In Di�rio de Not�cias, 11 de Janeiro de 2002


Um mapa de Portugal diferente

HELDER ROBALO e IL�DIA PINTO

"Mexer com a ideia de que Portugal � um harmonioso Estado unit�rio e perfeitamente homog�neo" � o principal objectivo do Mobimento Cibico Portucalense (MCP). Instalado na Internet em
www.geocities.com/mobimentopt, um grupo de amigos optou pelo humor para "alertar para o esquecimento a que est�o votadas as regi�es do interior do pa�s" e, sobretudo, para a diferen�a de investimentos entre Lisboa e Porto. A s�rio ou n�o, a inten��o � dizer "algumas verdades aos mouros".

O Mobimento come�a por chocar com a entrada do site, onde um estandarte romano com as armas de Lisboa aparece violentamente cravado no mapa de Portugal. O Porto surge como a aldeia gaulesa de Ast�rix, basti�o resistente � lux�ria da capital.  No rol de cr�ticas � excentricidade lisboeta surgem o Centro Cultural de Bel�m, a Expo'98 e o futuro aeroporto da Ota, obras "desnecess�rias" que s� serviram para "gastar o dinheiro dos contribuintes enquanto se alimentava o ego" de Lisboa. Segundo o MCP, "n�o � pr�prio de um pa�s harmoniosamente desenvolvido que se enterrem fortunas em obras fara�nicas em Lisboa enquanto que, noutros pontos do pa�s, as pontes caem de podre!".

J� a Invicta, � sempre apresentada como a defensora do Norte. Apesar de alguns visitantes n�o concordarem com esta ideia, o MCP afirma n�o precisar de autoriza��o para defender as suas ideias, embora compreenda que "algumas pessoas do Norte tenham receio de um excessivo vedetismo do Porto".

Da� lhes adv�m algumas cr�ticas negativas no "Libro de Bisitas". Para um visitante de Lousada (Guimar�es), "h� muita gente c� de cima que pensa que voc�s realmente se importam com o Norte, mas voc�s s�o como todos os lisboetas: egocentristas. (...) As grandes diferen�as no nosso pa�s s�o entre as �reas metropolitanas de Lisboa e Porto e o resto do pa�s, que � prejudicado constantemente". O Mobimento aceita as cr�ticas, mas defende-se afirmando que a solu��o n�o � esperar pelas "migalhas que possam cair da mesa do banquete da capital". Embora reconhe�a a marginaliza��o do interior, o MCP afirma que "tamb�m o Grande Porto � tradicionalmente agraciado com um investimento per capita mais baixo do que Lisboa".

Apesar das cr�ticas negativas, h� tamb�m quem te�a elogios aos mentores do site. "A prova de que o Norte sabe rir e autocriticar-se" � um exemplo de coment�rios abonat�rios vindo, curiosamente, de um cibernauta alfacinha. Isto porque, segundo o MCP, "a maioria dos visitantes apercebeu-se do seu cariz iminentemente humor�stico".

Apesar da vertente pacifista, os membros do MCP preferem n�o se identificar, por n�o serem o "Herman Jos�, que pode dizer o que quiser e ningu�m o incomoda". � que o site � "alvo de ataques quase di�rios de v�rus inform�ticos", como retalia��o pelas ideias defendidas.

Outros dos temas abordados � a rela��o com a Galiza, ou como defende o MCP, a uni�o do Norte a essa regi�o espanhola. Primeiro porque ela s� o � devido "a um mero acidente hist�rico e n�o por vontade do seu povo" e segundo porque juntas constituem "uma unidade cultural e econ�mica com tend�ncia a aumentar". Se o era no passado, mais facilitado ficou com a integra��o na Uni�o Europeia, com a aboli��o das fronteiras e com a cria��o do Eixo Atl�ntico e da euro-regi�o Galiza-Norte de Portugal.

Agora, com o Euro, essa aproxima��o pode ganhar ainda mais for�a, uma vez que "a relev�ncia dos estados ter� tend�ncia a decrescer no futuro". Para o MCP a aproxima��o � Galiza ser� agora bem mais real, mesmo que isso aterrorize os pol�ticos da capital, que vivem sob o p�nico de que "qualquer levantamento de cariz regionalista" ponha em causa a harmonia nacional. Algo que o MCP n�o tem nos horizontes, pois n�o lhe "passa pela ideia formar um partido pol�tico ou criar uma esp�cie de ETA nortenha". Mesmo que a p�gina apresente um mapa de um Portugal que come�a em Coimbra, na fronteira com "a Mouraria", e termina na orla mar�tima da Galiza.   Uni�o com Gaia para aumentar influ�ncia


O Nascimento


Filho das tert�lias de um grupo de amigos no Caf� Velasquez, na zona das Antas (Porto), o MCP j� existia h� tr�s anos e as suas ideias foram ganhando for�a num crescimento que culmina no nascimento do seu site oficial. Uma p�gina diferente de muitas outras, at� pela linguagem utilizada. Renegando as normas da Academia de Ci�ncias de Lisboa, o Mobimento adoptou uma ortografia que procura retratar a oralidade da pron�ncia do Entre Douro e Minho que, "tecnicamente falando, � t�o correcta como a de Lisboa".  Outro dos temas abordados � a uni�o de Porto e Vila Nova de Gaia, baseando a defesa em v�rios pontos. Historicamente, Gaia esteve "sob al�ada do Porto durante mais de 500 anos". Demograficamente, assiste-se "a um envelhecimento da popula��o portuense", enquanto que, em Gaia, a juventude � a for�a da terra. Territorialmente, a uni�o dos dois concelhos iria aumentar a influ�ncia exercida junto da "capital e restante Noroeste peninsular".
Artigo Anterior             P�gina Inicial              Artigo Seguinte
Hosted by www.Geocities.ws

1