Sinusopatia
(Sinusite)
Doença infecciosa aguda que acomete
seios paranasais e ocorre como complicação de processo inflamatório, de origem
infecciosa ou alérgica das vias aéreas superiores.
Patogênese
Os seios da face são normalmente
considerados estéreis graças à ação do epitélio mucociliar que promove a limpeza
de qualquer corpo estranho que entra nos seios. Este mecanismo de defesa é
quebrado por vírus que acometem o trato respiratório como o RINOVÍRUS. Este fato
promove condições para infecções bacterianas, principalmente quando estes
agentes ficam retidos no interior dos seios da face, uma vez que os óstios dos
mesmos podem ficar obstruídos pela inflamação causada pela infecção viral.
Outros Fatores Predisponentes
Desvio de septo nasal, corpo estranho,
pólipos, hipertrofia de adenóide (Não permitem aeração e drenagem adequadas),
Síndrome da imobilidade ciliar, fibrose cística, cisto em seio maxilar.
Outros fatores gerais: desequilíbrio vasomotor, alergia (atopia – rinite
alérgica), poluição atmosférica (pais tabagistas, poluição ambiental), variação
brusca de temperatura, doenças sistêmicas como a mucovisidose (secreção muito
espessa), praticantes de natação (mergulhos – diferença de pressão causam
ruptura dos mecanismos de defesa).
Classificação
Aguda (sintomas de 2 a 4 semanas de
duração)
Subaguda (sintomas de 2 a 4 semanas até 2 a 3 meses)
Crônica (mais de 2 a 3 meses).
Atenção: Não há sinusopatia frontal antes
dos 9 anos, pois o seio frontal ainda não foi pneumatizado. Em crianças menores
é mais freqüente em seios esfenoidais e maxilares, porém também pode ocorrer em
crianças maiores.
Complicações Intracranianas
CIC (Complicações Intracranianas) nas
sinusopatias, elas podem ocorrer por duas vias:
1 - Tromboflebite retrógrada de veias que interligam os seios da face e o crânio
e não apresentam válvulas (v.v. diploicas e comunicantes);
2 - Extensão direta da doença infecciosa através de vias anatômicas, com
deiscências (traumáticas ou congênitas), erosão da parede sinusal e forames
existentes.
Temos pelo
menos cinco tipos de CIC,
que podem coexistir em um mesmo paciente:
1) O abscesso cerebral é citado como a
CIC mais comum; e, no caso dos de origem sinusal, se relacionam, sobretudo com o
lobo frontal, sendo que em nossa série observamos também esse fato. O quadro se
inicia com uma cerebrite, associada clinicamente à cefaléia. A seguir, inicia
uma fase quiescente e assintomática de covalescência até definir sua imagem
clássica de expansão dentro do parênquima cerebral, acarretando cefaléia e
letargia. Sua fase final é a ruptura intraventricular ou para o espaço subdural,
com evolução dramática para o coma e óbito. Podem ser tratados clinicamente, ou
por drenagem neurocirúrgica.
2) A meningite é citada como a segunda CIC mais comum. Em geral, seu tratamento
é clinico. Cabe lembrar o risco de punção liqüórica em busca de diagnóstico,
antes de se afastar uma hipertensão endocraniana, pelo risco de herniação.
3) O Empiema (Coleção purulenta limitada dentro de cavidade natural, visceral ou
serosa) epidural é pouco citado, apesar da maior prevalência em algumas séries.
Requer drenagem cirúrgica.
4) O Empiema subdural, em geral, apresenta-se com múltiplas localizações; e
alguns autores acreditam que sua presença seria indicativa de grande risco de
seqüelas. Em alguns artigos é citado como a mais prevalente das complicações.
5) As tromboses dos seios venosos e do seio cavernoso são mais raras; porém, as
mais graves das CIC.
Variações anatômicas e sinusopatias
Dacriocistite Aguda Decorrente e Sinusite Maxilar
A dacriocistite aguda é inflamação do
saco lacrimal, geralmente decorrente de obstrução das vias de drenagem, causada
mais freqüentemente por mucocele, cálculo ou tumor. Porém, sabe-se que
inflamação da mucosa nasal decorrente de sinusopatia ou rinite pode levar à
obstrução das vias lacrimais com estase e infecção secundária. Clinicamente, o
paciente vai apresentar-se com dor local e lacrimejamento, além de edema,
eritema e hiperemia conjuntival.
Figuras:
Figura 1 - Radiografia de
seios paranasais, incidência de Walters, mostrando velamento do seio maxilar
direito.
Figura
2 - Radiografia de seios paranasais, incidência de Caldwel, mostrando velamento
do seio etmoidal direito.
Figura
3 - CT de seios paranasais corte coronal, mostrando espessamento mucoso e
acúmulo de secreção em seio maxilar direito.
Figura
4 - CT de seios paranasais corte axial, mostrando espessamento e realce da
região pré-septal orbitária, à direita.
Figura
5 - CT de seios paranasais corte axial, mostrando seios etmoidal anterior e
posterior juntamente com seio esfenoidal sem comprometimento.
Polipose nasossinusal: doença inflamatória crônica
evolutiva?
A Polipose Nasossinusal (PN) é uma
doença inflamatória crônica da mucosa respiratória nasal e dos seios paranasais
que se manifesta clinicamente pelo aparecimento de formações polipóides,
geralmente bilaterais e que levam à obstrução nasal, rinorréia, hiposmia ou
anosmia e rinossinusites de repetição.
A presença de um processo inflamatório crônico na submucosa parece ser um
elemento comum a todos os casos de PN, há um considerável incremento de
mediadores inflamatórios na submucosa do pólipo e mucosa adjacente. Os efeitos
combinados de citosinas e fatores de crescimento produzidos por linfócitos T,
fibroblastos, células epiteliais e células circulantes, principalmente
eosinófilos, podem ser responsáveis pelas diversas fases do processo de formação
do pólipo.
Glioma Nasal e Encefalocele
Gliomas nasais são tumores benignos,
raros, constituídos de tecido glial e astrócitos. São divididos anatomicamente
em extranasais (60%), intranasais (30%) e mistos (10%). Mais comumente
encontrados em recém-nascidos, mas por seu crescimento lento podem ser
encontrados em adultos.
Encefaloceles são herniações de conteúdo da caixa craniana que mantiveram sua
comunicação com o encéfalo. Classificam-se em sincipital (quando extranasal
perto da glabela, testa ou órbita), basal (quando intranasal e na região da
nasofaringe) e occipital (quando na região suboccipital). Podem apresentar-se
desde o nascimento até a primeira infância, com a possibilidade de associação
com meningite.
Rinosporidiose
É uma doença crônica infecciosa causada
por um microorganismo aquático previamente conhecido como fungo. Seu agente
etiológico é conhecido como Rhinosporidium seeberi, patógeno oportunista, não
invasivo que provavelmente requer uma lesão para sua entrada no organismo. Foi
relatado também como sendo um protozoário do reino protista de peixes e anfíbios
o que deve ao fato da relação filogenética do R. seeberi se assemelhar com
fungos.
Esta infecção acomete a membrana da mucosa nasal e conjuntiva ocular de humanos
e animais, produzindo lentamente crescentes massas que se degenera em pólipos.Os
sintomas variam dependendo do estágio de desenvolvimento do tumor e do local
afetado. Os pólipos são geralmente róseos a arroxeado e friáveis.