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Projetos Contando História Links Apostilas Trabalhos de Alunos Página inicial A TAREFA DO PROFESSOR

Cabe ao professor auxiliar a passagem do senso comum ao bom senso, e deste para a consciência filosófica. Esse processo não é automático: ao contrário, existem obstáculos à sua realização. Basta pensarmos na rigidez dos preconceitos, no arraigamento das convicções, na sedução das certezas definitivas que nos levam ao dogmatismo, ao fanatismo e à doutrinação. Ou lembrar do morno conformismo das convenções e dos hábitos que muitas vezes nos acomodam na alienação e nos tornam presas fáceis da ideologia. Isso não significa que o professor seja um “guia”, ”um farol que ilumina“, nem que veja o mundo de maneira “mais certa”. Mas ao trabalhar com os alunos as idéias e os textos, cuja abordagem sobre o mundo é diferente daquela empreendida pelas demais formas de saber (mito, religião, senso comum), oferece condições para que o aluno lance “outro olhar” sobre o mundo e sobre si mesmo. A educação exerce um trabalho de pensamento por meio do qual se faz a crítica do estabelecido, introduzindo o questionamento e a dúvida em todos os setores do saber e agir humanos. A educação supera o saber ingênuo e não-crítico ao desacomodar os indivíduos do já feito e já sabido, ampliando os horizontes para além da mentalidade tecnocrática, pragmática, imediatista, a fim de recuperar a dimensão humana, quando alienada. Além disso, sua abordagem totalizante deve superar o saber fragmentado dos especialistas e estabelecer a interdisciplinaridade. Dessa forma. a educação, ao buscar o fundamento do saber e do agir, faz a crítica da cultura e se pronuncia como discurso contra-ideológico. Não se trata, porém de qualquer crítica, entendida como impertinente “ser do contra”. Nem tampouco de uma crítica que se apresenta como “um conjunto de conteúdos verdadeiros que se oporia a um conjunto de conteúdos falsos”. Trata-se, isso sim, de um processo que, em um primeiro momento, nega imediatamente o vivido para que, ao buscarmos sua gênese e seus fundamentos, possamos transforma-lo em experiência compreendida. A fim de desenvolver esse processo, o professor deve se definir como mediador entre o aluno e saber acumulado pela humanidade, o que significa, estabelecer a ponte entre o aluno e a cultura, uma vez que o ensinar não se faz à margem do contexto histórico no qual se insere. Esse movimento se produz com rigor quando existem condições para a análise, por meio de uma lógica mais coerente e pelo exercício da argumentação, a fim de educar o aluno para a inteligibilidade e, portanto, para a autonomia intelectual. Em outras palavras, a aula deve abrir espaço para a palavra, para o estabelecimento de novos conceitos. Hoje em dia, com o imperialismo da imagem, da informação fragmentada típica do mundo pós-moderno em que prevalece a mídia audiovisual, mais do que nunca o espaço da palavra deve ser preservado, como garantia de possibilidade de reflexão e crítica. Resta lembrar a importância da educação no mundo em vertiginosa mutação, neste início de século. Se cada vez mais rapidamente mudam as profissões e as técnicas, a educação precisa adquirir maior flexibilidade e amplitude que nos distancie da visão do especialista ocupado com seu mundo fechado e que desperte interesse por uma educação capaz de estabelecer a interdisciplinalidade.


Adaptação de texto retirado do livro “Temas para Filosofia”Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins. Editora Moderna, 2ª edição, 2005.

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