
Escavar por toda a arte. Em busca das vítimas da prestidigitação e do acaso. Dilatar a paisagem dos corpos até que se tenha a medida mais imprópria dos desastres. Quantas são as mortes que se repetem em cada túmulo violado? Objetos devorados pela ausência de sombras, desfeitos em si mesmos sem reparo. Vozes encalhadas nas coxas do tempo, sangrando sinais que lidos por engano resultam em uma retórica de dilemas. Se o mundo caminha a largos passos descuidados, cuidar então para que lhe falte terra sob os pés. Afrontar o orgulho tosco do vazio e dizer-lhe no olho o quanto a dispersão o está matando com apenas uma jarra de gritos mal escritos. Buscar um sentido no outro, nos demais. Planejes ou não, todo o teu ser se arrasta dentro de ti. Evoluímos por galicismo.