À
noite busco refúgio em teus olhos. Não recordo se passam as horas. É sempre
difícil encontrar-te, porque já não estás ali onde
na noite anterior. Por que são fugidios os abrigos? Teus olhos me protegem
do mundo, mesmo quando me vês como uma morta silenciosa. Todos os riscos
dançam e não se pode morrer senão cantando. Mas quando
te procuro já não estás. Que amparo tu pretendes, se te
encontrar é tão delicado quanto morrer? Sinto teus dedos decifrando
a morte em meu corpo. Não protegi o refúgio como devia. Há uma
nova noite encantadora e distante de ti. Meu olhar atento ao toque de teus
dedos. Não busco mais apenas prazer no espelho. Percorro-me indefinidamente,
por onde andares. Não importa a distância: nos escrevemos, um
no outro.
CAFÉ
En la noche busco refugio en tus ojos. No recuerdo si pasan
las horas. Es siempre difícil encontrarte, porque ya no estás allí donde la
noche anterior. ¿Por qué han huido los abrigos? Tus ojos me protegen
del mundo, incluso cuando me ves como una muerta silenciosa. Todos los riscos
danzan y no se puede morir sino cantando. Pero cuándo te busco ya no
estás. ¿Qué amparo pretendes, si encontrarte es tan delicado
cual morir? Siento tus dedos descifrando la muerte en mi cuerpo. No protegí el
refugio como debía. Hay una nueva noche encantadora y distante de ti.
Mi mirada atenta al toque de tus dedos. No busco sino placer en el espejo.
Me recorro indefinidamente, por donde andarías. No importa la distancia:
nos escribimos, uno en el otro.
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arte: hélio rola / poema: floriano martins
traducción: benjamin valdivia
fortaleza é nossa debilidade
01/04/2005