ISSO TUDO FOI PARA ME PERGUNTAR SE EU QUERO ENTRAR NO CLUBE DE KENDÔ?’
‘É, as inscrições são hoje! E como presidente do clube é minha função sempre buscar novos membros. Então, o que me diz?’ – fala ela.
‘Puxa, é isso o que uma menina iria querer comigo? Caramba, hein!’ – exclama ele, após se levantar.
‘Ah, não fica assim não, Hideki-chan... Gomen... Eu não sabia que ia te magoar tanto... Gomen nasai!’ – diz ela, escondendo suas lágrimas com as mãos.
‘Hã... tudo bem, Megumi... não precisa chorar, não...’ – diz ele, tentando confortá-la.
‘Então você vai entrar no Clube de Kendô? Por favor, Hideki-chan...’ – diz ela, parando de chorar e mostrando um olhar pidão.
‘Ai, caramba... tá bom, Megumi, eu vou me inscrever...’
‘Ah, que bom!’ – exclama ela.
Megumi enlaça Hideki num forte abraço, de tal forma que o rapaz é capaz de sentir os mamilos do seio da menina lhe roçarem o peito por cima da camisa. Essa sensação é demais para ele...
<SPLASH!>
‘O que foi isso, Hideki-chan?’
‘Nada não.’ – diz ele, limpando o nariz sujo de sangue com o braço.
A menina larga Hideki e pega sua pasta. Antes de sair, ela dá um beijo suave na bochecha do rapaz, que o deixa incrivelmente vermelho. Ele fica sem palavras.
‘É um beijo de Obrigado. Você é ótimo.’
Ela olha para cima. Então sorri.
‘Bem, eu já vou indo. A gente se vê depois.’ – diz ela, indo para o prédio da escola.
‘Até mais...’ – diz ele, olhando para a mesma direção que Megumi olhara. – ‘Ué, por que ela sorr... Ah! Kasumi-chan!’
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Horário em Tokyo: 8:08h.
Shinnosuke mais uma vez é o primeiro de sua turma a chegar. É basicamente um tabu para ele manter esse posto. Assim tem tempo para colocar sua enorme agenda em dia.
‘Deixe-me ver... Clube de Natação às 14:00h... Clube de Baseball às 15:30h...’ – pensa ele, organizando seus horários.
‘Sumimasen... Origawa-sempai...’
‘Oh! Ohayo, Megumi-chan! Como vai você?’ – saúda Shinnosuke.
‘Vou bem, sempai!’ – diz ela, entrando na sala e fechando a porta por trás de si. – ‘O-origawa-sempai... preciso lhe falar algo muito importante...’
‘O que foi, minha querida? Por que está toda vermelha?’ – pergunta ele, preocupado com a menina.
‘Sempai... é que... é que...’
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Horário de Tokyo: 8:09h.
Hideki corre para o local escolhido por Kasumi para o pouso. Vários rapazes ficam olhando para ela, bobos de verem tanta beleza em uma só mulher. Mas um outro sentimento se manifesta em todos: inveja de Togashi por ela estar lhe dando atenção.
‘Ohayo, Kasumi-chan!’ – chama o rapaz.
‘Ohayo, Hideki-kun! Que bom que você veio me dar força...’ – diz ela.
‘Não é nada.’
‘Arigato. Só de te ver já me sinto mais confiante. Eu vou lá falar com ele agora.’ – afirma Kasumi.
‘Ah... sugoi... vai lá.’ – fala Hideki, chateado.
Ele a vê entrar no prédio da escola toda feliz. A pressa dela em se declarar transforma-se pouco a pouco em agonia para o rapaz.
‘Ohayo, Hideki-kun!’
‘Ah, ohayo, Sayuki-chan.’ – responde ele, desanimado.
‘O que foi? Você me parece tão triste...’ – diz ela, examinando a face do rapaz.
‘Hã? Ah, não é nada não... eu só preciso ficar um pouco sozinho...’ – diz ele, correndo para dentro da escola.
‘Hideki-kun...’ – fala Sayuki, sem entender o que se passa com o rapaz.
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Horário em Tokyo: 8:12h.
A conversa dos amigos no pátio fica cada vez mais animada, sem perceber a estranha figura que se aproxima.
‘... daí o cachorro veio pra cima de mim! Eu peguei uma pedra deste tamanho e esperei ele chegar bem perto. Aí eu quebrei ela na cabeça do desgraçado!’ – fala Ryoga.
‘Puxa... Que maldade, Ryoga...’ – sussurra Akane, enchendo seus olhos de lágrimas.
‘Ai, meu Deus...’ – exclama Karin, levando a mão à testa. – ‘Hoje tava um dia tão bonito...’
É inevitável. Nuvens escuras começam a se formar do nada sobre a escola. Uns poucos pingos são o suficiente para informar a todos os alunos sobre o que está para acontecer.
‘DROGA, RYOGA, OLHA O QUE VOCÊ FEZ!’ – grita Shuichi.
‘FOI MAL, EU ESQUECI QUE ELA IA CHORAR COM ESSA HISTÓRIA!’ – defende-se o rapaz.
<BBBBBBBBUUUUUUUUUUUUUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!>
‘VAMOS ENTRAR, PESSOAL!’ – sugere Karin, puxando a irmã para dentro da escola pelo braço.
‘<BUÁÁÁÁÁ!!!> SHUICHI-KUUUUUN... ESSA CHUUUUUVA TÁ ESTRAGAAAAANDO TOOOOODO O MEU CABEEEEELO... <BUÁÁÁÁÁ!!!>’
Todos os alunos correm para se abrigarem. O berreiro de Akane até começa a diminuir, mas mesmo assim a chuva que cai ainda cria muita confusão.
‘Venha cá!’
Ryoga é agarrado por um braço que sai de uma moita, sendo em seguida arremessado em uma poça de lama. O rapaz limpa o rosto para poder ver quem é seu agressor.
Sob a fina garoa, ele vê um homem de capa e máscara cinzas.
‘Qualé, rapaz? Que porra é essa de me jogar na lama?’ – pergunta ele, levantando-se.
‘Nervosinho como sempre... que bom! Isso prova que ainda tem salvação.’ – diz o homem.
‘Do que você tá falando?’ – fala Ryoga, tomando uma postura defensiva.
‘Não preciso dizer nada, cara. Apenas mostrar...’ – diz o homem, tirando a máscara.
‘Mas... mas... você...’ – balbucia Ryoga, espantado, não acreditando no que vê.
‘Sim! Vá para a aula. Amanhã, ao meio-dia, quero vê-lo aqui. E não se esqueça de vir... Já que sua vida dependerá do que irei lhe falar.’ – diz o homem, jogando a máscara na poça de lama.
Ryoga faz que Sim com a cabeça. Ele fica estático, apenas olhando para a face daquele homem, mas preferindo se manter incrédulo quanto à identidade dessa pessoa.
Só consegue voltar a si quando o homem começa a emitir um brilho tão forte que irrita as vistas do rapaz. Em poucos segundos tudo se dissipa e o homem some, deixando, como único traço de sua estadia, um par de pegadas feitas pelas botas enormes.
A chuva finalmente cessa. As nuvens negras somem devagar, revelando um céu azul e um sol incrivelmente radiante.
‘Não... não pode ser... É... impossível...!’
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Horário em Tokyo: 8:20h.
A sala da turma 2-B começa a encher. Os alunos disfarçam seu descontentamento com Akane quando ela chega à sala, tentando evitar que outra tempestade assole a cidade. Sua irmã e os amigos ainda tentam acalmá-la pelo ocorrido.
‘<CHUIF!> O Ryoga foi tão malvado com o cãozinho... <CHUIF!>’ – lamenta-se Akane.
‘Não fica assim, não, Akane-chan. Ele não quis te ofender com aquela história...’ – fala Akira, consolando a menina.
‘Mas ele foi muito indelicado! Ele sabe como a minha irmã é sensível!’ – reclama Karin.
‘Peraí, deêm um tempo pro coitado. Vocês sabem que ele se empolga quando conta alguma coisa. No meio da história ele acabou esquecendo dos sentimentos da Akane, poxa. Quando ele chegar aqui, tenho certeza que vai se desculpar com a pobrezinha.’ – fala Shuichi, em defesa do amigo.
‘Ééééé iiiiisso meeeeesmo... eu apóóóóóio vocêêêêê, Shuichi-kuuuuun...’ – afirma Akira, mandando um beijinho para seu amado (que vê esta cena com nojo) – ‘Ele vai te pedir desculpas assim que chegar na sala, Akane-chan, não se preocupe.’
‘Mas onde será que ele se meteu?’ – pergunta Karin, olhando para a porta e vendo Hideki, cabisbaixo, sentado em sua mesa. – ‘Togashi, vem pra cá ficar com a gente.’
‘Hã? Me chamaram?’ – fala ele, despertando de seu transe.
‘Fui eu que te chamei, seu bobo! Vem pra cá pra conversar com a gente!’ – chama Karin.
O rapaz se levanta e caminha até seus colegas. Seu rosto passa uma expressão de tristeza, seus olhos mostram um sentimento de melancolia. Ele se senta sobre a mesa de forma pesada, como que dizendo que não está a fim de conversar...
‘Ohayo, pessoal...’ – diz ele.
‘Caramba, o que houve com você?’ – pergunta-lhe Shuichi.
‘Nada. Apenas acordei meio indisposto hoje...’ – responde ele.
Mas o quarteto saca que ele está mentindo... bem, apenas o trio. Akira fica mexendo no cabelo de Shuichi, tirando alguns fios e colocando-os em um vidrinho.
‘É para colocar na minha coleção "PARA SEMPRE, SHUICHI-KUUUUUN!!!"’ – esclarece ele.
‘Ohayo, pessoal!’ – cumprimenta Sayuki, da porta da sala.
‘Ohayo!’ – dizem todos, menos Hideki.
‘Hideki-kun... Lá embaixo você não falou comigo direito... eu te chateei, foi isso?’ – fala a menina, dirigindo-se até o rapaz. – ‘E então, o que foi?’
‘Não...’ – diz ele, virando o rosto. – ‘Não foi nada... eu tô chateado é com outra coisa...’
‘O que é então?’ – pergunta Karin. – ‘Pode falar pra gente, não tem problema, não.’
‘Não é...’
‘CADÊ ELE? ONDE É QUE TÁ AQUELE "MAIOR MAL DA TERRA"?’
‘Mas o que...’ – todos na sala pensam.
De repente, Hideki sente um ki cheio de ódio se aproximando. A porta da sala se abre revelando uma menina em fúria, bufando, com fumaça saindo de suas narinas.
‘Mas é a...’
‘Ka-Ka-Kasumi-chan?’ – fala Hideki, suando frio.
‘Então você tá aí, "MAIOR MAL DA TERRA"?’ – fala Kasumi, voando para cima dele.
‘Kasumi-chan, o que hou...’
A menina pega Hideki pelo pescoço e o empurra até o quadro-negro, fazendo-o bater com as costas violentamente, formando um rombo. Ela o suspende no ar com um braço e o encara com muito raiva. Ele é capaz de ver as chamas dos olhos dela.
‘KASUMI, O QUE ESTÁ FAZENDO?’ – grita Karin.
‘KASUMI-CHAN!!!’ – grita Sayuki.
‘Kasumi... chan... Por quê...?’ – sussurra Hideki, tendo seu pescoço esmagado.
Ela não se comove. Apenas se delicia em ver sua unha rasgar a pele do rapaz. O sangue escorre por seus dedos e ele se sente sufocar.
‘Por... quê...?’
‘Meu Deus... Ele vai... Ele vai...’ – sussurra Akane.
‘PARE! VOCÊ VAI ACABAR MATANDO ELE!!!’ – grita Akira.
‘O QUE É ISSO KASUMI? PÁRA!!!’ – pede Shuichi.
‘KASUMI-CHAN!!! KASUMI-CHAN!!!’ – grita Sayuki.
‘Kasumi... Kasumi...’ – sussurra Akane.
‘PÁÁÁÁRAAAAAAAA...’ – grita Karin.
<BBBBBBBBUUUUUUUUUUUUUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!>
As nuvens negras retornam.
‘Por... quê... Kasumi...?’ – sussurra Hideki, tentando obter alguma resposta dela.
‘"Por quê?" "Por quê?" pergunto eu!’ – diz ela, afrouxando um pouquinho. – ‘Você me disse que jamais contaria a alguém. Mas você mentiu pra mim o tempo todo.’
‘Do que você... está falando? O que houve?’ – pergunta ele.
‘Aqui não...’ – diz ela.
Kasumi atravessa uma janela carregando o rapaz pelo pescoço. Eles vão até a piscina da escola para conversarem sossegados.
‘O que aconteceu aqui?’
Todos vêem Kajeyama-sensei parada na frente da sala, boba de ver o quadro-negro com um buraco no meio.
‘Quem é o responsável por isso?’ – pergunta ela.
Os alunos apontam uns para os outros.
‘Ai, meu Deus, por que eu perguntei?’ – pergunta-se a sensei.
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Horário em Tokyo: 8:31h.
A tempestade não dá indícios de passar tão cedo, mostrando toda a sua fúria na forma de raios e trovões. Mas alguém não se incomoda com isso. Esse tempo sinistro reflete muito bem o que ela tem em seu coração agora...
‘Chegamos!’ – fala Kasumi, jogando Hideki na piscina.
<CHUÁ! GLUB! GLUB! GLUB! HUUUUUUUMMMMM...>
‘... AAAAHHH! POR QUÊ? POR QUE VOCÊ TÁ ME TRATANDO ASSIM?’ – grita Hideki, emergindo. – ‘O QUE FOI QUE ACONTECEU??? ME FALA!!!’
‘ATÉ PARECE QUE VOCÊ NÃO SABE, SEU MENTIROSO!’ – fala ela, aterrissando.
‘MAS EU NÃO SEI, PORRA!’ – fala ele, nadando até a margem.
Saindo da piscina, o rapaz tem um pressentimento. Já sabe o pode ser.
‘TEM ALGO A VER COM O SEMPAI?’ – pergunta ele, levantando-se.
A menina se cala. Ele vê em seu silêncio que acertou em cheio.
‘ELE TE REJEITOU, NÉ? DAÍ VOCÊ TÁ TENTANDO DESCONTAR EM MIM O FATO DELE NÃO GOSTAR DE VOCÊ, É? ISSO É SACANAG...’
‘EU NÃO PUDE NEM FALAR COM ELE!’ – fala ela, rangendo os dentes.
‘UÉ... MAS E POR QUE NÃO?’ – pergunta Hideki.
‘ELE JÁ ESTAVA NOS BRAÇOS DE OUTRA!!!’ – revela Kasumi.
<Um raio gigantesco corta o céu!>
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Horário em Tokyo: 8:11h.
Logo após falar com você, fui voando pelo corredores até a sala 3-A. Na hora eu estava calma e confiante e tinha todas as palavras na ponta da língua. Iria me confessar mesmo!
‘Tenho que ser forte! Tenho que ser forte! Por Hideki-kun!’ – eu pensava.
Finalmente cheguei à porta da sala. Àquela hora, nenhum outro sempai estaria lá, eu sabia muito bem disso. Esse seria o clima perfeito para nós, ninguém poderia nos interromper. Tomei coragem e enfim entrei.
O que vi ali foi horrível. Uma cena que sempre temi, algo que achei que não presenciaria, pelo menos não em tais circunstâncias, não do modo que aconteceu. Realmente a pior imagem da minha vida...
Origawa Shinnosuke estava beijando Tamura Megumi.
Era inacreditável... Meu amado... aquele com quem tive centenas de sonhos maravilhosos... por quem sempre clamei sentir o toque suave dos lábios tocando os meus... o único que conseguiu ultrapassar o muro que criei em minha volta... Meu Grande Amor... nos braços de... de... Minha Maior Rival!
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Horário de Tokyo: 8:35h.
Hideki não acreditou no seus ouvidos escutaram. Não podia ser verdade...
‘Aquilo me chocou! Não consegui falar nada! Tudo o que conseguia pensar era em fugir dali... me esconder em algum lugar bem fundo e levar comigo os pedaços do meu coração destruído... Chorei por alguns minutos...’ – diz ela.
Era possível ver as lágrimas que desciam por seu rosto, mesmo sob a tremenda chuva que cai. O rapaz ainda não consegue entender porque volta a ser objeto de raiva de Kasumi...
‘PERAÍ, ELA DISSE "RIVAL"?’ – pensa ele.
‘... até que finalmente eu matei a charada! Lembrei-me de tudo que aconteceu ontem... Eu vi você com a Megumi antes da sua chegada ao terraço... Ela deve ter feito a sua cabeça contra mim... E depois quando conversamos no dojô, achei que havia julgado você mal... COMO EU ME ENGANEI!!! Acreditei em cada palavra sua, achando que você era meu amigo! Eu fui para casa feliz da vida, enquanto você, "O Maior Mal da Terra", se preparava pra dar o bote!!! Eu estranhei quando cheguei e vi os dois abraçados. A safada ainda me encarou, sorrindo pra mim... tentei deixar para lá, não devia ter nada demais... Mas esse foi o problema. Aquela deve ter sido a hora na qual você contou tudo a ela. E a vagabunda te agradeceu se esfregando daquele jeito! Então ela foi até o sempai e se declarou a ele... SÓ PRA ME ATINGIR! EU NÃO ACREDITO!!!’
Essas palavras atacam Hideki de um modo fulminante. Seu coração fica a ponto de explodir, tal é a forma com a qual Kasumi lhe martiriza. A vontade de se defender é tremenda, onde estão suas forças para isso?
‘Kasumi-chan... eu...’
‘EU TE ODEIO, GAROTO!!! EU TE ODEIOOOOO!!!’
<Mais um raio corta o céu!>
Mas este é diferente. Traz consigo o trovão e, ao mesmo tempo, o silêncio. Mas talvez com um pouco de concentração, seria-se possível escutar um som, surdo e doloroso... como o de algo se partindo em mil pedaços.
O coração de Hideki!
O rapaz cai de joelhos, sentindo seu corpo pesar. O esculacho da menina foi demais.
‘Gomen... nasai... Kasumi-chan...’ – diz ele, com lágrimas nos olhos.
‘Agora não adianta nada. Está tudo acabado pra mim. Sayonara.’ – diz ela, levantando vôo e indo para dentro do prédio.
‘O que aconteceu aqui? Por que logo comigo? Eu não entendo...’ – sussurra Hideki.
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Horário em Tokyo: 12:10h.
O mais novo casal da escola é comentado em um piscar de olhos. Todos os alunos ficam sabendo da notícia. A chuva começa a cessar... Talvez Akane tenha ficado feliz ao saber da novidade.
‘Ah, Megumi-chan, finalmente o bravo sol vem à tona para contemplar nosso amor!’ – fala Shinnosuke, abraçando sua amada.
‘É, sim. Que lindo! Somente sua bela companhia consegue tornar este momento mais especial ainda, meu querido.’ – fala Megumi.
‘Megumi-chan...’ – diz ele.
‘Shinnosuke-kun...’ – diz ela.
Os dois se entregam a um beijo doce, terno, molhado... a cerejeira, sob a qual eles se sentam, torna-se o palco perfeito. Todos os alunos transeuntes do pátio podem ver o casal.
Inclusive uma menina muito triste...
‘Origawa-sempai...’ – pensa Kasumi, se derretendo em lágrimas.
TSUZUKU...
Capítulo 2
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"Eis o dia em que um anjo virá
e sua chegada causará grande tristeza
em um coração livre do pecado..."
Mesatsu Shini.