Onde mora o perigo
EDUARDO GUIMARÃES (23/08/2007)
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2007-08-19_2007-08-25.html
Uma leitora, que se identificou simplesmente como Adriana, do Rio de
Janeiro, fez uma observação que considerei extremamente
arguta e sobre a qual nem eu, protagonista do assunto que ela comentou,
havia refletido.
Adriana bem observou que eu havia manifestado medo de subir aos morros
de Caracas para conhecer a realidade da maioria dos caraquenhos que
vive nesses guetos e que apóia o governo de Hugo Chávez.
É fato. Meu medo decorria do risco que ir a favelas representa,
sobretudo para estrangeiros – e, na Venezuela, é isso que sou.
Contudo, foi na parte rica da cidade que sofri dano, uma
agressão física, e por parte de um jovem da elite.
No morro Propatria, naquele lugar miserável, sujo, cheio de
gente supostamente sem educação, sem “preparo”, fui
recebido com respeito, com reverência mesmo, e em nenhum momento
me senti ameaçado. Vejam, então, onde é que mora o
perigo. Ele mora entre aqueles que pensam que o mundo lhes pertence,
pois cresceram sem passar privações, sem que suas
famílias lhes ensinassem a respeitar os diferentes e os
contrários.
Aliás, falando em perigo, ontem ocorreu mais um caso de
violência aqui na Venezuela. Um deputado chavista compareceu a
uma audiência num tribunal por conta de alguma
acusação a que responde e houve um choque entre seus
simpatizantes e uma equipe de reportagem da RCTV.
Neste país, violência física por causa de
política está se tornando cada vez mais freqüente.
Claro que há violência no Brasil. Muita. Só que
essa violência ocorre por todos os motivos, mas dificilmente
ocorre por questões políticas. E acho muito mais
preocupante quando as pessoas se agridem fisicamente por causa de
política. Aí, a violência não é caso
de polícia e, sim, de exército(s). Violência e
política, com efeito, são ingredientes das guerras civis.
Vejam só os bordões de cada facção
política venezuelana:
· Chavistas:
“Socialismo, Pátria ou Morte!”
· Antichavistas:
“Guerra Civil Já!”
Dá medo, não?
Graças a Deus, gente, em algumas horas embarco para o Brasil, de
maneira que, das 21 horas de hoje até amanhã à
tarde, não terei como liberar comentários.