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HLAGE.COM |
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| É NÓISH NA FITA ! | ||
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Brasil em tempos de Big Brother |
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Enviada por Jéssie |
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Nota minha: Concordo com a Jéssie e com o texto. O que não concordo é que além de apresentar um programa que no meu entender, é um lixo, a emissora de tv procure cercear o direito da imprensa de veicular matérias a respeito. :o)) É bom deixar claro que não assisti o programa de lançamento e nem assisto a nenhum capítulo do que reputo como tremenda porcaria enlatada ! :o)) Um Grande abraço ! Heraldo Lage
Endosso, em gênero, número e grau. Não é preciso ser advogado para ser lúcido, coerente, realista e de bom gosto. Lamentavelmente, até mesmo em família tenho pessoas que apreciam o "mundo cão". Ainda bem que Deus nos fez diferentes, uns dos outros, independente da proximidade física ou de parentesco. Não só lamento pelo Brasil, mas pelo mundo, que tem que escoar pelo ralo toda essa sujeira ou "diversão de péssimo gosto". E, juntamente, aqueles que a defendem.
Todos e cada um têm
direito às suas preferências. Como eu tenho direito à minha
opinião a respeito.
Tenho dito !
Jéssie
O prazer de assistir diariamente pessoas
"comuns" ou celebridades confinadas dentro de uma casa,
proibidas de quase tudo em nome do dinheiro, me repugna e me assusta não
só como cidadão mas também como observador atento do cotidiano
brasileiro que sou.
Pior que isso, muito pior, contudo, é o megalomaníaco cartaz que a própria Mídia vem dando ao assunto "Big Brother", tratando-o como se fosse uma idéia de gênio, uma brilhante jogada de marketing ou uma napoleônica estratégia da Globo pela primazia no Ibope. De repente, parece que o cérebro de todo um País derreteu e virou gosma. No seu lugar, ficou um caroço um amendoim. Ninguém mais se dá ao trabalho de racionar a gravidade do que está acontecendo entre nós. Todos voluntariamente mergulharam de cabeça na demência e no deslumbramento com o surreal. Até a questão da violência foi relegada a um segundo plano depois da estréia do "Big Brother" e da iminência da chegada aos lares brasileiros da "Casa dos Artistas 2". Os executivos de televisão, indiferentes a tudo isso, só comemoram: eles finalmente descobriram o que é que prende o telespectador diante da tv e o fazem esquecer do controle remoto: o voyerismo, o drama alheio, a exposição ao ridículo. É mesmo uma pena que um País de cultura tão rica e variada como o Brasil tenha se permitido reduzir a uma mera republiqueta de bananas, cuja população não freqüenta bibliotecas ou museus públicos, apesar de eles existirem aos montes, e que jamais aprendeu a ter um hábito de leitura permanente. Nesse exato ponto, muitos seguramente diriam: mas, Gustavo, os livros por aqui custam os olhos da cara, é praticamente impossível para a maioria das pessoas adquiri-los, que dirá lê-los com regularidade. Como reverter esse cenário a curto ou médio prazo??? Como tornar bem instruída uma população predominantemente de analfabetos??? Respondo: investindo pesado em educação básica, estimulando o aluno da escola pública e da escola privada a colocar as suas idéias no papel, provocando-os ao debate e à discussão de idéias, ensinando-os a serem cidadãos. É hora de se ver que não existe cidadania plena sem educação para todos, educação de qualidade, educação com senso crítico.
A esse respeito, não basta, sequer de
longe, levar o livro didático a um número físico maior de crianças,
como também não basta entupir as escolas de micro-computadores última
geração e projetores de slides. É preciso, bem antes disso, começar
a sensibilizar pra valer a criança brasileira para o prazer da
leitura e a descoberta de novos mundos através do livro. Sem essa
etapa preliminar na formação da personalidade, a criança do Brasil
com o tempo tenderá a se tornar nada mais senão um adulto obtuso e
frustrado, incompatível ao conceito de cidadão.
Lembro com saudade do meu tempo de criança, quando na TV os campeões de audiência eram O Sítio do Pica-Pau Amarelo, O Balão Mágico e os desenhos de Hanna Barbera e Walt Disney. Nada de violência. Nada de brutalidade. Nada de palavrões ou baixarias. Reinava absoluto um aprazível clima de inocência e de ingenuidade, hoje, porém, substituído pela malícia sem limites, pelo erotismo exagerado e pelo contato precoce com o sexo, cada dia mais banalizado. Simultaneamente a esse saudosismo que me invade, não consigo parar de me sentir intranqüilo e angustiado com aquilo que enxergo ao meu redor hoje em dia: bandos de crianças com brincos em todas as partes do corpo, fumando e bebendo sem controle, transformando os Shoppings Centers em núcleos de barulheira e algazarra, passando a quilômetros da livraria mais próxima. Ora, se a atual geração de brasileiros é que irá governar o País no futuro, o que será de nós e do nosso patrimônio cultural daí para frente??? Fosse o Brasil um País verdadeiramente sério e com vergonha na cara, do que nos últimos anos passei a duvidar, programas do nível deste "Big Brother" global jamais se tornariam coqueluches ou obsessões, veículos de lobotomia coletiva, muito menos seriam eles o principal assunto para tanta gente ao mesmo tempo. O apego às coisas da cultura é, quando do mínimo, imprescindível, para não dizer obrigatório, ao efetivo sucesso de um povo na História mundial. Por que é tão difícil se dar conta disso??? Temos, portanto, de acabar de uma vez por todas com o vexatório título de País sem memória, erradicando o analfabetismo, a miséria e a fome que hoje assolam a esmagadora maioria de nossa gente. Rezo a Deus que o Brasil encontre, senão a curto, pelo menos a médio prazo, o glorioso destino que lhe foi reservado, tornando-se uma grande incubadora de talentos e valores, resgatando a auto-estima de sua população e a confiança de cada um em um amanhã mais justo e menos desigual. Terá deixado de valer a pena sonhar? Não acho. Para mim, sem os sonhos a realidade cotidiana não é mais do que um longo filme de cinema mudo, chato, monótono e sem graça. Que as nossas crianças reencontrem em breve o caminho dos bons livros e que deles se tornem amigos para sempre, amigos e parceiros, amigos e admiradores devotos. Que possam ambos, as crianças e os livros, se tornar uma só energia pulsante, contagiando adultos de toda parte. Que, ao se cercarem de tal base na formação de suas personalidades, nossas crianças possam se tornar eleitores maduros e conscientes de seu papel na causa da liberdade de expressão e da Democracia participativa, aprendendo a saber destacar apenas os melhores para os postos-chave do Executivo e do Legislativo, pessoas que, uma vez lá, se dignem de trabalhar por uma pátria sem desigualdades ou incongruências. Faça a sua parte, meu amigo, minha amiga. Doe os seus livros antigos a uma biblioteca pública. Prestigie as coisas da terra, nosso artesanato, nossas artes plásticas, nossa música. Torne-se um cidadão a pleno vapor. Você não irá arrepender-se, lhe garanto. Paz e saúde para todos. Um feliz Carnaval. É o recado.
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