in Di�rio de Not�cias, 28 de Mar�o de 2002



�J� n�o gosto tanto de futebol�

Helder Robalo

Uma �poca, at� agora, para esquecer. Em ano de Mundial, o minhoto viu-se suspenso ap�s controlo "antidoping" onde acusou n�veis de nandrolona elevados. Clamando inoc�ncia, Quim sentiu o mundo desabar, mas encontrou for�as para se erguer e ainda ambiciona estar presente na Coreia. At� Maio, quando se souber a convocat�ria, afirma que ningu�m o pode impedir de sonhar

O caso da nandrolona, em ano de Campeonato do Mundo, n�o podia vir em pior altura?
N�o estava � espera que isto me acontecesse. Nunca tomei nada, nem hei-de tomar. Podia ter a infelicidade de me lesionar, de me acontecer qualquer outra coisa. Agora, por esta raz�o, nunca esperaria, j� que n�o tenho esses h�bitos. Infelizmente, estou parado numa altura m�, pois o processo tem-se arrastado demasiado para eventual presen�a no Mundial.

Quais s�o as hip�teses de ainda ir ao Campeonato?
Ainda tenho esperan�as. Foi o objectivo desde o in�cio da �poca e continua a ser. At� sair a convocat�ria ningu�m me pode tirar essa ilus�o. Tenho esperan�as de ainda jogar nas �ltimas jornadas e, se Deus quiser, tudo h�-de correr bem.  Esta participa��o seria o coroar de uma carreira... � l�gico. No Europeu n�o esperava ir, n�o tinha esse objectivo. Mas j� que l� estive, espero estar tamb�m no Mundial.

Qual � o seu estado de esp�rito?
� dif�cil. As coisas t�m sido normais nos treinos, trabalho da mesma forma, mas tem sido dif�cil. Estou h� um m�s e uma semana parado e parece que j� passaram tr�s ou quatro meses. Tenho-me aguentado bem e espero manter-me desta maneira.

At� onde est� disposto a ir para provar a sua inoc�ncia?
Tenho a certeza absoluta que estou inocente. Mesmo que venha a ser castigado, vou at� onde for poss�vel para o provar.

Os n�veis de nandrolona permitidos deviam ser repensados?
Aquilo que sei, e tenho a certeza, � que n�o tomei nada. Os valores n�o me interessam, apenas quero justi�a. N�o percebo nada de nandrolona e, se calhar, muitas pessoas tamb�m n�o.

Espera ser absolvido como Marco Almeida e Laelson?
Acima de tudo, espero justi�a. Al�m de querer que me aconte�a o mesmo que a esses dois jogadores, quero tamb�m que me digam o que tomei. Est�o-me a acusar de algo que nem eles sabem o que �.

N�o p�e a hip�tese sequer de ter tomado alguma coisa de forma inconsciente? Em suplementos vitam�nicos, por exemplo.
N�o acredito. O clube d� vitaminas normais, como em todos os clubes, e eu n�o ligo nada a isso. Sinceramente. Muitas vezes est�o l� para tomar e deixo ficar, outras vezes lembro-me e tomo. N�o o fa�o de forma muito rigorosa.

A Federa��o deu-lhe o apoio que concedeu a Fernando Couto?
N�o quero comentar. O apoio foi o que as pessoas quiseram dar e eu agrade�o. O meu clube fez, e continua a fazer, tudo o que � poss�vel. Na Federa��o apenas apoiaram o que acharam que deviam apoiar. Agrade�o e espero que o continuem a fazer.

Mas acha que ficou aqu�m das expectativas?

Sim. Sabe, se calhar o Fernando Couto � o Fernando Couto e o Quim � o Quim.

E os colegas da selec��o?
T�m-se mostrado solid�rios. Houve muitos que me ligaram para dar apoio... O Fernando Couto falou comigo, disse-me que � uma situa��o dif�cil, e para nunca baixar a cabe�a. Disse que procurasse provar a minha inoc�ncia.

Perspectivas para o futuro?
O futuro? Tenho contrato com o Braga. Espero estar no Mundial, fazer uma boa �poca e, se poss�vel, encarar as coisas com mais alegria. Desejar que o futuro seja mais risonho e, porque n�o, pensar em voos mais altos.

No in�cio da �poca falou-se no Celta de Vigo. Acha que esse interesse ainda se mant�m?
� dif�cil, nesta situa��o, haver clubes interessados.  Mas era interessante? � l�gico. Seria um grande orgulho jogar no estrangeiro e num campeonato que, para mim, � o melhor do mundo.

Falou-se tamb�m do Benfica...
Fala-se, fala-se, fala-se, mas at� agora n�o me chegou nada. Era bom aparecer um clube grande, mas at� ao momento s� na Imprensa.

Continua a gostar do futebol como antes de ser suspenso?
N�o. Sinceramente n�o.

O que � que mudou?
Desde novo, desde os 13 anos, que foi sempre um sonho jogar futebol. Tinha-o como uma grande profiss�o. Com esta situa��o j� n�o. Estou a ser injusti�ado e, por isso, j� n�o consigo ver o futebol da mesma forma.

Pensa que h� muitos jogos de interesse por detr�s do futebol?
N�o sei. Estou a ser acusado de algo que nunca fiz. Ningu�m deve estar descansado, porque pode ser acusado de algo que n�o tomou e isso estraga uma �poca.

A pr�pria contra-an�lise foi algo �estranha�...
O meu caso come�ou a ser falado em Dezembro, e s� para fazer a contra-an�lise demorou-se quase um m�s. Se tivesse acontecido na semana seguinte, penso que em Abril j� estaria a jogar, conforme o castigo, e teria mais hip�teses de participar no Mundial.

Qual a situa��o do seu caso?
Estou h� espera de uma decis�o. Talvez na pr�xima semana...

Continua motivado para voltar em grande?
Eu ca�, foram tempos dif�ceis. Mas ergui-me e quero voltar no meu melhor.

Compensado com uma presen�a na Coreia/Jap�o?
Seria a melhor coisa que me podia acontecer depois desta fase.


ELIMINA��O DA TA�A COM O LEIX�ES MARCOU A TEMPORADA

O Braga acusou a sua sa�da?
N�o, de maneira alguma. O meu colega, o Marco, tem estado bem. Penso que a equipa n�o se ressentiu com a minha aus�ncia.

Mas entrou, de certa forma, em decl�nio ap�s a sua sa�da. Acha que uma coisa n�o tem a ver com a outra?
Penso que esse decl�nio de que tanto se fala na Comunica��o Social � o jogo da meia-final da Ta�a de Portugal com o Leix�es. De resto, t�m sido jogos normais desde o in�cio do ano.

No entanto, essa derrota marcou muito a �poca?
Sim, acho que ningu�m esperava que fossemos eliminados em casa pelo Leix�es, mas infelizmente aconteceu. No futebol n�o h� l�gica, � por isso que � t�o bonito, e a Ta�a ainda mais. Temos que provar dentro de campo o nosso valor e, nessa partida, o Leix�es foi melhor do que n�s.

Pelo que tinha feito nas eliminat�rias anteriores, j� se sabia que o Leix�es estava muito forte. O que � que falhou no Braga?
Penso que, se calhar, acusamos um certo nervosismo. As coisas n�o come�aram da melhor forma. O Leix�es, que praticamente n�o tinha chegado � nossa baliza, fez um golo de livre. Depois, a nossa equipa sentiu muito o tento e acabou por se ir abaixo. Foi uma partida em que nada correu bem.

Desaire que acabou por contribuir para a sa�da do treinador...
Sinceramente n�o sei. Pelo que se fala e se ouve, parece que era mesmo um confronto muito importante para todos n�s.

Estava em causa a possibilidade de participar na Ta�a UEFA...
Exactamente. Penso que se foi um jogo t�o importante, falh�mos todos. Mas n�o podemos olhar s� para esse resultado. Aconteceram coisas muito boas esta �poca e n�o se fala disso.

Mas o Braga ocupa um lugar na tabela que n�o � muito habitual.
Temos feito um campeonato tranquilo, estamos no nono lugar. N�o � aquilo que pretendiamos, mas o campeonato tem sido muito dif�cil, com equipas excelentes. Se olharmos para a tabela, do oitavo at� ao quarto tem havido muitas trocas. O Braga simplesmente, n�o conseguiu colocar-se nesse lote. Mas o valor n�o est� em causa, temos grandes jogadores. Resta fazer o melhor poss�vel para dar alegrias aos s�cios.

Perdeu-se alguma estabilidade na equipa com a sa�da de Tiago e de Armando?
Eram dois jogadores que estavam a fazer uma �poca muito boa. � l�gico que esta sa�da foi �ptima para eles, o Benfica � clube de maior ambi��o, mas sabia-se que o Braga se ressentiria.

Quim, Tiago e Armando. Tr�s baixas quase consecutivas...
Sim, � dif�cil para um plantel como o do Braga perder assim jogadores, sem praticamente os substituir. Mas, para mim, n�o se podem desperdi�ar estas ocasi�es. A n�vel financeiro foi bom e teve que se deixar um pouco de parte a estrutura da equipa. Os jogadores que sa�ram foram para um grande clube, mas � claro que o Braga sentiu a sua perda.


A Cara da Not�cia

Quim, 26 anos
Natural de Famalic�o, Jos� Manuel Sampaio Silva (Quim) estreou-se na I Liga pela m�o de Manuel Cajuda na �poca de 1994/95. Jogou 90 minutos e agradeceu com uma baliza inviol�vel. Na sombra de Rui Correia, s� tr�s anos mais tarde, quando este rumou para as Antas, � que se assumiu como indiscut�vel nos arsenalistas. Actuando numa posi��o em que � dif�cil, pelo baixo n�mero de vagas, chegar � selec��o, Quim era, at� h� m�s e meio, um dos habituais convocados pelo seleccionador. Estreou-se num particular com Andorra, em Agosto de 1999, e obteve uma surpreendente chamada para integrar a comitiva que participou no Euro 2000. Agora contava alcan�ar aquilo que qualquer outro futebolista ambiciona: participar no Mundial. Um controlo antidoping fechou-lhe as portas do sonho.
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