JÚBILO

Hélio Rôla

Para quem olhas, a todo instante? O mundo todo se parece contigo, naquilo que admiras. E nada pousa em teus olhos que seja contrário a ti. Não há aposentos furtivos na imagem que lapidas, na imaginária vida a que pretendes. Recolho ressentimentos, injúrias, insultos, escritos que dão a direção de teu ser, mas que cabe a mim eliminá-los. Retocar as pinturas do êxtase de tudo quanto te identificas. Trair a palavra é o de menos. Os poetas em nosso tempo parecem forçar tanto o que dizem. Como se não duvidassem mais do que são. Ainda insistes nisto? Que honra encontrar na honra, senão presunção? Um verso decai ao crer demasiado na fidelidade de uma palavra. A poesia estima seus poetas. O vento só traz consigo o vento. Quem se admira tanto? Todos se indagam sobre o que fazer com tantas ataduras.

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arte: hélio rola / poema: floriano martins
fortaleza é nossa debilidade

02/04/2005

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